sábado, 9 de julho de 2011

COREÓGRAFOS DEBATEM O QUESITO COMISSÃO DE FRENTE


Coreógrafos das Escolas de Samba


Em tempos de “espetacularização” dos desfiles das escolas de samba, os coreógrafos de comissão de frente ganharão “status” no carnaval carioca. Antes, um quesito que tinha apenas a preocupação de saudar o público, se tornou elemento fundamental dentro de um desfile e já garantiu um campeonato.  Atualmente, o trabalho de uma comissão virou um espetáculo dentro do próprio espetáculo. O perigo é até onde isso pode chegar. Os críticos acreditam que o quesito está se descaracterizando.  O seminário “Pensando o Carnaval”, desta sexta-feira, promoveu uma discussão sobre o tema e conseguiu reunir grandes coreógrafos para participar do debate. Carlinhos de Jesus (Beija-Flor), Jaime Arôxa (Mangueira), Hélio Bejani (Salgueiro) e Marcelo Misailidis (Vila Isabel) defendem uma reformulação no Manual dos Jurados.  O quesito estaria ultrapassado pelo regulamento da Liesa.

- Eu já perdi ponto em elemento cenográfico de comissão de frente. Mas eu não poderia perder ponto nisso. Não há nada no Manual de Julgamento da Liesa que especifique que o elemento cenográfico deve ser julgado pelo responsável no quesito comissão de frente. Falta um critério definido. A regra precisa ser clara – adverte Hélio Bejani.

Para Marcelo Misailidis, o julgador precisa aprender a respeita todos os estilos de coreógrafos. O responsável pelas comissões da Vila Isabel acredita que o jurado deve se comportar como “árbitro”, admitir o que é correto ou não, sem opinar com subjetividade sobre a dança.

- Cada um tem sua dança. Eu e Helio somos do balé clássico. O Renato [Vieira] da dança contemporânea. É difícil o jurado avaliar a dança. Ele também não pode colocar na sua justificativa que faltou algo na dança. Ele não pode virar o coreógrafo. Não pode ser co-autor do processo de criação – acrescente Misaillidis.

Todos os convidados concordam também que é necessário aplicar regras mais objetivas no Manual dos Jurados.  Para eles, alguns pontos no julgamento não ficam claros. No artigo 26, inciso IX, do Regulamento da Liesa, permite que a comissão de frente desfile com o limite mínimo de 10 e máximo de 15 componentes. No entanto, em 2009, a Vila Isabel, de Marcelo Misaillidis, trouxe um grupo de  pessoas que não aparecia para o público e jurados. Eles carregaram o elemento cenográfico. A escola não foi punida e a Liesa argumentou que era permitido a apresentação de 15 pessoas visíveis.  No ano seguinte, a Tijuca levou mais de 40 pessoas em sua comissão que revezavam na atuação, mas apenas 15 dançarinos ficavam visíveis.

- Você precisa colocar regras. A regra pelo menos me ajuda em criar. É uma forma de desafio. Precisamos de limite. Senão, nós piramos – conta Carlinhos de Jesus.

Marcelo Misaillidis e Helio Bejani também querem criar limites no quesito e acham injusto esse “revezamento” de dançarinos usado pela comissão de frente da Tijuca 2010. Embora, elogiem o sucesso e a performance  do grupo que trocava roupas a partir de um truque de mágica, eles acreditam ser injusto com as outras comissões.  No entanto, Jaime Arôxa contrariou seus colegas.

- Eu sou a favor de regras, mas não limites. O mundo é uma roda que gira e não tem como você parar. O carnaval não tem como voltar atrás – defende Jaime.

Os quatro convidados apóiam a idéia de acabar com a apresentação obrigatória da comissão em todas as cabines de jurados. Eles defendem que volte o regulamento antigo onde a performance para o júri poderia ser em andamento.

- Você para e vira de costas para o público que está atrás de você. Poderia ser uma apresentação contínua, sem essa parada obrigatória - diz Misaillidis

O coreógrafo da Vila crê que os jurados precisam ter uma maior vivência no carnaval. Segundo eles, o julgador tem que possuir um conhecimento cultural de tudo que aquela dança e o quesito representam dentro da festa. Carlinhos de Jesus disse que ficaria orgulhoso se fosse julgado por grandes nomes do carnaval como Maria Augusta, Laíla e Haroldo Costa.

- Alguns jurados não sabem exatamente o que aquilo está sendo representado. Não tem conhecimento de carnaval. O jurado parece ser um expectador que vê algo e diz que aquilo é bonito. Sou a favor que se coloque uma câmera na cabine. Ele pode assistir a coreografia várias vezes gravada. E depois dizer que foi ali que nos descontou ponto – completa Misaillidis.

LAÍLA E WAGNER ARAÚJO DEBATEM OS QUESITOS HARMONIA, EVOLUÇÃO E CONJUNTO

Criado com o intuito de debater e expor novas idéias para o julgamento dos desfiles das escolas de samba, o ‘I Seminário Pensando o Carnaval’ teve uma noite de gala nesta terça-feira. Sentados à mesa que se propunha a discutir idéias para os quesitos evolução, harmonia e conjunto, Wagner Araújo, diretor de carnaval da Imperatriz, e Laíla, diretor de carnaval da Beija-Flor. Bem humorados e dispostos a colaborar com o intuito do encontro, os dois levantaram questões importantes e mostraram-se favoráveis às notas dez justificadas. Além disso, a construção de mais um recuo de bateria na Marquês de Sapucaí foi colocada em pauta.

A mesa teve mediação do jornalista Fabio Fabato, que assina coluna no site Galeria do Samba, e o primeiro assunto colocado em pauta foi a capacidade de entendimento dos julgadores do quesito harmonia. Para Laíla, que há 50 anos milita no carnaval, não é apenas a falta de conhecimento que expõe os erros dos jurados.

- Julgar harmonia é difícil. É preciso ter o conhecimento teórico e prático da questão e já vi muita escola ganhar nota dez com cavaco desafinado. Na verdade, alguns agem de má fé, julgam pelo peso da bandeira. Hoje, tenho convicção que a harmonia é julgada através da voz do cantor oficial – disse Laíla, que deu o exemplo da São Clemente como uma escola que constantemente é prejudicada.

Já Wagner Araújo, que também faz parte da diretoria da Liesa, ressaltou a dificuldade encontrada pela entidade para montar o corpo de julgadores.

- Vocês não tem ideia da dificuldade que é reunir cinqüenta nomes que saibam julgar e que não tenham nenhum tipo de envolvimento com as escolas. Existe até uma proposta de diminuição para 40 julgadores, como já ocorreu, mas nem isso é o ideal. O ideal é utopia. Pra mim o certo seria escolher 15 julgadores para cada quesito e descartar algumas notas. Desta forma, iríamos diminuir a quantidade de erros, mas fazer isso é muito complicado.

Assunto que vem sendo frequente nas quatro mesas do seminário realizadas até aqui, as notas dez justificadas receberam atenção especial da dupla. Além de confirmar que é favorável à medida, Laíla disse mais.

- Tem que ter lisura e amor por aquilo que faz. Alguns dos que estão ali são descompromissados com o carnaval. Você pega cada coisa nas justificativas que te revolta. O dez justificado é necessário sim.

Wagner lembrou também que a medida é uma forma de avaliar a verdadeira capacidade do julgador.

- O dez indevidos fazem muito mal ao carnaval. Talvez se o curso de jurados fosse mais extenso os erros poderiam ser diminuidos, mas é difícil afirmar isso. Não quero ouvir os elogios da nota dez, mas é uma forma de colocar em cheque o cara. A nota dez, às vezes, é fuga possibilitada ao julgador. Ele dá a nota e pronto – concluiu Wagner.

Já para a resolução de um dos problemas mais crônicos enfrentados pela escolas na Marquês de Sapucaí, o som da pista, Laíla surpreendeu a todos ao pedir aos órgãos que comandam a reforma no templo maior do samba carioca a construção de um terceiro Box para a bateria. Na visão do diretor de carnaval da Beija-Flor, a medida ajudaria a equilibrar a distribuição do som ao longo do desfile.

Wagner Araújo, além de concordar com o colega de profissão, pediu que, desta vez, algum sambista seja ouvido. Depois, em tom de brincadeira, discordou de Laíla, quando o comandante da Deusa da Passarela revelou a ideia de inserir no regulamento que as escolas cantassem o samba, somente com acompanhamento do cavaquinho e da bateria, durante 15 minutos. O fato de os jurados de harmonia descerem para a pista de desfiles durante a passagem das escolas também foi rechaçado por Wagner, que considera inviável a opção.

Com relação ao carnaval moderno, Laíla pediu aos órgãos de imprensa que valorizem mais os conceitos inerentes ao "chão" das escolas de samba.

- Aqueles que sentem saudade do carnaval onde as escolas passavam três horas na Avenida, que os sambas eram dolentes, não há como desfilar desta forma. Eu tenho que guiar a minha escola em cima do regulamento da competição. Carnaval é quesito! Não é só a plástica. Vamos largar esse negócio de Hollywood pra lá. A imprensa tem culpa nisso também, porque acaba valorizando demais essas coisas que aparecem. Carnaval não é carro de cabeça pra baixo não! A plástica é quem deve acompanhar o chão da escola. Não se pode gastar a grana que se gasta hoje com alegorias. Na Beija-Flor eu não deixo isso acontecer. Eu valorizo o samba, a bateria, a harmonia perfeita, a evolução, a espontaneidade do componente – desabafou.

Wagner fez coro com o diretor da Beija-Flor e pediu que segmentos como baianas, passistas e os grandes destaques sejam mais valorizados. Já com relação ao carnavalesco da Unidos da Tijuca, Paulo Barros, um dos ícones do carnaval moderno, a dupla discordou. Laíla revelou que quem não acompanhar o modelo de interação com o público vai acabar ficando pra trás. Wagner, elogiou Paulo Barros, mas disse acreditar que o artista encontra-se numa encruzilhada, já que não vê o estilo de Paulo Barros encaixar-se com o enredo sobre Luiz Gonzaga, tema da escola do Borel em 2012.

Sobre o quesito evolução, Laíla revelou seu incômodo com o excesso de coreografias visto no carnaval de hoje. Ele ressaltou que as coreografias não são algo do carnaval moderno e citou o Império Serrano como pioneiro. Laíla definiu que a evolução deve ser feita com simplicidade e, acima de tudo, o componente deve dançar aquilo que ouve. Para Wagner Araújo, apontado como maior responsável pelos desfiles extremamente técnicos da Imperatriz na década passada, a agremiação de Ramos sofre com um fenômeno ocorrido com as agremiações nos últimos anos.

