quarta-feira, 19 de agosto de 2015

O samba da mais alta patente

Squel, Nelson Sargento, Raphael e Evelyn Bastos
Samba é memória. O sambista, mesmo que tenha 14 anos, tem saudade do passado, que às vezes nem viveu, e é por isso que o samba nunca morrerá. Pode ser um passado de glórias, um passado de lutas, um passado de amores, um passado fingido no qual ele acredita. O negócio é lembrar e fazer samba.

A memória de Nelson Sargento, aos 90 anos, é daquelas que se diz: prodigiosa. Recorda que, de tamborim na mão, calça e tênis brancos, camisa azul de jérsei e cartolinha de feltro, descia, moleque franzino, as ladeiras do Morro do Salgueiro, para brincar o Carnaval da Rua Dona Zulmira - território de Nelson por excelência onde corriam soltas as batalhas de confete, em meio às fantasias de colombina, pierrô, arlequim e outras vestes e cores das perdidas ilusões.

Foi aos 11 anos que chegou em Mangueira, para viver com a mãe ao lado do fadista (depois sambista) Alfredo Português, em cujo barraco havia animadas reuniões regadas com carne moqueada e cerveja casco escuro, da qual participavam Cartola, Carlos Cachaça, Nelson Cavaquinho, Geraldo Pereira, Aloísio Dias (com quem aprendeu a tocar violão).

Ali afinou não só o instrumento como também um extraordinário ouvido musical. Ele era o "gravador" da turma, permitindo que muitos sambas daquela época pioneira não caíssem no esquecimento. Só de Cartola, "salvou" três aos quais acrescentou uma segunda parte: "Deixa", "Ciúme doentio" e "Vim lhe pedir".

Nelson Mattos, Sargento apenas no apelido, compositor nato, registrou seu nome na história da gloriosa Estação Primeira de Mangueira com o lendário "Cântico à natureza" de 1955, considerado um dos maiores sambas de enredo de todos os tempos e ainda em 1965 o show "Rosa de Ouro".

Nelson, o Sargento, ainda trabalhou como ator em filmes de Cacá Diegues e Walter Salles, é também um frasista de mão cheia: "O maior inimigo do pobre é o pobre". Peço licença a este grande mestre para acrescentar à estas mal traçadas linhas uma faceta artística que pouca gente tem conhecimento: Nelson Sargento é um vibrante escritor de contos eróticos sem tons de cinza.

Aos 90 anos,  ainda, a Estação Primeira de Mangueira, para além das discussões e torcidas, recebeu  de seu Presidente de Honra, uma bela composição que disputa entre as demais a possibilidade de se tornar o hino da Verde e Rosa nesta justa homenagem que a cantora Maria Bethânia em 2016, retrato e certeza de que "o samba agoniza mais não morre..."

terça-feira, 18 de agosto de 2015

A Imperatriz de Zé Catimba

Zé Catimba
Interessante como o samba afugenta qualquer tipo de energia negativa. Quando ao anúncio do enredo que a Imperatriz Leopoldinense vai levar para a avenida em 2016, curiosos das redes sociais, bombaram seus perfis com notícias de um descalabro por conta da decisão de homenagear a dupla sertaneja Zezé Di Camargo e Luciano, o que defendia à época era aguardar a sinopse e saber o que o carnavalesco pensava sobre a ideia, achei que a vida do sertanejo seria retratada, o que logo se confirmou pós-sinopse, e diga-se, que sinopse!

Para além de gostar ou não do gênero musical que a dupla homenageada representa, no meu caso não gosto, é preciso que se registre que este é o gênero que mais vende cd's neste país, uma legião de seguidores e apaixonados pela música que tem cara de um Brasil de interior sempre merecerá  respeito e atenção.

A sinopse apresentada pela agremiação possibilitou que seus poetas ousassem e abandonassem a ideia do óbvio, para triunfar sob as surpresas de uma grande safra de sambas vinda das terras de Ramos. Liderada pelo belo e completo samba de Zé Catimba, que repete o sucesso de seu samba quando disputava ainda em 2014, três parcerias despontam como favoritas, com uma vantagem representativa em termos de qualidade e crítica ao samba de Zé, que traz uma mensagem sertaneja muito bem cadenciada e promove indícios de uma bela apresentação de sua comunidade na sagrada Marques de Sapucaí, a avenida é claro, e não o enredo da co-irmã nilopolitana.

Estas mal traçadas linhas, não representam a defesa de uma obra em particular, até porque a safra me permite ouvir tantas vezes, tantos outros sambas, trata-se da importância que o samba tem em resgatar e defender enredos dignamente, mas tudo, como sempre digo, começa com uma boa sinopse. "Doutores do Samba", aprendam a desenvolver suas sinopses, para que a genialidade de nossos poetas possa nos encher o coração de alegria e orgulho em ser sambista.