- Na Imperatriz eu ainda tenho 40% de alas comerciais. Isso representa um grande percentual de pessoas que eu não sei como vai chegar pra desfilar. A grande maioria das pessoas que desfilam nessas alas não convivem conosco. Não vão aos ensaios e caem de pára-quedas no dia do desfile. O ideal, para a Imperatriz voltar a ter o rendimento que tinha, é vestir a escola toda. Antigamente o carioca não freqüentava as quadras da forma que freqüenta hoje. Ele descobriu que pode se divertir muito mais freqüentando as quadras ao invés de comprar fantasias, que são verdadeiras cangalhas de setecentos, oitocentos reais, e passar na Avenida durante 15 minutos – afirmou Wagner, que rebateu as críticas do enfileiramento da ala das baianas.

No que diz respeito ao posicionamento dos casais de mestre-sala e porta-bandeira na ‘’cabeça da escola’’, imprimido por Laíla na Beija-Flor, no início da última década, e seguido por todas as escolas posteriormente, a dupla concordou que é algo que ajuda a evolução das escolas. O consenso é que a agremiação só precisa parar uma vez para a apresentação das comissões de frente e casais de mestre-sala e porta-bandeira em cada cabine de julgadores. Quanto a alternância no ritmo que a escola evolui na Avenida depois da passagem destes dois segmentos, Wagner garantiu que os jurados recebem  a orientação de que é normal isto ocorrer.

Outro pedido que virou lugar comum entre os dois experientes profissionais, foi o fim do quesito conjunto. Eles acreditam ser desnecessária a permanência do conjunto no julgamento, já que ele congrega todos os outros. Laíla pediu também que haja descarte somente da menor nota e que o número de módulos de julgamento volte a ser apenas quatro, além de manifestar o desejo de ver pessoas públicas no papel de julgadores. Ele exemplificou, citando Maria Augusta, Fernando Pamplona, os produtores do CD do Grupo Especial, e a jurada do Estandarte de Ouro, Lygia Santos, que esteve presente mais uma vez, assim como vários diretores de harmonia e carnaval de outras escolas.

Para encerrar a produtiva noite uma leve polêmica. Wagner Araújo respondeu pergunta feita pelo mediador Fábio Fabato, que questionou o fato de os julgadores só fecharem o envelope de notas do desfile de domingo na segunda-feira. O diretor de carnaval da Imperatriz disse que o julgamento é comparativo, portanto é preciso avaliar todas as escolas antes de fechar a nota de cada uma. Quanto às possíveis interferências que o jurado pode sofrer de um dia para o outro, Wagner não negou a possibilidade, mas reafirmou que os responsáveis pelo julgamento devem ter uma postura correta e personalidade forte. Mesmo um pouco incomodado com a questão, Laíla concordou com Wagner e deu nota 10 para o julgamento do Carnaval 2011. Já Wagner, que foi o sexto com a Imperatriz Leopoldinense, designou a nota 8,5 para o desempenho dos julgadores.

RENATO LAGE E CID CARVALHO DEBATEM O QUESITO ALEGORIAS E ADEREÇOS


Renato Lage e Cid Carvalho


Na sexta mesa de debate do  ‘I Seminário Pensando o Carnaval’, ocorrida na noite desta quinta-feira, na Faculdade Hélio Alonso, em Botafogo , dois dos principais artistas do carnaval carioca estiveram presentes. Em pauta, o quesito alegorias e adereços, e Renato Lage, carnavalesco do Salgueiro, e Cid Carvalho, carnavalesco da Mangueira, entre muitas opiniões sobre o modelo de julgamento atual, manifestaram o desejo de ver pessoas ligadas ao mundo do samba compondo o corpo de julgadores.

O encontro foi mediado por Raphael Azevedo, jornalista de O Dia, e o primeiro ponto abordado, como não poderia deixar de ser, foi a opinião dos entrevistados sobre o desempenho dos jurados nos últimos carnavais. Um dos carnavalescos mais experientes do Grupo Especial, Renato Lage disse nunca ter sido consultado sobre o julgamento das escolas de samba.

- Nunca fui consultado para saber a minha opinião. Nós é que fazemos o carnaval. O julgamento não me traz parâmetro de nada. Não dá para melhorar o meu trabalho lendo as justificativas dos jurados. Os julgadores não têm vivência no carnaval. A folha curricular deles não é conhecida. Neste caso, a questão do julgamento fica muito atrelada ao gosto pessoal. Não é assim! Eles precisam julgar a concepção artística e a plástica das alegorias. Ao contrário disso, ficam procurando erros, parecem fiscais. Este ano tive o desprazer de ser abordado por um julgador para me dizer algo que não estava em sua justificativa – disse Renato, que também lembrou que para justificar uma nota dez o jurado precisa conhecer o que está julgando.

Já Cid Carvalho, para a surpresa da maioria dos presentes, confessou que prefere não ler as justificativas. Segundo o carnavalesco da Mangueira, o que os jurados escrevem não o acrescentam em nada.

- Eu não leio as justificativas simplesmente porque elas não justificam nada. Sou uma pessoa muito humilde. Sei que tenho defeitos, os assumo e faço de tudo para consertá-los, mas a justificativa não me ajuda a melhorar. Não posso dizer se eles têm qualidade ou não para julgar, não os conheço. Quem tem que saber disso é a Liesa. Este ano eu vi uma escola com um rasgo em uma alegoria e ela levou nota dez. Acho que o melhor seria se eles tivessem que justificar a nota dez.

Com relação à extrema valorização da estética nos desfiles em detrimento aos quesitos de chão, a dupla tem opiniões diferentes. Para Cid, o carnaval passa por fases e a atual é a era da estética. Já Renato Lage, lembrou a capacidade artística dos ritmistas, dos passistas e dos componentes que compõem o chão da escola. Para ele, é apenas uma questão de se reconhecer características artísticas diferentes.

Outra questão bem inerente ao carnaval contemporâneo é a coreografia nos carros alegóricos. Na visão de Cid, que citou a teatralização dos carros alegóricos da Beija-Flor, quando ele integrava a comissão de carnaval, a coreografia é bem vinda quando pertinente ao contexto do carro. Já Renato Lage, citou Paulo Barros em sua resposta.

- Concordo com o Cid. Se houver a necessidade não vejo problema. É uma questão de estilo de trabalho. Eu acho que o Paulo Barros usa isso muito bem. E tem mais é que continuar usando. O carnaval necessita de estilos diferenciados. Se passar tudo a mesma coisa, o carnaval perde a graça.
Uma prática comum até alguns anos atrás no carnaval carioca era a visita dos jurados às quadras e barracões alguns dias antes do desfile oficial. Cid lembrou a questão e pediu seu retorno.

- Acho que isso faz com que o jurado aprenda a valorizar o trabalho do carnavalesco. Nós trabalhamos demais. As pessoas não têm noção do trabalho que dá fazer um carnaval. Aí quando chegamos na Avenida eles nos tiram décimos por que tem algo uma pedrinha solta ou rendinha descosturando na alegoria. Acho até que isso deve ser explicado na justificativa, mas tem que ter um peso menor na hora de definir a nota.

Contrário à ideia de Cid, Renato justificou, temendo um pré-julgamento por parte dos jurados.

- Além de o julgador já chegar na Avenida pré-disposto a dar uma nota, como acontece com o samba-enredo, o desfile perde a emoção, a novidade. Se o julgador quiser ver antes que vá à concentração. Os carros ficam lá o dia inteiro – afirmou Lage.

Apesar de discordarem nesse ponto, Cid e Renato foram unânimes ao pedir o fim da passarela da Cidade do Samba, atualmente fechada em razão das obras. Cid revelou que fica chateado quando vê pré-julgamentos de seu trabalho em fotos que, de acordo com ele, não mostram devidamente as alegorias.

Outro ponto em comum nas opiniões da dupla de artistas e, talvez a mais importante exposta no evento, foi o desejo de ver no corpo de julgadores pessoas que convivem no meio do samba.

- Porque as pessoas do meio não podem ser julgadoras? Todas elas têm um nome a zelar e entendem daquilo que passa na Avenida. Até parece que as pessoas que torcem por outras escolas ficariam chateadas caso o Haroldo Costa, por exemplo, fosse ser jurado. Tenho certeza que ele não iria ser tendencioso ao Salgueiro. Ele tem um nome a zelar. Tanto o Haroldo quanto muitos outros nomes -  concluiu Renato Lage.

Cid, além de fazer coro com o carnavalesco salgueirense, brincou, dizendo que, neste caso, voltaria a ler as justificativas. A polêmica sobre o fechamento das notas de domingo no próprio domingo, ao contrário do que é feito atualmente, quando os jurados fecham todas as notas na segunda-feira, também voltou a ser debatida.

- Se você perguntar a todos os carnavalescos tenho a impressão que eles responderiam da mesma forma que eu. Gostaria muito que o envelope fosse fechado no próprio dia de desfile – disse Cid Carvalho.

- É claro que tem que fechar no dia do desfile. A opinião da mídia influencia na decisão do julgador – lembrou Renato Lage.

Na segunda metade do debate, a sinceridade da dupla acabou rendendo algumas declarações inéditas. Principalmente quando o assunto foi a Mocidade Independente de Padre Miguel, escola em que Renato ficou 13 carnavais, sendo campeão de três, e que Cid já assinou dois trabalhos. O atual carnavalesco da Mangueira não poupou críticas à diretoria da escola.

- A situação na Mocidade é mais complicada do que a maioria pensa. Peguei a escola duas vezes na 11ª colocação e cheguei ao sétimo lugar, o que não é bom, principalmente se olharmos a história da Mocidade. Já cheguei ao ponto de levar uma máquina minha para o barracão da Mocidade. Trabalhar sem apoio é difícil. E o apoio não é só financeiro não. É muito difícil quando você grita sozinho. É preciso encontrar eco na sua voz, ter gente que queira assim como você. Dizem por aí que fui o responsável pelas escolhas dos dois sambas da Mocidade enquanto eu estive lá, mas é mentira. Os meus sambas preferidos não eram esses pula-pula que ganharam.

Quando o assunto foi o relacionamento dos dois com os diferentes diretores de carnaval com que já trabalharam ao longo da carreira, Cid e Renato manteram franqueza. Ambos fizeram elogios a Laíla, com quem já trabalharam, mas o artista quatro vezes campeão do carnaval – uma com o Salgueiro e três com a Mocidade – deu a entender que não gostaria de trabalhar no modelo implementado pelo diretor de carnaval da Beija-Flor.

- O Laíla é muito competente. Sabe muito de samba, harmonia, evolução, bateria, mas é preciso ter uma cabeça pensante na parte plástica. Alguém que implemente uma linha, um estilo, senão vira uma colcha de retalhos – disse Renato.

- O Laíla é o melhor com que eu trabalhei, mas tem diretor de carnaval por aí que não te ajuda. Tem uns que são puxa-sacos. Esses são os piores. Não te ajudam a colocar o trabalho em prática – afirmou Cid.

Para terminar, Cid Carvalho escolheu o desfile da Estácio de Sá de 2009, ‘’Que chita bacana’’, como o melhor de sua carreira. Já Renato Lage apontou o ‘’Vira, Virou’’ de 1990, da Mocidade, com o seu predileto. A dupla definiu também como suas principais referências três papas do carnaval: Fernando Pinto, Arlindo Rodrigues e Joãosinho Trinta.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

JULINHO FALA SOBRE O ENREDO DA VILA 2012

Foto: Divulgação
Rute e Julinho
Em conversa com a imprensa, Julinho, mestre-sala da Vila Isabel, opinou sobre o enredo que a escola de Noel levará para a avenida no Carnaval de 2012. Sob o comando da carnavalesca Rosa Magalhães, a agremiação desenvolverá o tema sobre a Angola.

"Em 1988 conquistamos um título falando sobre a influência negra, cultura africana com Kizomba, A Festa da Raça. Acho esse enredo sobre a Angola é a cara da Vila Isabel", disse.

Julinho contou que já iniciou os ensaios com a porta-bandeira Rute.

"Os ensaios começaram, estamos revendo alguns conceitos, reavaliando e repensando movimentos. Estamos entrando no ritmo novamente. Mais para frente começaremos a pensar em detalhes que serão apresentados para os jurados", informou.

O mestre-sala acredita que a escola vai tirar proveito do fato de encerrar os desfiles de domingo, em 2012. E lembrou que a Vila Isabel entra na Sapucaí com a força da comunidade.

"Todas as nossas fantasias são doadas, temos chão, temos canto, harmonia. A Vila é uma escola com comunidade", afirmou.

A Vila Isabel será a sétima escola a entrar na Marquês de Sapucaí, domingo, dia 19 de fevereiro, pelo Grupo Especial.

ACIDENTE NA QUADRA DA BEIJA FLOR

Foto: DivulgaçãoUma parte do teto da escola de samba Beija-Flor desabou por volta de 1h madrugada desta sexta-feira, e ficou a caerca de um metro do chão, como mostra a foto ao lado.

Uma perícia técnica será feita para apontar a razão do desabamento. No momento da queda, não chovia e nem ventava no local. Também não havia pessoas na quadra, apenas um vigia na guarita próxima ao estacionamento.


A quadra da Beija-Flor fica na Rua Wallace Paes Leme, 1025, no Centro de Nilópolis, na Baixada Fluminense. A escola  foi a campeã do último Carnaval, quando levou para a avenida o enredo sobre o Rei Roberto Carlos.

Para quem já esteve na quadra da azul e branca de Nilópolis, dá para perceber que sua quadra não combina com seu gigantismo, um espaço precisando de reforma há muito tempo. Uma pergunta me fascina: "qual o motivo pelo qual a direção da Beija Flor não faz uma grande reforma?"

O luxo da Beija Flor e toda a riqueza que ela insiste todos os anos em mostrar na Sapucaí, não reflete o lugar onde deveria ser a referência da escola, a segurança dos componentes foi arrisca com esse acidente, que graças à Deus não deixou feridos, mas uma coisa é certa: a escola tem que pensar menos em plumas e paitês, e mais no que tem de melhor, seu torcedor!


RAYMONDH JÚNIOR
twitter - raymondhjunior

CID CARVALHO FALA SOBRE O CARNAVAL DA MANGUEIRA 2012

Foto: Divulgação
Cid Carvalho e Ivo Meirelles
O carnavalesco Cid Carvalho, que vai trabalhar pelo bom desempenho da Mangueira, em 2012, falou essa semana sobre o andamento dos trabalhos da verde e rosa para levar para a avenida o enredo "Vou festejar, sou Cacique, sou Mangueira".

Segundo ele, o fato de ter escolhido o enredo cedo, favoreceu a escola a desenvolver os trabalho com mais calma e a ter ideias inovadoras.

"Nós já temos a metade da escola desenhada, começando os protótipos. Acho que a Mangueira está bem e a diretoria está colaborando, fazendo o trabalho com calma, para não ter correria no final. Estamos buscando fugir do que está batido, do corriqueiro. Quando você tempo, busca alternativas, coisas diferentes".

Em relação ao enredo sobre o Cacique de Ramos, Cid destacou que a Mangueira não precisa mais provar que é escola do "povão", nem que o Cacique é um bloco tradicional de Carnaval de rua, e disse qual será o ponto alto do desfile.

"O apelo popular. Esse casamento (entre Mangueira e Cacique) tem que ter como filho, como fruto, um Carnaval popular, tanto é que a gente está preparando um Carnaval sem peso para o componente. A Mangueira pode estar rica, bonita, mas sem peso para o componente. Se você quer retratar um Carnaval de rua, fazer uma grande homenagem a essa festa popular, que é o Cacique de Ramos, não pode ter um componente travado. Bonito sim, travado não", explicou.


quinta-feira, 7 de julho de 2011

PORTELA TEM ENREDO DEFINIDO

Foto: Reprodução de Internet
Portela

A Portela confirmou que o enredo para 2012 será a respeito das festas da Bahia, retratando a energia, alegria e espiritualidade do povo baiano. O título escolhido foi: "E o povo na rua cantando. É feito uma reza, um ritual...".

O enredo é de autoria do carnavalesco Paulo Menezes e do cantor e compositor Marquinhos de Oswaldo.

Paulo vai se reunir com os compositores e a direção de Carnaval no dia 18, às 20h, para esclarecer dúvidas. O encontro será na sede da Portelinha, na Estrada do Portela, 446, em Madureira. Na mesma ocasião, a sinopse e o cronograma da disputa dos sambas-enredo serão entregues.

Portela tem uma missão pela frente: resgatar seus grandes carnavais. O homem que se dizia salvador da Portela, que seria o Superintendente da escola está  preso, é triste  ver a Portela nas páginas policiais. Mas o enredo me parece ser muito interessante, criativo e falar de festas, e rituais da Bahia é sempre uma grande emoção. Daqui agente torce para que a Águia Guerreira nos surpreenda com um grande desfile!



RAYMONDH JÚNIOR
twitter - raymondhjunior

REPRESENTANTES DAS ESCOLAS DE SAMBA ANALISAM ORDEM DOS DESFILES 2012


Foto: Ricardo Almeida
Ordem dos desfiles escolas de samba 2012

Domingo
Renascer de Jacarepaguá
Antonio Carlos Salomão – presidente
"Eu acho que o horário não influencia muito não. Tenho confiança no trabalho que eu estou fazendo. Abro esse carnaval tranquilamente. A Renascer virá grande, do tamanho que ela merece".

Diretor de carnaval
"Pra gente não vai fazer diferença abrir o carnaval. Neste ano, já fomos a segunda escola a desfilar. Vamos fazer um trabalho junto à comunidade. Sempre falamos para os componentes para chegarem cedo, não muda muito. O público que for ao Sambódromo verá que a Renascer veio para ficar. Nós não queremos voltar para o Acesso. O trabalho é feito de forma consciente".
Portela
Nilo Figueiredo – presidente
"Acho que foi bom. A Potela vai desfilar numa boa hora. Além disso, estaremos do lado dos Correios, onde conseguiremos montar a escola toda dentro da concentração. O que eu não posso é desfilar por último, isso não dá".

Junior Scafura – diretor de carnaval
"Em 1984, a Portela foi a campeã de domingo na inauguração do Sambódromo. Agora teremos uma reinauguração. Quem sabe a Portela não repete a dose? Tenho certeza que o enredo também nos dará sorte. O lado da concentração também é ótimo. Os melhores desfiles da Portela foram do lado dos Correios, fiquei bastante feliz. A Vila Isabel quis trocar conosco, mas desfilar de manhã não era a nossa vontade, o presidente preferiu não trocar".
Imperatriz Leopoldinense
Wagner Araújo – diretor de carnaval
"Na verdade nós subimos uma posição. Nós últimos dois anos fomos a segunda escola de domingo a desfilar. A grande verdade é que, da maneira que o espetáculo é conduzido, você tem é que fazer um grande desfile. A disputa é comparativa. Nós torcemos é para que os jurados sejam coerentes. Você tem é que ir pra dentro do seu barracão, da sua quadra, e fazer um grande trabalho. Não podemos ficar preocupados com ordem de desfile. Este ano nós tivemos escolas muito bem colocadas em relação à perspectiva de desfile e não obtiveram bons resultados. Eu gosto de concentrar do lado do Balança. A possibilidade que você tem de praticamente problemas zero com relação à largura é muito bom. Colocar a escola toda dentro da área de concentração é muito interessante. Apesar do viaduto, que você tem que se preparar para ele, é um lugar bom de desfile".

Guilherme Nóbrega – diretor de harmonia
"Não poderia ser melhor. A terceira escola de domingo pega a Avenida quente. Com um samba valente a comunidade cai pra dentroe vamos levantar a Sapucaí cedo. Tô feliz com essa posição. Sempre fui muito feliz no Balança. É a melhor concentração. Temos uma equipe que está acostumada com o sobe e desce dos carros para passar no viaduto. Não tem mistério nenhum. Vamos demonstrar que independnete de domingo e segunda o que importa é a garra dos componentes".

Luizinho Drummond – presidente
"É uma posição boa. Num desfile com sete escolas, estamos pelo meio. Ser a última é que seria ruim. Não vejo problemas em desfilar no lado ímpar. Como todas as escolas, já desfilamos pelos dois lados, a Imperatriz está acostumada".