Vamos Imperatriz!
Enredo Imperatriz 2016

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

E o samba voltou para o Borel...

Quadra Unidos da Tijuca
É triste ver uma agremiação se afastando do que move sua existência: o samba. A Unidos da Tijuca, embora nos últimos anos tenha encontrado o caminho da vitória, em desfiles extremamente competitivos, dando marcha a um novo conceito de se fazer carnaval neste país sob a batuta do genial Paulo Barros, passou a desprezar a qualidade de seus sambas. Isto posto, poderia elencar aqui diversos motivos pelos quais obras de gosto duvidoso passaram pela avenida recentemente ao som quente de gargantas afinadas vindas das bandas do Borel, mas não é isso que importa neste momento, o bom mesmo é  que o samba voltou.

Com um enredo  duvidoso, ao menos quanto a sua criatividade, a Tijuca conseguiu desenvolver uma sinopse clara e eloquente quanto ao que deseja mostrar na Sapucaí, o que não o fez com o tal  chocolate suíço meio amargo, recuperou a vontade de seus poetas de buscarem inspiração e requinte para suas obras.

O que vejo hoje na Tijuca é nada menos do que no mínimo a melhor safra de sambas de seus últimos 15 anos, obras como de parceria de Gustavinho, Manfredini e Dudu Nobre se destacam em qualidade, poesia nostálgica que há muito sentia falta por lá, parece que o pavão está emplumado.

É bom que se recorde, que durante esta seca sofrida pela escola neste quesito, com algumas obras que até cumpriram seu papel de cantar o enredo, mas nada além disso, seu torcedor começou a utilizar um discurso de que não precisava de samba bom, muito incentivado por seu presidente, o tal português que nem sempre consegue unir sensatez com talento administrativo (que tem de sobra), mas hoje, graças aos deuses do samba, o tijucano recuperou sua auto estima de sambista nato que é, e abandou esta teoria medíocre, e talvez, tenha lembrado de sua história em defesa do samba.

Como aquele lendário "Agudás", a escola reacendeu a chama do samba em 'amarelo-ouro e azul pavão', retornando ao lugar de onde nunca deveria ter se afastado. E que boa receita, oras, uma escola de bom enredo, estruturada, finanças saneadas, quesitos muito bem organizados, e agora com o samba voltando para sua casa.


O SONHO CONTINUA

O dia vai chegar
Nem vou tentar conter a emoção
Vou me esconder pra ver comemorar
Aquele mais humilde folião

Hei de lembrar então
Do baluarte que já nos deixou
E a ele vou erguer meu pavilhão
Amarelo-ouro e azul pavão

Nas cinzas da quarta-feira que não vai acabar
Gira a porta-bandeira
O Morro desce a cantar
Chora a velha baiana
Couro manchado em vermelho
Na raça tijucana
O amor mais puto e verdadeiro

Tijuca!
Faz esse meu sonho acontecer
Desfila teu canto de amor e luta
Chegou a nossa hora de vencer!

(Samba exaltação, Júlio Alves)


Vamos Tijuca!

Foto: Ricardo Almeida



quinta-feira, 11 de junho de 2015

E sobre a troca de posição entre União da Ilha e Tijuca...

União da Ilha 2016

É bom começar essa reflexão lembrando quem é o Senhor Ney Filardi, presidente do G.R.E.S. União da Ilha do Governador, um sujeito que encontrou sua agremiação no grupo de acesso, e com trabalho sério trouxe de volta à elite do carnaval carioca uma das mais simpáticas agremiações do país.

O Ney, com sua Ilha, desde que chegou impôs um trabalho refinado e competente no trato à gestão administrativa sempre com um olhar criterioso para desenvolver os carnavais da insulana. Em seu desfile de volta, com Rosa Magalhães, a escola quebrou uma "tal corrente" que vinha sendo construída, "de que escola que sobe do acesso não permanece no especial". Com o pedido de demissão da Professora Rosa, a escola recebeu o talentoso Alex de Souza, com sucessivos investimentos, tanto em estrutura, modernização de seu barracão e contratação de bons profissionais, a Ilha é hoje, sem dúvidas uma escola competitiva neste cenário de gigantes que se tornou o atual grupo especial.

Vi nestes anos de Ney Filardi, uma escola guerreira, que de tudo fez até aqui em busca não apenas de se manter no grupo, mas de resgatar sua essência e marcar seu nome na história. Estou aqui falando de um presidente sério e trabalhador.