Mocidade
Ricardo Simpatia – diretor de carnaval
"O quarto lugar de domingo é bom. Vamos voltar às origens da Mocidade, desfilando do lado dos Correios. Antigamente o nosso barracão era alí atrás e o nosso componente adora concentrar ali. O lado dos Correios também ajuda muito o trabalho do carnavalesco, que não terá a a preocupação com as esculturas que o viaduto dá. O espaço ali é menor, mas vamos usar o plano B, usar a área de serviço que tem lá. Já fomos cxampeões várias vezes desfilando no lado dos Correios e a Mocidade vai pintar o céu da Avenida, arrebentar com Portinari".

Paulo Vianna – presidente
"Eu queria ser a quarta de segunda, mas não deu. Não importra o dia. O importante é a escola fazer um grande desfile e mostrar o que é a Mocidade. Nos vamos para o sorteio na esperança de conseguir uma boa posição, mas fazer um grande carnaval é o objetivo maior. Hoje os dois lados estão bem organizados. A Liesa dá uma estrutura às escolas".

Porto da Pedra
Amauri de Oliveira – diretor de carnaval
"Achei positivo. Era uma opção nossa. Nos reunimos hoje cedo no barracão para poder achar um bom posicionamento de desfile. A nossa preferência era desfilar do lado do Balança. Com certeza foi bom. Nós entedemos que era a melhor opção. O que não queríamos era encerrar o desfile. Quinta posição está de ótimo tamanho. Com relação ao viaduto, já estamos preparados. Nossos carros são equipados com um dispositivo que é só apertar um simples botão para elevar ou abaixar as esculturas. Do lado do Balança se tem mais espaço e segurança".

Francisco José Marins – presidente
"O resultado foi o melhor possível. Queríamos desfilar em terceiro ou quinto e acabamos dando essa sorte. No último carnaval falaram mmuita coisa da nossa ordem de desfile, mas nós gostamos muito dessa colocação. Está maravilhoso. Nós preferimos concentrar do lado do Balança. Apesar do viaduto, é muito melhor para montar a escola, o espaço é bem melhor, por isso troquei do sexto para o quinto lugar".

Beija-Flor
Fran-Sérgio – comissão de carnaval
"Achei muito bom. Quinto era ruim pra gente por causa do viaduto, mas em sexto eu gostei. Há uma pequena diferença em desfilar domingo, mas eu gostei. Desfilar pelo lado dos correios não é um problema, é bom para o tamanho das alegorias".

Nelsinho Abraão David – presidente
"Conversei com o meu tio Anísio e ele me falou que o mais importante é ganhar, não importa a posição de desfile. Está entregue a Deus. No ano passado, eu tirei exatamente aquilo que o Laíla tinha me pedido. O carnaval é na Avenida. Respeitando as co-irmãs, eu confio na Beija-Flor. Eu prefiro o lado dos correios. Fui no Paulo Vianna e ele preferiu não trocar, depois fui no Porto da Pedra e eles aceitaram numa boa".

Vila Isabel
Wilsinho – presidente
"Ser a última não tem problema algum. As escolas grandes acabaram ficando com as últimas posições. Desfilar depois da Beija-Flor é uma responsabilidade grande, mas o público vai estar na Sapucaí. A Vila Isabel é sempre muito aguardada. Vai estar de dia, mas com África e Rosa Magalhães tenho confiança. Antes do sorteio eu estava lembrando que a Vila no ano que subiu, em 2005, foi a sétima de domingo. Ninguém acreditava na escola e nós permanecemos no Grupo Especial, depois de onze anos que isso não acontecia. A Vila Isabel estará sempre preparada. Quem é bom é bom em qualquer lugar".

Junior Schall – diretor de carnaval
"Nós queríamos um pouco mais cedo, mas a Vila é uma escola de força e tradição. Acho que o maior incômodo é o fato de ter sete escolas. Nada contra a Renascer estar conosco. A Rosa é uma grande carnavalesca, a equipe é boa e nós vamos pensar uma metodologia de trabalho para tirar proveito do dia já claro. Quanto ao lado da concentração eu acho ótimo. Em 2011, nós fomos a quinta escola e driblamos o viaduto, a escola investiu para isso. Ás vezes não ter que a fazer a curva do lado dos Correios é benéfico. Nós ganhamos em montagem e afinamento das alegorias, além de ser melhor para armar a agremiação".

Segunda

São Clemente
Renatinho - presidente
"É diferente, mas será bom. A escola está feliz com isso. Na verdade, a gente é a oitava escola a desfilar, são 7 no domingo e depois disso nos vamos pra ver quem é quem. Eu gosto do Balança. Os 3 anos que conseguimos ser campões nossa concentração foi o balança, a gente já se prepara melhor ali. A única coisa chata é que minha quadra fica do lado dos correios".
União da Ilha
Ney Filardi - presidente
"Com toda humildade e respeito as co-irmãs independente de dia e posição é importante você ter um bom carnaval. Que desenvolva um carnaval um bom carnaval de fácil leitura, fácil entendimento e que você possa interagir com a avenida. A União da Ilha não poderia ser diferente, vamos manter a grande identidade dela sua grande característica que é alegria e irreverência. Tomara que o lado dos correios tenha o selo da sorte".
Salgueiro
Regina Celi - presidente
"No sorteio não teve lado negativo só positivo. A concentração também não interfere é só fazer o carnaval ao lado do balança porque tem o viaduto, apenas fazer o carnaval adequado para o balança nada mais".

Mangueira
Ivo Meirelles - presidente
"A Mangueira está gostando de desfilar pelo lado do correios, já se adaptou e aí seria uma readaptação se eu vou para o outro lado. Isso foi uma solicitação do presidente da Tijuca, ele gosta do Balança e casou. Estou muito satisfeito em desfilar na segunda".

Unidos da Tijuca
Fernando Horta - presidente
"Eu pedi ao presidente da Mangueira para trocar porque o Salgueiro e a Tijuca são escolas do mesmo bairro e por isso sempre tem um componente ou outro da escola que desfilam nas duas e com essa mudança o componente tem um espaço maior de tempo e eu quero ser a penúltima escola porque sei que a Grande Rio vem forte e quero estar no calcanhar dela. Desfilar entre a Mangueira e a Grande Rio é ótimo e deve ser mais preocupante para eles. Em 2010 quando chegamos o título a concentração foi no balança e eu sou um pouco supersticioso, a Tijuca dá sorte desfilando pelo lado do Balança".

Grande Rio
Helinho - presidente
"Excelente. A Grande Rio já fechou 2 carnavais me parece, mais aí estamos falando de alguns anos atrás, então eu hoje me sinto muito mais preparado de fechar o carnaval. A responsabilidade me causa uma satisfação e uma vontade de trabalhar maior ainda sabendo que serei a última e agora reunido com todos da escola vamos passar isso para a comunidade".

ANÁLISE DA ORDEM DOS DESFILES 2012

Foto: Ricardo Almeida
Ordem dos desfiles carnaval 2012

A Cidade do Samba estava lotada de convidados, representantes das escolas de samba do grupo especial para a torcida, sim, porque um bom dia e horário de desfile já conta algo no caminho do título. Todos eram unânimes em querer desfilar na segunda-feira, talvez pelo misticismo de que a campeã sai de segunda, ou talvez porque esse  domingo segue com sete agremiações e segunda-feira com seis.

No sorteio entre Unidos da Tijuca e Beija Flor a escola do Borel levou a melhor, e claro, preferiu a segunda-feira, a Estação Primeira de Mangueira que era par com a Portela, tirou um número baixo 4 no sorteio, mas a Portela tirou o número 3, o que deu o direito ao presidente da verde e rosa escolher seu dia, ele perguntou ao público presente o que a Velha Manga queria, claro, todos unânimes gritaram: segunda! O presidente Ivo Meirelles ainda disse ao presidente Nilo da Portela: "me desculpe presidente, mas eu já sabia que iamos tirar a bola maior, afinal hoje eu saí de casa de verde e rosa!".

Renascer de Jacarepaguá e São Clemente já estavam  definidas, como diz a regra.
A luta de abrir os desfiles, com um sambódromo vazio, frio e sem torcidas será um grande calvário que a Renascer terá de administrar, já a São Clemente abre a segunda-feira, o que não é tão ruim, uma vez que no dia anterior já teria passado sete escolas. A Portela será a segunda de domingo, horário não muito bom. A Beija Flor trocou com a Porto da Pedra, o que garante a Beija a concentração do lado dos Correios como eles gostam de desfilar, o mesmo aconteceu entre Mangueira e Tijuca que trocaram posições por preferências no lado da concentração.

Vila Isabel será a última agremiação de domingo, provavelmente desfilará à luz do dia, após seis escolas, um público cansado, mas provavelmente presente uma vez que a Beija Flor será a sexta deste dia, e a Vila tem lá sua torcida. A Vila não queria desfilar esse ano no domingo, mesmo sabendo que domingo dá sorte à escola de Noel. Mocidade será a quarta escola, bom horário. Imperatriz se livrou de ser mais uma vez a segunda de domingo, vai ser a terceira escola, desfila  após Portela.

A União da Ilha vibrou quando foi sorteada para ser a segunda escola da segunda-feira de carnaval, bom horário, bom dia, começa com o pé direito. Em seguida vem Salgueiro feliz da vida com a posição, e na segunda ainda vamos ter Mangueira, Tijuca e Grande Rio, encerrando dos desfiles de 2012 do grupo especial. Que dia!!!

Os comentário na Cidade do Samba era de que as escolas de segunda-feira estavam todas satisfeitas e felizes com o sorteio, ao contrário das agremiações de domingo que não pareciam muito satisfeitas. Misticismo à parte, eu já vi muita escola ser campeã desfilando á luz do dia, desfilando no domingo ou na segunda, enfim para quem desejar ser campeã não pode contar muito com essas prerrogativas, mas é claro que um pouquinho de sorte não faz mal a ninguém! 

É inegável que os desfiles de segunda-feira serão de escolas com apelo popular bem grande, e enredos bem interessantes, com grandes espetáculos, tudo o que o povo quer ver, afinal teremos a oportunidade de assistir no mesmo dia União da Ilha e Grande Rio (escolas que sofreram com o incêndio da Cidade do Samba, lembrando que a Ilha ganhou o Estandarte de Ouro de Melhor Escola 2011), o incrível Paulo Barros com a Tijuca de Luiz Gonzaga, um Salgueiro gigante que vai reparar estruturas para mostrar seus gigantismo e genialidade, uma Mangueira majestosa e mais forte do que nunca num enredo leve e audacioso, trazendo o Cacique de Ramos para a Sapucaí, vale ressaltar que Mangueira é sempre Mangueira! E ainda abrindo o dia uma São Clemente alegre e com vontade de ficar no grupo especial.

No domingo, a Porto da Pedra vai ter que suar muito na Sapucaí, desfila entre Mocidade e Beija Flor. Vamos aguardar a escolha dos sambas, para não serem tão penalizadas com o horário as primeiras escolas deveriam ter um samba enredo leve e de fácil compreensão, já ajudaria muito. E a Vila Isabel, não precisa de comentário, a Vila sabe fazer carnaval e tem uma grande torcida, que certamente vai aguarda-la o tempo que for preciso para impulsionar sua escola rumo ao título.

Axé Muito Axé às Escolas de Samba do Rio de Janeiro!


RAYMONDH JÚNIOR
twitter - raymondhjunior

quarta-feira, 6 de julho de 2011

DEFINIDA A ORDEM DOS DESFILES DAS ESCOLAS DE SAMBA 2012

Domingo

Renascer de Jacarepaguá

Portela

Imperatriz Leopoldinense

Mocidade Independente de Padre Miguel

Porto da Pedra

Beija Flor de Nilópolis

Unidos de Vila Isabel




Segunda-feira


São Clemente

União da Ilha do Governador

Salgueiro

Estação Primeira de Mangueira

Unidos da Tijuca

Grande Rio

segunda-feira, 4 de julho de 2011

SINOPSE DA RENASCER DE JACAREPAGUÁ 2012

A Renascer de Jacarepaguá, que vai levar a história de vida e as obras do artista plástico Romero Britto para a avenida em 2012, entregou a sinopse do enredo aos compositores na noite desta segunda-feira.

A escola vai estrear no Grupo Especial no próximo Carnaval.

Foto: Divulgação
Renascer de Jacarepaguá 2012


Confira a sinopse:


"O ARTISTA DA ALEGRIA DÁ O TOM NA FOLIA"

... No princípio criou Deus os céus e a terra.

E a Terra era sem forma e vazia...

E disse Deus: haja luz! E houve luz!
 
Gênesis Cap I,II e III
E de tudo que Deus criou, da luz surgiram as cores!
O G. R. E. S. Renascer de Jacarepaguá te convida a embarcar em uma colorida viagem pelo universo das obras de Romero Brito.
Uma viagem que não tem fronteiras, início, meio e fim. É como um conto de fadas que toca o coração, liberta a alma e concretiza nossos desejos.
A mente humana guarda sonhos, fantasias, loucuras e magias. É como uma abstrata máquina que subindo e descendo, girando para todos os lados carrega milhares de células que conferem ao homem dons divinais entre eles o poder de pensar e criar. E Deus deu a ele a genialidade na arte de brincar com formas sem formas. Na arte de transformar o insano em sano e de fazer surgir das mais fantásticas fantasias de sua mente, formas que encantaram o mundo inteiro. Mente e querida que não se rendeu a infância sofrida.
O Criador o fez assim: moleque, maneiro, faceiro e arretado. Em suas mãos o abstrato criou forma e as cores se transformaram na razão de sua vida!
Desembarcamos na história da arte ocidental, viajamos a barroca Itália do Mestre Caravaggio que retratava o aspecto mundano dos eventos bíblicos, usando o povo comum das ruas de Roma.
Ainda jovem, Romero recebeu de seu irmão, um jovem vendedor de  enciclopédias, um livro a respeito de Caravaggio, sequer havia ouvido falar do Mestre, mas se impressionou com a violência de sua obra. Sua infância pobre nas favelas de Recife, repletas de adversidades, poderia fazer de Romero o novo Caravaggio, o Caravaggio Tropical, dores e dificuldades não faltariam para retratar, Romero era na verdade uma dessas milhares de pessoas comuns que Caravaggio retratava em suas telas. Mas o que faz uma pessoa comum? As circunstâncias? O cenário de sua vida? Ao escolher seu estilo artístico, Romero nos apresenta uma grande lição de vida: não somos o que temos, somos o que guardamos dentro de nós. Somos o que podemos contribuir para um mundo melhor, das obras de Caravaggio teve a exata noção do que não queria retratar em suas obras, se poderia influenciar o mundo e as pessoas com uma obra feliz, serena e brilhante, por que iria compartilhar seus pesadelos?  
Ainda na Europa sua inspiração viaja para Espanha de Pablo Picasso, o artista das formas certamente é um traço reconhecido na obra de Romero. Picasso, o pai do cubismo no mundo é um marco em suas obras.
Dizem que a propaganda é alma do negócio, mas no fundo a propaganda é uma nave por onde uma obra navega e chega a muitos lugares. Quando um artista idealiza uma obra, ela se limita a um espectador, alegra uma única vida, altera uma única história. Uma obra que ilustra um produto, tem um poder de alcance inimaginável. As obras de Romero transmitem alegria e através dos inúmeros produtos mundiais que carregam os traços de Britto, esta arte isenta de ansiedade e medo rompeu fronteiras étnicas, sociais e religiosas alcançando um número incalculável de vidas e de histórias.
É o início do ciclo publicitário de sua carreira onde Romero descobre que o infinito é realmente intocável e sua obra abraça o mundo, chegando aos cinco continentes. Dezenas de trabalhos publicitários, selos para a ONU e esculturas que tiraram do artista o poder de perceber até onde pode chegar, embora tenha durante sua vida, criado sem a pretensão de voos distantes, pois criou com a alma e com a emoção de ver uma vida ou sorriso modificado. E neste aspecto, já é muito mais que um vencedor.
O mundo conhece Romero e ele esta ou esteve nos maiores circuitos artísticos mundial. Suas obras públicas ilustram várias cidades do mundo, inclusive sua doce e bela Miami. A cidade que abriu as portas para suas obras e reconhece seu brilhantismo em quase toda sua extensão territorial. Museus mundiais puderam apresentar a sua nação o encanto das telas e peças deste artista. Romero de Brito chega à Cidade Luz, ao Museu do Louvre em Paris, o mais visitado museu do mundo, onde nosso genuíno artista pôde se encontrar com o maiores Gênios das artes plásticas do mundo que até então, viviam apenas nas lembranças de sua infância.
Do alto do morro e de braços abertos o Corcovado recebe este artista que no maior espetáculo da terra conta as maravilhas deste gênio modernista. É a capital do samba que explode de felicidade e suas paisagens naturais vão ganhando as cores e a cara de Romero. O Rio de Janeiro recebe agora um olhar carinhoso de Britto e a cidade do samba da mulata e futebol aos poucos se rende.
Em 06 de outubro de 1963, quando o quarto exército invadia o Recife para uma luta armada contra a revolta dos camponeses, nascia Romero de Brito, um garoto pernambucano que aos 8 anos de idade chamava a atenção na escola onde estudava. Além de decorar cadernos com desenhos coloridíssimos, passava horas no quintal de sua casa criando. Sucatas, papelão e jornal serviam de suporte para suas pinturas. E ele adorava ganhar de presente livros de arte. "Eu ficava ali sentado e copiava mestres da pintura por dias e dias", lembra Romero Britto.
 
''Nasci com um dom, e quero dividir com todos''
 Britto criou obras que invocam o espírito de esperança e transmitem uma sensação de aconchego. Suas obras são chamadas, por colecionadores e admiradores, de "arte da cura". Sua arte contém cores vibrantes e composições ousadas, criando graciosos temas com elementos compostos do cubismo.
 Nesta Noite a passarela branca vai se colorir de alegria, a Renascer abre as portas da folia para contar a vida e arte de Romero de Brito esse mágico artista que aos 47 anos contribui para a formação artística de milhares de jovens e vem chegando de mansinho para encantar a Marquês de Sapucaí. Romero, que há mais de 20 anos mora em Miami é Made in Brazil e a Renascer que é Especial, apresenta seu carnaval: O ARTISTA DAS CORES DA O TOM DA FOLIA.

Carnavalesco: Edson Pereira
Pesquisa: Anderson Ferreira

OUÇA OS SAMBAS ENREDOS CONCORRENTES DA MANGUEIRA

Samba Enredo Mangueira 2012



Samba 61-A
http://www.oterminal.com.br/carnavalesco/detal_carnavalesco.php?car_id=494

Samba 63-A
http://www.oterminal.com.br/carnavalesco/detal_carnavalesco.php?car_id=460

Samba 64-A
http://www.oterminal.com.br/carnavalesco/detal_carnavalesco.php?car_id=501

Samba 65-A
http://www.oterminal.com.br/carnavalesco/detal_carnavalesco.php?car_id=465

Samba 66-A
http://www.oterminal.com.br/carnavalesco/detal_carnavalesco.php?car_id=493




Samba 81-B
http://www.oterminal.com.br/carnavalesco/detal_carnavalesco.php?car_id=462

Samba 82-B
http://www.oterminal.com.br/carnavalesco/detal_carnavalesco.php?car_id=464

Samba 83-B
http://www.oterminal.com.br/carnavalesco/detal_carnavalesco.php?car_id=488

Samba 85-B
http://www.oterminal.com.br/carnavalesco/detal_carnavalesco.php?car_id=454

Samba 86-B
http://www.oterminal.com.br/carnavalesco/detal_carnavalesco.php?car_id=482



Samba 81-C
http://www.oterminal.com.br/carnavalesco/detal_carnavalesco.php?car_id=463

Samba 85-C
http://www.oterminal.com.br/carnavalesco/detal_carnavalesco.php?car_id=476

Samba 86-C
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Samba 87-C
http://www.oterminal.com.br/carnavalesco/detal_carnavalesco.php?car_id=458

Samba 88-C
http://www.oterminal.com.br/carnavalesco/detal_carnavalesco.php?car_id=455




Samba 61-D
http://www.oterminal.com.br/carnavalesco/detal_carnavalesco.php?car_id=486

Samba 62-D
http://www.oterminal.com.br/carnavalesco/detal_carnavalesco.php?car_id=461

Samba 63-D
http://www.oterminal.com.br/carnavalesco/detal_carnavalesco.php?car_id=478

Samba 66-D
http://www.oterminal.com.br/carnavalesco/detal_carnavalesco.php?car_id=453

Samba 67-D
http://www.oterminal.com.br/carnavalesco/detal_carnavalesco.php?car_id=451




Samba 101-E
http://www.oterminal.com.br/carnavalesco/detal_carnavalesco.php?car_id=491

Samba 102-E
http://www.oterminal.com.br/carnavalesco/detal_carnavalesco.php?car_id=479

Samba 103-E
http://www.oterminal.com.br/carnavalesco/detal_carnavalesco.php?car_id=492

Samba 104-E
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Samba 105-E
http://www.oterminal.com.br/carnavalesco/detal_carnavalesco.php?car_id=487

Samba 106-E
http://www.oterminal.com.br/carnavalesco/detal_carnavalesco.php?car_id=500

Samba 107-E
http://www.oterminal.com.br/carnavalesco/detal_carnavalesco.php?car_id=449

O ENREDO E O NOSSO CANTO FORTE

Por Nilcemar Nogueira, colunista site SRZD.