Ao episódio que chocou o mundo do samba, quando, durante o sorteio da ordem dos desfiles a União da Ilha conquistou o direito de fechar os desfiles de domingo e surpreendentemente trocou esta privilegiada posição com a Unidos da Tijuca que desfilaria na segunda pior posição deste dia, é bom que se mantenha o respeito a este homem de caráter. Concordar ou não com a atitude do presidente, faz parte da democracia e liberdade de pensamente, mas é preciso ter coerência e responsabilidade nas críticas, porque estamos julgando um Senhor que resgatou os bons carnavais para esta escola, que devolveu o direito do torcedor insulano de voltar a sonhar; estamos nos referindo a um homem correto com sua agremiação, que durante seu mandato jamais nos apresentou qualquer indício de corrupção, ou qualquer outro ato ilícito a condução do cargo que exerce, um homem que tem história, tem família, não construiu sua imagem ao sabor da sorte, e sim fruto de árduo trabalho.

Este blogueiro, como a grande maioria, discorda da decisão do presidente Ney Filardi, mas clamo ao mundo do samba que pratique coerência e respeito a este Senhor. Acredito que faltou coragem ao presidente para manter a escola na posição sorteada, a União da Ilha do Governador é muito, mas muito maior do que, talvez por um segundo, o presidente tenha pensado, com uma torcida extremamente mais apaixonada do que a torcida tijucana, superior em número e história, com o aporte financeiro que receberá neste enredo, e o trabalho sério que realiza, eu não tenho dúvidas de que tinha todas condições para fechar o domingo de carnaval. Aliás, o carnaval carioca precisa muito de renovação de dados, renovação de quem ganha títulos, de quem é privilegiada, de quem abre e fecha carnaval, infelizmente a Ilha jogou nesta chance ímpar no lixo, simples assim.

O presidente não quis fechar os desfiles, comunicou aos presidentes Farid e Horta este sentimento, para os desinformados, Ney mantém uma relação de amizade com os dois, o que o fez ofertar sua rejeitada posição, como houve interesse de ambas as partes, propôs-se um "par ou impar" e Fernanda Horta levou a melhor, nada mais do que isto aconteceu naquela noite. Gostem ou não, aprovem ou desaprovem, façam suas reclamações, gritem, julguem, mas, por favor, não sujem a vida de homem correto, com boatos de que houve movimentação financeira para a referida troca. União da Ilha, e toda esta diretoria merecem este respeito vinda do mundo do samba.

Concluo me juntando aos que acreditam que a troca de posição, embora atrapalhe e muito o desfile, não sepulta a escola, não a condena ao rebaixamento, apenas dificulta sua condição em comparação às demais agremiações que desfilarão com uma Sapucaí com público elevado, mais quente, que poderão analisar defeitos e problemas cometidos por que desfilou antes, nada mais.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

E a sorte voltando a sorrir para a Estação Primeira de Mangueira

Ordem dos desfiles 
Sorte talvez defina muitos resultados no carnaval moderno, a falta dela já tirou escolas da disputa e jogou outras no grupo de acesso. Desfilar com chuva é falta de sorte! Uma alegoria que foi exaustivamente testada e no dia do desfile apaga todo seu sistema luminotécnico, gozou da falta de sorte! Uma escola que não estava no páreo, mas vê suas concorrentes cometeram erros em seus desfiles, está com sorte! 

E é neste mundo de sorte e falta dela, que a Velha Manga parece está virando o jogo a seu favor. Para além de seus problemas financeiros, esta é uma escola de samba que aprendeu muito cedo a fazer carnaval com paixão e samba no pé, com uma comunidade singular, sempre que foi possível fez seu chão valer títulos e boas posições na história.

Depois da frustrada "Festança Brasileira" e do caótico e deprimente enredo que tentou homenagear as mulheres  mangueirenses/brasileiras, a  escola da saudosa Dona Neuma volta a respirar um ar mais agradável. Sorte e ousadia, talvez tenha sido o presidente Chiquinho  ter optado pela energia e talento do ainda jovem carnavalesco revelação do último carnaval, Leandro Vieira.

 Sorte? Este carnavalesco propor um enredo em que está sendo possível fazer as pazes com a grande mídia, em abrir portas comerciais que outrora estiveram lacradas para a Mangueira, em poder retomar a atenção no mundo do samba para a Verde e Rosa, em resgatar nossa confiança de dias melhores e um carnaval digno da história que presta a Estação Primeira. Sorte é a homenageada ser mangueirense e aceitar o gracioso convite desta administração.

Ainda no caminho da sorte, o mangueirense foi para o sorteio da ordem dos desfiles, um tanto apreensivo, com aquele fantasma do domingo de carnaval ainda assombrando os sonhos de brilhar na Sapucaí. E comparando sorte com a falta dela, me recordei que em 2014 as bolas que foram para as mãos do ilustre mangueirense foram 1 e 2, a sorte realmente não queria aportar em Mangueira, mas com os ventos de Oyá soprando a favor, as bolinhas  que agora desceram cantaram o oposto: 10 e 6, não dando chances para que se alimentasse outro pensamento de que está marcado que é a Velha Manga de guerras louváveis  em defesa do samba, que encerrará os desfiles de 2016 ao som da bateria Tem Que Respeitar Meu Tamborim, embalada pelo intérprete Estandarte de Ouro, Luizito, e ao pavilhão sagrado os cuidados no casal também Estandarte, Squel e Raphael. Também é sorte que a Rainha Evelyn Bastos continue seu reinado majestosamente! Sorte ainda, poder acreditar num coreógrafo que tem sido sensação no quesito comissão de frente, ao menos dos últimos três anos certamente. Digo sorte, porque com uma vida financeira ainda não resolvida, qualquer um destes profissionais poderiam estar em outra agremiação, seduzidos pelo vislumbre que por aí aflora. Mas neste caso, sorte e competência se abraçam.