No início dos desfiles das escolas de samba, os sambas cantados não se relacionavam com qualquer enredo. Parte do samba era fixa, cantada em coro pelas pastoras e em seguida o versador cantava em solo uma parte improvisada. Algumas pesquisas creditam aos anos 33 e 34 o registro de sambas relacionados a enredos.

Data deste período o enredo aparecendo como quesito de julgamento, embora não determinasse todos os elementos do desfile. Algumas escolas desfilavam com mais de um samba. Nos anos 40 o enredo vai amarrar propriamente dito, todos os elementos da escola. Do samba composto nos moldes clássicos (16 compassos) passando pelos apelidados de "lençóis", dos quais vale lembrar Aquarela Brasileira, que se tornou grande clássico do repertório do samba-enredo.

Nos anos 70, observa-se uma grande transformação no contexto do desfile carnavalesco e que atinge também a estrutura dos sambas, que aos poucos abandonaram a obrigatoriedade de descrever integralmente o enredo e se voltam para a composição de sambas com refrão, momento em que ocorre também o aceleramento rítmico, que afasta o samba-enredo de suas características musicais, ficando conhecidos por um período como marcheados" e nos últimos tempos "frevados".

Esse processo, cuja preocupação maior estava voltada para o comércio do Carnaval, levou ao empobrecimento desse gênero, que resultou na queda de venda dos CDs e declínio do respeito que tinha a figura do compositor nas escolas de samba.

É possível constatar nos primórdios da história do samba carioca, ser o compositor uma das principais referências - Cartola na Mangueira, Paulo da Portela, Silas de Oliveira no Império Serrano - personagens que tinham grande status perante suas comunidades e fora delas. No próximo dia 06 de julho será oficialmente lançado pela LIESA os enredos das escolas de samba do grupo especial, período em que as escolas iniciam o processo de seleção dos sambas que deverão embalar seus componentes, que esperamos favoreçam os desenhos rítmicos de suas baterias e a interpretação de seus intérpretes.

Se o critério subjetivo imposto ao julgador no dia do desfile não valoriza a inspiração dos compositores de samba-enredo, vamos torcer para que nas quadras (celeiros dos bambas) seja exaltada a arte, o poder criativo e musical dos sambistas. Quando o canto é forte, está garantida a emoção.

SEMINÁRIO PENSANDO O CARNAVAL

A partir desta segunda-feira, a Faculdades Integradas Hélio Alonso (FACHA) vai receber o I Seminário "Penando o Carnaval", que apresentará ideias e sugestões para que os desfiles das escolas de samba sejam cada vez mais aprimorados.

O evento acontece até o próximo sábado e vai contar com personalidades do Carnaval, convidados e jornalistas. Aqueles que participarem do seminário poderão obter o certificado, ao final.

Endereço: Facha - Rua Muniz Barreto 51, Botafogo, Zona Sul


Foto: Divulgação

Confira a programação do evento:

Dia 4 de julho

Abertura: Como pensar o Carnaval? - Horário: 14h até 17h
Participantes: Alberto João (CARNAVALESCO), Eugênio Leal (Rádio Tupi), Bruno Filippo (Instituto do Carnaval) e Fábio Fabato (Galeria do Samba). Mediador: Jornalista Leonardo Bruno (Jornal Extra/Expresso)

Gestão da escola de samba - Horário: 18h às 21h
Participantes: Fernando Horta (presidente da Unidos da Tijuca), Gusttavo Clarão (presidente da Viradouro), Déo Pessoa (presidente da Rocinha) e um representante do Departamento Cultural do Salgueiro. Mediador: Alberto João

Dia 5 de julho

Como julgar o quesito mestre-sala e porta-bandeira? - 14h às 18h
Participantes: Julinho (mestre-sala da Vila Isabel), Lucinha Nobre (porta-bandeira da Portela), Marquinhos (mestre-sala da Unidos da Tijuca) e Selminha Sorriso (porta-bandeira da Beija-Flor). Mediador: Leonardo Bruno

Como julgar harmonia, evolução e conjunto no carnaval? - Horário: 18h às 21h
Participantes: Laíla (Beija-Flor), Ricardo Fernandes (Unidos da Tijuca) e Wagner Araújo (Imperatriz). Mediador: Fábio Fabato

Dia 6 de julho (não haverá seminário - sorteio da ordem de desfile do Grupo Especial para o Carnaval 2012)

Dia 7 de julho

Como julgar o enredo de um desfile? - Horário: 14h às 17h
Participantes: Gustavo Melo (Salgueiro), Marcos Roza (Roteiro dos Desfiles), Julio Cesar Farias (Unidos da Tijuca), Milton Cunha e Maria Augusta.

Com julgar alegorias e adereços? - Horário: 18h às 21h
Participantes: Alexandre Louzada (Mocidade), Renato Lage (Salgueiro), Cid Carvalho (Mangueira). Mediador: Raphael Azevedo

Dia 8 de julho

Como julgar comissão de frente? Horário: 14h às 17h
Participantes: Hélio Bejani (Salgueiro), Carlinhos de Jesus (Beija-flor), Marcelo Missailidis (Vila Isabel), Jaime Arôxa (Mangueira). Mediador: Fábio Fabato

Como julgar o samba-enredo no desfile? Horário: 18h às 21h
Participantes: André Diniz (Vila Isabel), Cláudio Russo (Beija-Flor), Jeferson Lima (Imperatriz), David Corrêa (Portela e Salgueiro) e Dudu Botelho (Salgueiro). Mediador: Luis Carlos Magalhães

Dia 9 de julho

Como julgar uma bateria durante o desfile? Horário: 10h às 12h
Participantes: Mestre Odilon (Mocidade), Mestre Ciça (Grande Rio), Mestre Gilmar (Império Serrano) e Mestre Nilo Sérgio (Portela). Mediador: Eugênio Leal

Como julgar fantasias? Horário: 13h às 15h
Participantes: Paulo Menezes (Portela), Cahê Rodrigues (Grande Rio), Wagner Gonçalves (Inocentes), Severo Luzardo (Império da Tijuca), Rosa Magalhães (Vila Isabel) e Maria Augusta. Mediador: Alberto João

AROLDO MELODIA, SEGURA A MARIMBA!

Há três anos o mundo do samba perdia um dos maiores intérpretes da história. Aroldo Melodia, compositor e intérprete de samba-enredo, faleceu dia 2 de julho de 2008, de falência múltipla dos órgãos ocasionada por uma peneumonia.

Conheça um pouco de sua trajetória

Aroldo Forde ganhou o apelido de Aroldo Melodia, devido à sua afinação. Iniciou sua carreira em 1958, na União da Ilha, escola onde ficou por 36 anos. Foi muito importante para a história da agremiação, quando em 1974 a tricolor insulana subiu para o Grupo Especial com o samba "Lendas e Festas das Yabás".

Em 1977 a agremiação ficou em terceiro lugar com o antológico "Domingo", o que garantiu o prêmio Estandarte de Ouro como melhor samba-enredo e melhor escola. Aos gritos de "já ganhou" este desfile foi inesquecível e assim sempre será para os amantes do Carnaval.

No ano seguinte, levou a união ao quarto lugar com "O Amanhã", samba muito conhecido e cantado até hoje inclusive por outras escolas de samba, nos dias de ensaios de quadra.

Em 1982 ele cantou como ninguém o samba antológico "É hoje". A letra é uma das mais regravadas do mundo do samba. No ano de 1991, também na voz do mestre, com os versos "hoje eu vou tomar um porre, não me socorre, que eu tô feliz", a agremiação homenageou Didi, compositor que venceu 22 disputas de samba-enredo.

Foto: Acervo Pessoal
Aroldo Melodia

Cantou na Sapucaí em 1995, ano que foi sua despedida, o enredo Todo dia é dia de Índio, desenvolvido pelo carnavalesco Chico Spinoza.

Em 2003 foi homenageado pela escola de samba Lins Imperial, tornando-se enredo com "Segura a marimba, Aroldo Melodia vem aí!".
Aroldo nasceu em 1930, na Ilha do Governador, e morou lá toda sua vida. Teve sete filhos, entre eles, Ito Melodia, atual intérprete oficial da União da Ilha. Ito conversou com o site SRZD-Carnaval e contou da influência do pai em sua escolha profissional.

"Nós convivíamos muito juntos e o samba nos aproximou ainda mais. Por causa dele me aproximei ainda mais da União da Ilha, e esse amor só foi crescendo. Sou muito feliz e honrado por ser filho de quem eu sou. Não preciso que falem de mim. Só em falarem do meu pai fico imensamente feliz. Ele me faz muita falta mesmo. Vou seguir e dar continuidade ao trabalho que ele tanto gostava de fazer. Só de lembrar e lembrar dele fico arrepiado", disse emocionado.

O intérprete também relembrou o momento mais marcante de sua carreira, quando no ano de 2008 cantou a reedição do samba "É Hoje o dia", letra que também foi cantada na Sapucaí por seu pai, em 1982.

A escola insulana voltou ao Grupo Especial em 2009 com o enredo "Viajar é Preciso - Viagens extraordinárias através de Mundos conhecidos e desconhecidos", desenvolvido pelo carnavalesco Jack Vasconcelos e cantado por Ito.


Foto: Acervo Pessoal
Ito Melodia

Em 2012 a agremiação levará para avenida o enredo "De Londres ao Rio: Era uma vez...Uma ilha". O carnavalesco é Alex de Souxa. Ito aposta em um desfile de sucesso.

"Será um grande desfile. Nosso presidente Ney Filardi dá uma força maravilhosa e acredita na escola. Temos um carnavalesco fantástico, que entende muito e vai desenvolver um trabalho brilhante", concluiu.

Ito Melodia sempre que entra na Avenida, inicia o desfile com o mesmo grito conhecido de seu pai "Segura a Marimba". Aroldo certamente, acompanha orgulhoso!
 