Sorte, talento, tradição, garra, força, pensamento positivo, alegria, união... é, realmente parece que a "sorte" está voltando para o Morro de Mangueira, de onde jamais deveria ter saído. Mas é bom que se registre, que esta não é uma agremiação que escreveu seu nome com caneta mágica, foi com muito talento e dedicação, mas nada como ter a velha sorte soprando a favor de gente tão comprometido com o resgate do samba e a beleza do carnaval. E que venha muito Verde, muito Rosa, e muito mais  'Maria Bethânia: a menina dos olhos de Oyá.'

Vamos Mangueira, Essa É A Hora! 

terça-feira, 12 de maio de 2015

A Beija-Flor de Nilópolis sob o olhar do Acadêmicos do Tatuapé - por Marco Paulo Gomes

A escola de samba Acadêmicos do Tatuapé que ficou em décima segunda colocação no carnaval 2015, com o enredo: “Ouro, Símbolo da Riqueza e Ambição” teve a apresentação do seu enredo para o carnaval de 2016, durante a sua feijoada em homenagem ao santo padroeiro da agremiação São Jorge. O enredo foi a grande surpresa da noite com o enredo: “É Ela, A Deusa da Passarela – Olha a Beija-Flor ai Gente !” a escola de Tatuapé contará os 66 anos de uma das escolas mais vitoriosas do carnaval do Rio de Janeiro a Beija-Flor de Nilópolis com 13 títulos, atrás de Mangueira (17 títulos) e Portela (21 títulos).

Fundada em 25 de Dezembro de 1948, a azul e branco de Nilópolis é a maior campeã da era do Sambódromo. A história da Beija Flor pode ser dividida em duas partes: antes e depois de Joãosinho Trinta, em 1976 como o enredo em homenagem ao Jogo do Bicho, é considerado pela critica um dos desfiles antológicos da agremiação.

Começava as polêmicas...

 Em 1989, após uma ação judicial proposta pela Igreja Católica, a imagem famosa do “Cristo Mendigo” foi proibida pela Justiça. Com a alegoria coberta por um plástico com a frase “mesmo proibido, olhai por nós” nesse ano muitos dizem que a Beija Flor a campeã moral.

Acadêmicos do Tatuapé 2016
Em 1998, a Beija-Flor foi pioneira ao criar uma comissão de carnaval e conquistava o titulo (justamente com a Mangueira) após 15 anos sem titulo. Depois de ser vice-campeã em 1999,2000,2001,2002, para a Imperatriz de Rosa Magalhães (1999,2000,2001) e para a Mangueira (2002). Em 2003, a Beija-Flor começava a reinar no carnaval na era 2000, de lá pra cá foram 7 títulos (2003,2004,2005,2006,2008,2011,2015), 2 vices campeonatos (2009 e 2013).

Com tudo isso, o que podemos tirar como conclusão é que entre críticas e elogios a Beija-Flor é uma escola bem estruturada, organizada, com uma diretoria correta em suas decisões apesar de controversas por parte da mídia ou do povo do samba, com uma comunidade forte. A Beija-Flor tinha quer ser o espelho de muitas escolas que querem ser escolas fortes ou voltarem a ser, só se ganha carnaval com organização e estrutura, para que se possa trabalhar e render o melhor para a agremiação.

Sobre o enredo da Acadêmicos do Tatuapé é uma justa homenagem a escola de Nilópolis que tem uma história vitoriosa e tem que ser respeitada como escola apesar de polêmicas sobre títulos, enredos como foi no carnaval de 2015, por exemplo. O jeito é esperar o desenvolvimento do enredo e os sambas concorrentes, essas coisas de preparação para o carnaval 2016.   

E parabéns ao carnavalesco Mauro Xuxa pela  homenagem à Beija-Flor no carnaval de 2016, é muito bonito vê que apesar das diferenças do carnaval do Rio de Janeiro e de São Pulo existe um respeito à escola co-irmã independente do estado do país. O samba nos uni num mesmo amor e o amor não tem fronteiras.


Prazer, Marcos Paulo, 19 anos, torcedor do Império Serrano e da Unidos da Tijuca

terça-feira, 5 de maio de 2015

Feijoada da Mangueira com entrada grátis, pelos 87 anos da Verde e Rosa - neste sábado (09/05)

Evelyn Bastos Rainha de Bateria 

A Estação Primeira de Mangueira realizará neste sábado (09) sua tradicional feijoada. O tempero especial desta edição será o encerramento das comemorações dos seus 87 anos.

Diferente de outros anos, além da solenidade no Palácio do Samba no dia 28 de abril, a atual diretoria resolveu estender as festividades e promoveu várias atividades sociais e esportivas, incluindo também a Vila Olímpica da Mangueira. O fechamento acontecerá com o retorno de sua tradicional feijoada nota 10 em maio, com entrada franca para os mangueirenses. Para fazer parte da festa, basta comparecer ao Palácio do Samba com a camisa da Mangueira.

Entre as atrações da feijoada estão confirmadas as presenças dos artistas: Tereza Cristina, Monarco, Ito Melodia, Grupo Arruda e a cantora Rosemary. Além da participação especial de Tantinho com a Velha Guarda da Mangueira. A abertura será do grupo Art Junior e no encerramento, o show da Bateria da Mangueira com o intérprete oficial da escola Luizito, cantando os grandes sambas-enredo da verde e rosa. Durante a festa, será apresentada a equipe da Mangueira para o carnaval de 2016.

Segundo o presidente da Verde e Rosa, Chiquinho da Mangueira. A opção de encerrar as comemorações com a feijoada foi para beneficiar os torcedores que frequentam a quadra durante todo o ano. “Achamos mais interessante realizar várias atividades do que concentrar numa única festa e não poder atendera a maioria. Além do mais, a feijoada traduz melhor a paixão do mangueirense pela sua escola”, disse o presidente.
Exibindo GRES Mangueira-46foto-Fernando Azevedo (8).JPG
Squel Jorgea Porta-Bandeira
Chiquinho valorizou ainda as outras atividades, durante esta semana de comemoração. “As atividades sociais e esportivas foram muito bem aceitas por todos. Realizamos uma ação social na quadra que atendeu centenas de pessoas, além das ações na Vila Olímpica com atividades para todas as idades. A Mangueira é uma escola de massa e entendemos que precisa de algo mais para representá-la”, finalizou Chiquinho.


Confira o serviço da feijoada e programação na Vila Olímpica:
SERVIÇO FEIJOADA
Dia: 09/05

Local: Palácio do Samba (Quadra da Mangueira)
Rua Visconde de Niterói, 1072 – Mangueira
Horário: 13h
Entrada: Grátis
Feijoada: R$20,00
Mesa: R$50,00 (sem reservas – por ordem de chegada)
Camarote: R$ 1.000,00 (com direito a 12 feijoadas)


Programação na Vila Olímpica da Mangueira
2ª feira - 04/05

18h às 19h - Amistoso de Handball com Mangueira X Colégio Triângulo
19h às 21h - Festival de Futsal (alunos da escolinha)


3ª feira - 05/05

14h às 15h - Oficina de Boxe
16h - Jogo de Basquete (Ginásio Jamelão) MANGUEIRA X ABASCA
16h às 19h - Aulão de Jiu Jitsu (Ginásio Carlos Dória)


4ª feira - 06/05

8h às 9h - Aulão de Hidroginástica
8h às 9 h - Aula Especial Dança Sênior
10H às 11H – Aulão de Hidroginástica
8h às 11h - Recreação Futebol com equipe PARCEIRA
14h às 15:30h - Recreação Futebol com equipe PARCEIRA
15h às 16h – Aulão de Hidroginástica
9 às 17 - Saúde Bucal EQUIPE PARCEIRA – Espaço Alcione
18h - Aulão de Ginástica


5ª feira - 07/05

7:30h ás 11:30 – Aulas de Basquetebol para os alunos da Escola Tia Neuma
8h às 9h - Aulão de Alongamento 
9:30h às 10:30h – WorkShop dos alunos de 15 á 17 anos do Futebol no Centro no Centro Profissionalizante
9h às 10h - Recreação PcD com equipe PARCEIRA 
14 às 16:30 - Workshop Levantamento de Peso 
14h às 15h - Recreação PcD com equipe PARCEIRA 
14:30h às 15:30h – WorkShop dos alunos de 15 á 17 anos do Futebol no Centro no Centro Profissionalizante
13h às 17h - Festival de Atletismo 
18h - Aulão de Hidro


6ª feira - 08/05

8h às 9:30h - Aulão de Ginástica / Campanha da Voz (fonoaudiologia - UFRJ)
8h às 14h – Recreação aquática com equipe parceira
8h às 11h - Festival de Futebol
14h às 17h - Recreação Aquática com equipe PARCEIRA
13:30h às 16h - Festival de Futebol
14 às 15:30 - Workshop Levantamento de Peso
15:30h - Apresentação de GR - Homenagem ao Dia das Mães 
20h - Jogo de Basquete (Ginásio Jamelão) MANGUEIRA X COLÉGIO SANTA MÔNICA

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Dona Beta de Vila Isabel - guerreira ou covarde?