TABELA DO SAMBAS CLASSIFICADOS MANGUEIRA

A Estação Primeira de Mangueira recebeu inscrições de 224 sambas para participar do concurso para o Carnaval 2012.
A verde e rosa inicia, neste sábado, a escolha do samba-enredo, na quadra. No domingo, a escolha será no Cacique de Ramos.

Sábado
Quadra: Rua Visconde de Niterói, 1072, Mangueira. Horário: 22h. Preço: 20

Domingo
Cacique de Ramos: Rua Uranos, 1326, Olaria. Horário: 14h. Grátis


SINOPSE DA PARAÍSO DO TUIUTÍ 2012

Foto: Divulgação
Paraíso do Tuiutí
Leia a sinopse da Paraíso do Tuiuti para o Carnaval 2012, apresentada nesta sexta-feira. A escola vai levar para a avenida o enredo sobre Clara Nunes.
Confira a sinopse:
A Tal Mineira

Dei um aperto de saudade no meu tamborim. Se nessa vida tudo passa, ela não passou. Minha musa, minha lira, minha doce inspiração, minha morena enfeitada de rosas e rendas. Abre o pano do passado. Mostre que seu encanto é uma coisa natural, pois seu sorriso de moça tem um mistério que bate no coração da gente e tem o dom de encantar.

Vocês querem saber quem ela é? Ela é a tal mineira...

No Cedro Pequenino, tecido interior das Gerais, a noite emprestou as estrelas bordadas de prata. O céu prateado deixou o sol vir dourar os cabelos da aurora num lindo alvorecer. Raiou. Resplandeceu. Iluminou. As violas enfeitadas de fitas da Folia de Reis entoam cantos de alegria e liberdade para anunciar que a estrela-guia vai romper. Alguém no povo vai nascer.

Deixa clarear, seu Mané Serrador, que dona Amélia está sentindo a luz de um santo! Trovador errante do reisado. Talhador da esperança que aparece desse canto bonito vindo da alvorada. Faça de nossa bandeira, seu divino manto! De nossa coroa reluzente, todo ouro sobre o azul na procissão do samba!

O nosso tempo de chorar vai se acabar. A minha gente não vai mais andar falando de lado e olhando pro chão. Iluminando os caminhos tão sem vida, o anjo moreno há de chegar aos corações.

O povo até pensou que já era feliz. Pra todo mundo pareceu que um ser de luz nasceu.

Clara mensageira da música. Ela não é de brincadeira. É continuação do poder da criação. Seu canto tem força de oração. Missão que desafia o poder da ciência para combater o mal. Para que o pranto se encerre.

Para que todas as pessoas se tornassem boas e tivessem paz, soltou seu canto da garganta e se transformou num sabiá. Parede de barro não iria prendê-la. Então, voou o sabiá e foi cantar pelos sete cantos a esperança de um mundo novo. Foi viver para cantar, e cantar para viver, sua sina verde-amarela como a bananeira.

Quando veio de Minas, trouxe amor como bagagem em um peito só. Cheio de promessa.

Sabiou sua voz de ouro na maravilha da aquarela que surgiu com a natureza sorrindo, tingindo. O céu abraçou a terra e deu vitalidade às flores. Cantou como é grande e bonita a natureza no florescer dos jardins a esbanjar poesia. Bamboleou em seu balaio os frutos da terra.

Rainha mãe do mato. Irmã da bandeira que, no resplendor da densa mata, se perdeu e se encontrou. Foi como flecha no mato bravio. Seu canto correu veredas e buritizais, do sertão à mata virgem, com o vento que rola nas palmas. Sua sede dos rios, beira-riachos, também nos fez ouvir o mar em revolta que canta na areia. Maré cheia que só serenou quando ela pisou na beira da praia.

Mãe gentil de todo o povo desta terra que, quando pode cantar, canta de dor. Foi índio guerreiro, quilombola de Palmares e Inconfidente mineiro contra a tirania do açoite. Entoou o canto das três raças que ecoou pelo Brasil mestiço, santuário da fé.

Pediu benção à Mãe África. Mãe preta que nos amamentou no som que a todo povo embala. Batuques vindos do tempo da senzala. De quando o negro chegava fechado em gaiola, trazido por navios negreiros, do solo africano para o torrão brasileiro.

Amarrou os chocalhos na canela no fuzuê do jogo de Angola. Se embolou no tambor de Luanda, no maculelê, no lundu, no jongo e no caxambu. No maracatu, fez louvação à rainha festa para os reis negros Ilu Ayê.

Personificou o misticismo sob as bênçãos do Bonfim. Trouxe coisas da Bahia nas canções que cantou com seus penduricalhos e balangandãs. No rufar dos tambores nos deu de seu axé. Ressoaram sua fé ao pai maior em pontos de umbanda de Oxalá e nos rituais de candomblé.

Foi deusa dos orixás. Mineira-sereia da coroa de areia, da areia de ouro, que tocou o agogô de afoxé. Dançou Ijexá saravado no gongá do povo de Zambi. Senhora das candeias, sua música é magia de um banho de manjericão vindo de lá da Aruanda de Sindorerê. Curimba de filha de Ogum com Iansã.

Ouviu a encantaria dos batuques que vieram de longe, soprado do alto dos morros. Ê favela... És o berço do samba. Quanto tempo importante ela passou por aí. Mangueira, celeiro de bambas. Serrinha, império do samba...

Deusa do samba. Do samba verdadeiro, sem cambalacho. Samba-que-samba no bole-que-bole. Que rebola no balacobaco dos bambambães. Samba rasgado. Samba dolente de sambista que vive eternamente no coração da gente.

Quando sambou, o frio sentiu seu calor e o samba se esquentou. Quebrou o salto da sandália no clube do samba. Chorou de alegria nos chorinhos. Sorriu de nostalgia nas marchas-rancho. Entre palhaços e pierrôs, sempre foi a preferida.

Imortalizou sambas de enredo de tantos pavilhões, de tantas cores. E nunca vimos coisa mais bela quando ela pisava a passarela, sob as asas da águia altaneira, desfilando na avenida de azul e branco. Não há e nem pode haver visão igual. Majestosa dona do carnaval.

Seu grito raro, sua voz potente, é um farol guiado ao alento do trabalhador. Revela a leveza de um povo sofrido, de rara beleza, que vive cantando. Povo de profunda grandeza em sua força de expressão.

O amor intransigente pelo canto cantado dos versos mais puros, valentes e seguros, dos filhos do mundo. Dos sem eira nem beira. Dos que o sapato já furou e a roupa já rasgou. Dos que falam pouco e acertado, mas se fazem compreender. Do sertanejo e seus segredos de quem não teve o prazer de aprender a ler. Dos retirantes viajados num pau-de-arara que só traziam a coragem e a cara.

Cantou o pescador sem medo. Os pregoeiros, as feiras e as humildes vendinhas nos cantos das ruas. O sanfoneiro da gota serena que, num forró da muléstia, fazia floreio pra gente dançar o coco rodado.

As quituteiras com seus bolos de milho, broas, cocadas, rapaduras e pés-de-moleque. Suas panelas de barro que, guisando uma galinha à cabidela, nos convidam para um peixe com coco regado a muita pinga danada vinda do alambique. Iguarias de fazer qualquer cristão afrouxar a correia.

Valorizou a simplicidade generosa de uma gente tão honesta que, sempre em um clima de festa nas suas casinhas modestas, lembravam os tempos de criança da cidadezinha onde nasceu.

Mineira guerreira que cantou o guerreiro.

Ao ir embora deste mundo de ilusão, foi morar no infinito pra virar constelação. Repousar nas maravilhas diferentes. Par além do luar onde moram as estrelas. Quem te viu sorrir não há de te ver chorar. Mas és imortal. Teu canto ecoa noite e dia. É voz geral.

Está vendo só o jeito que tudo ficou por causa de você? As coisas mais simples que você tocou acenderam o coração do povo. Sua memória é preservada ma singeleza acolhedora de Caetanópolis, no seio fraterno de Mariquita. E o povo continua na rua cantando. Como fiéis, feito uma reza, um ritual, te homenageando e te escolhendo como a preferida. São todos seus filhos neste mundo, ouvindo e entoando seus ensinamentos. Por causa de você, clara claridade em nossas almas, o amor será eterno novamente.

Carnavalesco Jack Vasconcelos

domingo, 3 de julho de 2011

MANGUEIRA VOLTA A TER CREDIBILIDADE NA DISPUTA DE SAMBA

Mangueira 2012

Um dos ícones da tradição do samba, a Estação Primeira de Mangueira, sob a administração de Ivo Meirelles, vem inovando num momento considerado por muitos o mais importante na preparação de um desfile: a escolha do samba. Não é novidade para mais ninguém que o dirigente mangueirense aboliu algumas regras na disputa de samba-enredo da escola que, em sua visão, acabavam não colaborando na hora de escolher o hino da agremiação. Fato é que, mesmo após escolhas criticadas inicialmente pela grande maioria, a Mangueira, desde que Ivo adotou as novas medidas, vem fazendo com que seus sambas rendam bem mais na Marquês de Sapucaí.

A queda da obrigatoriedade do pagamento de uma taxa de R$ 200 e a abertura para quem não é compositor da escola na disputa são apenas algumas medidas do pacote, que tem como principal ponto o fato de os sambas não serem mais assinados pelas parcerias. Os compositores da obra vencedora só são conhecidos após a final. A medida visa acabar com o chamado ‘selo de qualidade’, já que alguns compositores que já venceram muitas vezes, não só na Mangueira, mas em outras escolas, acabavam entrando como favoritos na disputa. E isso, muitas vezes, já influenciou na decisão final.

Neste sábado, a Mangueira deu o pontapé inicial na disputa de samba-enredo, que pelo terceiro ano consecutivo será disputada nos mesmos moldes. Dos mais de 200 sambas inscritos inicialmente, apenas 38 sobreviveram à primeira audição. Eles foram divididos em cinco chaves e a primeira delas, a chave A, já teve dois sambas cortados na madrugada deste sábado. Os compositores dos sambas 62-A e 67-A terão que tentar novamente no ano que vem. Já as parcerias das obras 61-A, 64-A, 63-A, 66-A e 65-A, que tiveram destaque na noite, continuam na disputa.

As eliminatórias acontecerão nos dois locais: quadra da Mangueira e Cacique de Ramos, sempre aos sábados e domingos respectivamente. Ivo Meirelles esteve presente no Palácio do Samba nesta noite e falou à imprensa carnavalesca.