Vila Isabel 2015
A Vila de novo sorrindo?

A expectativa para 2015 era de que a Unidos de Vila Isabel fizesse seu desfile redentor, para logo se libertar do medíocre 2014, e o que veio foi um enredo extremamente cultural e significativo, vimos contratações interessantes, e ainda um samba extremamente competente, que no entanto não funcionou para o desfile, com comunidade feliz e participando de um cronograma para entrega de fantasias bastante respeitoso a escola esteve muito bem vestida, como deve ser ao componente, acertos e erros, a Vila  sem dúvidas realizou um carnaval infinitamente superior ao que antecede a gestão de Elizabeth Aquino, a Dona Beta, e Luciano da Vila, seu vice. No entanto, com o péssimo resultado deste ano, todo aparente esforço desta diretoria executiva não se fez suficiente para que a turma do quanto pior melhor se acomodasse em suas confortáveis cadeiras de oposição e críticas, ainda que  com um certo fôlego, esta administração tenha contratado um dos melhores carnavalescos da atualidade, o talentoso Alex de Souza que já trabalha no enredo para 2016.

Vila Isabel 2014
O problema da Vila hoje é de gestão numa dívida que gira em torno de R$ 10 milhões, segundo informações da própria escola, e precisamos considerar como esta dívida foi adquirida, como que uma Instituição que apresentava sua situação financeira bem confortável em pouco tempo se esfacelou e entrou num declínio visto ao longe.

Dona Beta fora eleita com a difícil missão de resgatar a auto-estima do povo de Noel, ajustar a gestão administrativa, e ainda colocar um carnaval digno na avenida. Não era tarefa fácil, entretanto, não era impossível, o que parece é que esta equipe não conseguiu gerir poucos recursos e iniciar austeridade nos gastos, com isso a situação parece ter evoluído para o ápice da crise financeira.

A renúncia de Dona Beta soa para muitos como o fracasso declarado de sua incompetência, falta de coragem e mesmo omissão ao cargo para o qual fora eleita num processo eleitoral democrático, entretanto as pressões de gerir uma escola de samba com as marcas históricas de Vila Isabel, realmente pesam,  ainda mais quando se envolve o fator "problema familiar" de extrema complexidade como é o caso, é preciso neste momento ser menos cruel, ser mais honesto, mais digno, mais respeitoso, mais solidário, mais humano. 

Dona Beta

Não estou aqui de forma alguma para defender a referida gestão, não tenho nenhum tipo de ligação com esta, muito menos com quaisquer outra, no entanto, não poderia me isentar em emitir opinião, ainda que muitos discordem com o fato, em ser humano, ser pessoa muito mais neste momento. Dona Beta tem uma história fantástica pelo samba, de amor e entrega a este grêmio, e sua história não pode ser maculada por uma disputa de poder, arrogância e extrema ausência de sensibilidade. Se a Presidenta não se sente mais capaz e/ou confortável para se manter no cargo, é legítima sua renúncia, mas que seja  aceita de forma respeitosa por todos, ainda que entre críticas à sua gestão, vamos zelar pelo bom senso e rezar pelo melhor ao povo de Vila Isabel.

Um abraço à guerreira Dona Beta!

Segue link de declaração da iminente renúncia: https://www.facebook.com/elizabethaquino.beta/posts/966664886707256:0

terça-feira, 28 de abril de 2015

Até quando os deuses mangueirenses guiarão a Verde e Rosa? #FelizMangueira87

Quadra da Mangueira
 Até quando nossos ancestrais mangueirenses nos guiarão?

Acordei hoje com esta inquietude... Há 87 anos valentes sambistas se reuniam no Morro de Mangueira, para fundar um grêmio que iria arrebatar milhares de corações por tantas gerações formando assim, uma nação em verde e rosa. Eles só queriam fazer samba, e no final de tudo acabaram fazendo, o que hoje é a maior paixão de tantos pelo mundo inteiro.

Passamos de nossos célebres fundadores para tantos mangueirenses que se destacaram ao longo de nossos 87 anos, na música, cultura, política, no vendedor de bala do trem, no dia-a-dia, na vida comum; no Morro, a energia que mantém esta escola viva e soberana, ainda que desde 2002 sem soltar o grito de "é campeã", continua a emanar e suster os pilares de uma instituição cultural que não cedeu ao modismo, não se contaminou com os excessos da tal industrialização do carnaval, e  talvez por isso, pague hoje, um alto preço por "ainda" não se enquadrar a nova "dança do samba".

Para além de nosso amor, a história de quem veio antes de nós nos traz orgulho ao ponto de ter gente lá fora do mundo verde e rosa, a nos julgar demasiados vaidosos, para não tecer adjetivos pejorativos neste espaço sobre nosso comportamento ao lembrar, falar, defender e viver nossa agremiação. Realmente, o mangueirense possui características muito singulares e extremamente legítimas, sua história o permite. 

Até aqui nossos ancestrais nos guiaram, e por mais 87 anos estarão conosco, e ainda teremos muitos outros, porque esta é ainda e sempre será uma fábrica de gente bamba. Para o dia de hoje, quero abraçar Alcione, Leci Brandão, Sr. Hélio Turco, Sr. Nelson Sargento, Tia Suluca, Tia Chininha, Sr. Raymundo de Castro, para assim me sentir abraçando cada mangueirense espalhado pelo mundo, famoso ou desconhecido, diretor, funcionário, componente, gente que só viu a Mangueira pela tv, gente que só ouviu falar desta lendária escola de samba e se apaixonou, tantos corações e apenas uma paixão: a Estação Primeira de Mangueira.
Mangueira 87 anos
Vamos seguir com fé, guiados por nossos deuses mangueirenses, e visando o futuro que está diante de nós com garra e coragem, a faca no dentes, e o coração no bico da chuteira para que nossa maior alegria não perca jamais sua real missão, que é cantar, encantar e preservar o samba, que "agoniza mais não morre".

Talvez, não estejamos no melhor momento de nossa história, mas juntos já  viramos o jogo em diversos momentos, nunca fomos do luxo ou da riqueza, mas nossa força quando imputada de forma calorosa nos fez chegar até aqui como a "maior escola de samba do planeta", com 18 títulos, sendo 01  Supercampeonato,  como a maior detentora de prêmios do Estandarte de Ouro (maior premiação reconhecida do mundo do samba), com sambas e histórias encantadoras e deveras inesquecíveis, passamos tantas e tantas vezes pela avenida como um povo que apesar dos revezes da vida, se manteve sambista de corpo e alma.

No dia de hoje, e em todos os dias, não nos esqueçamos de vestir nosso verde e rosa, "pra mostrar  a essa gente que o samba é lá em Mangueira..."


Feliz Mangueira 87 Anos !
Mangueira

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Samba 90 - por Marcos Paulo Gomes


Mocidade Independente de Padre Miguel

No final dos anos 80 terminava uma era de sambas como: Festa Profana, Ratos e Urubus, Kizomba, Ziriguidum 2001... Começa uma nova era os anos 90, na frente das demais escolas a Mocidade Independente de Padre Miguel com seu carnavalesco Renato Lage criou enredos que lhe propôs sambas maravilhosos como: Vira, Virou, a Mocidade chegou, Chuê Chuá... As águas vão Rolar e quem não se lembra de Sonhar não custa nada. Com esses sambas lhe proporcionou a escola de Padre Miguel dos 2 Títulos (1990,1991) a Mocidade começava os anos 90 com grande estilo.


Em 1992, a Paulicéia Desvairada da Estácio de Sá lhe deu o seu primeiro e único titulo do grupo especial para a escola do Morro de São Carlos, no ano seguinte a Estácio teve um dos sambas mais bonitos da história do carnaval: A Dança da Lua quem não lembra dos Clareos, e a frase:  “A Estácio tem a Lua como par”. Até o hoje do mundo do samba lembram dessa belíssima obra, mas nada se comparar com o furacão vermelho e branco chamado: Salgueiro, nem o belo samba da Estácio, com o Explode Coração o Salgueiro levantou a Sapucaí conquistando o titulo. Em 1995, a Imperatriz conquistava o seu bicampeonato depois de uma briga com a Portela os dois tinham os melhores sambas do ano, “Mais Vale um Jegue me Carregue, Que um Camelo que me Derrube... Lá no Ceará” do lado da Imperatriz e “Gosto que me Enrosco” da Portela, no final deu Imperatriz depois de carnavais não há altura da Portela a própria tinha  a melhor desde do seu titulo em 1984, até hoje muitos dizem que a Portela merecia o titulo, mas... Coisas do carnaval.
Estácio de Sá 1992

Com o grande número de escolas no grupo especial 18, o ano de 1996 lhe proporcionou sambas de vários gostos, de bons, ruins e péssimos. Como por exemplo: falar sobre sobrinha de Sol até Um carnaval dos Carnavais, enredos da Unidos da Ponte e da estreante do grupo especial da Unidos do Porto da Pedra que surpreendeu com um samba muito bom e um desfile que lhe deu um 9 lugar uma ótima colocação para a estreante de Niterói. 