- Há muito tempo eu gostaria de ver isso acontecer aqui dentro da Mangueira. Minha intenção é fazer uma disputa de samba justa, com igualdade de condições. O que está sendo avaliado é o melhor samba. E não aquele que traz mais torcida. Peço a Deus que me dê sabedoria para escolher bem o samba e nos ajudar novamente -  afirmou Ivo.

Autor de um dos maiores sambas da história da escola, "Caymmi mostra ao mundo o que a Bahia e a Mangueira têm", de 1986, Ivo Meireles lembra que o trabalho vem rendendo frutos.

- Tirem suas próprias conclusões. Basta ver o que o samba da Mangueira rendeu na Avenida nos últimos dois anos. Eu conheço aquilo que eu faço. Escolho obras com a cara da Mangueira. Não sou paneleiro e nem estou aqui para agradar a ou b. Quero o melhor para a minha escola. Tem gente da minha diretoria que me disse que nem vai torcer pra samba nenhum ganhar para não se decepcionar depois. No ano passado falaram muita bobagem depois da final de samba-enredo e na Avenida vimos o que aconteceu. Acho que a disputa de samba na Mangueira voltou a ter credibilidade. Espero ser feliz na escolha novamente.

O samba com que a Verde e Rosa buscará o 19º título de sua história será conhecido na final marcada para o dia 8 de outubro. O enredo da escola para o Carnaval 2012 é "Vou festejar! Sou Cacique, sou Mangueira" e será desenvolvido pelo carnavalesco Cid Carvalho.

SINOPSE DO IMPÉRIO SERRANO 2012


Foto: Divulgação
Dona Ivone Lara

Grandes emoções esperam pelo público no sábado de Carnaval do Grupo de Acesso A quando a Sapucaí assistir ao desfile do Império Serrano que homenageará a cantora e compositora D. Ivone Lara. 

Na sinpose do enredo entregue esta semana pelo carnavalesco Mauro Quintaes, está registrada a intenção da escola de Madureira frisada, entre outras palavras, no desejo de ver "sonhos trançados nas teias do tempo, percorrendo as trilhas do que se chama destino".

Aprecie o texto na íntegra:


DONA IVONE LARA: O ENREDO DO MEU SAMBA

Serra... dos meus sonhos dourados. É de lá que desce o cortejo verde e branco a ondular pela Avenida ao som da mais vibrante sinfonia percussiva. Marcação que evoca a ancestralidade de uma dinastia formada por nobres de alta linhagem africana. Um reino construído em muitas formas de arte. Entre elas, o jongo, o samba e o carnaval.

São cânticos, danças e vozes que se levantam altivas num ritual de consagração no grande terreiro da Avenida, onde a cada desfile são renovados os laços de fé e devoção dos seus súditos.

É o Império na Sapucaí, que exalta sua própria essência, personificada por Dona Ivone Lara. Enredo do Meu Samba, que nasce de uma história marcada por melodias, amores e sonhos trançados nas teias do tempo, percorrendo as trilhas do que se chama destino.

Dois caminhos, uma só paixão: a música!

("Dona Ivone é um sonho meu, um sonho seu, nosso melhor sonho, pois ela é real!" - Zélia Duncan)

Em casa, a pequena Yvonne da Silva Lara ainda não era Dona, nem seu nome era grafado "Ivone", como ficaria conhecida tempos depois. Mas já trazia na veia o sangue musical herdado da mãe, pastora do rancho Flor do Abacate, e do pai, exímio violão de sete cordas e integrante do bloco Os Africanos. Uma família de muitos talentos. Um dos seus primos era ninguém menos que Antônio dos Santos. Não conhece? Mas se o chamarmos de Mestre Fuleiro, você há de lembrar...
E foi com ele que surgiu uma canção soprada das asas de "Tiê", pássaro que abriu os caminhos da menina para compor. A evocação do "Tiê" vinha acompanhada da sonora repreensão "Oia lá, oxá", que tanto ouvia da avó. E assim, ao beber na rica fonte que minava na própria casa, nasceu a primeira obra, misto de música infantil com levada de terreiro.

Enquanto a casa pulsava musicalidade, o colégio interno em que estudava na Tijuca oferecia à jovem Yvonne a formação teórica por meio das aulas de canto orfeônico, coro formado por vozes afinadas. Entre as alunas, estava a contralto Yvonne, que não demorou muito a chamar a atenção da professora e maestrina dona Lucília, mulher de ninguém menos que Heitor Villa-Lobos. E foi sob a regência do Maestro que a jovem estudante se destacou em um encontro de corais, evento que reuniu orfeões de vários colégios do Rio de Janeiro. E que a levou a se apresentar no Orfeão dos Apiacás, na Rádio Tupi.

São episódios que marcam o reconhecimento ao talento da menina que despontava para a formação em teoria musical. A vocação cultivada em casa era lapidada na escola. A união do erudito com o popular, da formação com a intuição, seria fundamental para forjar o traço melódico da futura cantora e compositora.

A vida foi em frente...

("Quem é mesmo da Serrinha / Trata o samba com respeito / Traz as cores verde e branco / Do lado esquerdo do peito" - Carlinhos Bem-Te-Vi)

Enfermeira, dona de casa, mãe e esposa exemplar, Yvonne Lara tentava conciliar mundos às vezes excludentes: a vida doméstica e profissional com as inspirações melódicas que teimavam em acompanhá-la. E o samba...

...ah, o samba!! Esse danado que mexe o corpo da gente, raiz do carnaval que em 1947 viu nascer um novo capítulo com a criação de um majestoso Império de bambas. Mas compor samba não era coisa de mulher. E ao lado do "Apito de Ouro", nosso Mestre Fuleiro, primo e diretor de harmonia da nova escola, surgiram obras apreciadas tanto pela alta linhagem imperial como pelos sambistas das demais escolas. Dona Yvonne já era respeitada, mesmo sem assinar muitas de suas composições. Foi por isso que em 1961, viveu um momento inesquecível ao desfilar como crooner da ala de compositores, embora dela não fizesse parte oficialmente.

Até que veio o carnaval do Quarto Centenário do Rio de Janeiro. Era um momento especial na história da cidade. As escolas deveriam apresentar temas cuidadosamente escolhidos para celebrar a data. E assim surgiu Os Cinco Bailes da História do Rio. Algo acontecia na Corte Imperial, prenúncio de uma revolução. Ao lado do mestre Silas de Oliveira e Bacalhau, Yvonne assinou o samba e entrou para a história. Mais do que isso: conquistou a quadra verde e branca, encantou pastoras, emocionou os componentes. E sagrou-se a primeira mulher a vencer uma disputa de samba-enredo na história do carnaval carioca.Na Avenida, o Império bailou ao som de uma melodia cheia de nuances e lará-iás. Surgia com brilho raro uma das obras-primas do gênero samba-enredo. E a estrela da cantora e compositora iluminou muito mais que a própria corte da qual já era rainha.

Nos Palcos da Vida

("Dona Ivone respira música. Se ela estiver num canto, paradinha, pensando, pode saber que tem música aí". Bruno Castro - compositor e parceiro)

A repercussão da vitória de 1965 foi grande. Porém conciliar trabalho, família e carreira não era nada fácil. Mas com jeitinho e jogo de cintura, Yvonne foi se transformando em Dona Ivone Lara. A pequena mudança na grafia era uma forma de simplificar o nome para o grande público. O "Dona" incorporado ao nome era uma pista do que viria a ser e de certa forma já era: Diva. Senhora do Samba. Dona da Melodia. Dama. Rainha.

Foi nos palcos da vida que Dona Ivone Lara ergueu os braços ao estrelato. A postura diante do público, o cuidado com a aparência e o respeito à plateia foram lições que ela aprendeu com as cantoras do rádio, que tanto admirava. Sob os refletores, ela reinava. Dançando jongo e cantando seus sambas, o público ia ao delírio.

São tantas noites inesquecíveis, como as do Show Opinião, que sacudia as segundas-feiras da Zona Sul carioca! Foi ali que a cantora e compositora se juntou aos bambas da Música Popular Brasileira. Naquele palco, estava em casa. E em ótima companhia.

Liberdade. Sonho. Amor. Às vezes tristeza, melancolia. Mas, sobretudo, verdade. Temas que Dona Ivone Lara canta até hoje nos palcos mundo afora, celebrando os sentimentos e os sentidos de nascer, crescer e amar. Amar à arte como a si mesmo. Traduzir em canção um "Sonho Meu", um "Alvorecer" que leva as dores da noite e traz a esperança de um novo dia. Revelar o que tem dentro de si e compartilhar emoções com o público que a abraça em forma de aplauso.

E a baiana se glorificou...

("Lavando a nossa alma / Com a mais fina inspiração / Meu samba te pega na palma / E beija a tua mão" - Nei Lopes)

Mas a presença de Dona Ivone também está marcada no maior palco do artista popular. Esse lugar é a Avenida. Templo de tantos sonhos de carnaval...

As raízes negras que se ramificaram pelas diversas escolas de samba no Brasil têm na ala de baianas um relicário sagrado que remete aos laços reais com o matriarcado ancestral. Para Dona Ivone Lara, a ala da Cidade Alta - as baianas imperiais - é o fundamento mais vivo de uma escola marcada pela resistência, pela luta, pelo trabalho coletivo e pela arte.

Afinal, a ala era formada pelas mulheres dos estivadores, que não poupavam recursos para que suas damas saíssem muito bem vestidas no carnaval. Até hoje elas mantêm o legado das tradições de um Império sonhado com tanta luta e que transforma a fantasia na mais bela realidade a cada desfile.

E foi como destaque da ala da Cidade Alta que Dona Ivone tantas vezes pisou a Avenida... Usou os mais diversos tons de verde e branco. Vestiu-se também de ouro. Foi matriarca absoluta na Igreja do Bonfim, em 1983, como a Mãe Baiana Mãe de toda a nação imperial.

E o sorriso negro que tantas vezes iluminou a escola na celebração maior da arte do carnaval vem novamente cruzar a passarela. Desta vez, Dona Ivone Lara é a inspiração e a razão pela qual canta a nossa gente.

No Enredo do Meu Samba, a corte de tantas glórias no reino das escolas de samba veste o manto sagrado bordado em fantasia para louvar a sua rainha. A escola que viu nascer, hoje abre alas para exaltá-la como a grande dama, pioneira, artista, cantora, e, sobretudo, imperiana.

É a nossa verdade e nossa raiz, a devoção pela arte e pela beleza que nos une nesse maravilhoso Império de sonhos.


Salve Dona Ivone Lara!!
Mauro Quintaes