A Mocidade com um desfile com a assinatura de Renato Lage conquistava o 5 titulo em sua história o 3 com Renato Lage. Um samba pouco lembrado é o samba do Império Serrano, uns dos maiores sambas da agremiação. Depois do titulo, a Mocidade entrava no carnaval de 1997 com tudo para ganhar o bicampeonato tinha o melhor samba, tinha o melhor carnavalesco da época , mas o carnaval é uma caixinha de surpressas , depois de um carnaval que quase foi rebaixada a Unidos do Viradouro venho com Dominguinhos do Estácio, Joãozinho trinta e Mestre Ciça com a sua batida funk na bateria a Viradouro com conquistou o seu primeiro campeonato no grupo especial. No mesmo ano a Mocidade perdia o seu patrono Castor de Andrade.
Chico Buarque da Mangueira - 1998
O ano de 1998 teve sambas maravilhosos com o destaque da atual campeã da época da Viradouro, mas nesse ano teve uma coisa curiosa teve duas campeãs a Mangueira e a Beija-Flor. No ano de 1999 começava o era da Imperatriz ou a era Rosa Magalhães, mas o que começava era dos cd’s  as gravações de estúdio os sambas melhoram a suas qualidades, nesse ano o destaque não foi do especial, foi o grupo de acesso com o samba “O Dono da Terra” da Unidos da Tijuca colocou o seu nome de melhores sambas que passaram na Sapucaí. Em 2000...


Autor do Texto: Marcos Paulo Gomes da Silva, Torcedor do Vasco, Império Serrano e Unidos da Tijuca.      

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Mas que enredo para 2016 hein, Imperatriz Leopoldinense?

Zezé Di Camargo e Luciano
Quem gosta do enredo de Imperatriz 2016?

O "sambista moderno" gosta de analisar projetos de desfile antes de sua concepção, se por gosto próprio ao tema apresentado, esta tese tinha algum sentido quando o carnaval era samba no pé e tradição, mas com a"industrialização" de nossos desfiles, vai vencer quem conseguir produzir o mínimo de categoria cultural aliado ao bom gosto, boa estrutura, talento, equipe e o "bendito" dinheiro em caixa.

No enredo a que se propõe a Imperatriz Leopoldinense para 2016, parece que vai angariar um valor estimado em R$ 5 milhões para homenagear a dupla Zezé Di Camargo e Luciano. Bem-vindo aporte financeiro em tempo de crise vivida por algumas agremiações e carnaval acima da média das décadas passadas!

O talento do carnavalesco Cahê Rodrigues, e a presença reestrutura da Imperatriz ao cenário das seis  escolas mais bem preparadas para competir carnaval, não podem ser diminuídos por se gostar ou não do tema, que por si só pode ser rico ou pobre, vai depender muito da linha a ser adotada.

O mundo sertanejo é capaz de produzir, sim, grandes enredos, não tenho dúvida alguma. Confesso não ser um admirador da música sertaneja, mas isto não me impede de acreditar num carnaval competitivo, e num trabalho primoroso com o tema escolhido. Julgar se a dupla merece ou não ser homenageada me parece pretensioso demais para um mundo democrático e festeiro como é o carnaval carioca.

No mais, vamos recolher nossas aflições ingênuas e seguir para o que os gresilenses nos dirão em sua sinopse, disputa e escolha de samba, e por fim sua fábrica de sonhos, comandada por um dos mais talentosos profissionais, ora carnavalesco de Imperatriz Leopoldinense, e por fim, o grande desfile de botas, sanfona, viola e um bom chapéu na cabeça, para saudar os filhos de Francisco. 

Que venha  2016!

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Como não defender o título da Beija-Flor de Nilópolis?

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Beija-Flor 2015
A vida realmente nos reserva inesgotáveis surpresas, e uma delas é a devassa campanha que o jornal O Globo vem travando contra a Beija-Flor de Nilópolis desde antes de a Deusa da Passarela mostrar seu carnaval, resgatando até a juíza aposentada Denise Frossard para re-julgar o caso do jogo do bicho e suas relações com algumas escolas de samba, mas na tal passada matéria apresentava apenas a azul e branca de Nilópolis, numa tentativa clara de inviabilizar todo o trabalho que a escola vinha realizando.

Para além das discussões da forma de patrocínio, se o dinheiro é legal ou não, porque esta preocupação deve ser analisadas nas instâncias judiciais, e ainda para se definir que tipo de patrocínio pode ser aceito por uma escola de samba, é preciso separar todas estas inquietações do prático trabalho e desfile que uma agremiação apresenta na Sapucaí, porque estas perguntas não estão sanadas nem pelo Poder Público, e muito menos pela LIESA, tenhamos cautela para não servirmos de urubus do carnaval, como o Sistema Globo o faz na política e em tantos outros temas.

Algumas vezes já fui acusado de perseguir a Beija-Flor, mas o tempo mostra que meu compromisso é com o carnaval e o samba, fundado no que acredito. Aí, dentro desta lógica me pergunto: como contestar a vitória de uma escola de samba que levou para a avenida um desfile quase que impecável, dentro dos critérios de julgamento?

Naquela noite de segunda-feira, Beija-Flor, juntamente com Salgueiro e Unidos da Tijuca saíram da Sapucaí como francas candidatas ao título, e vamos então nos debruçar sobre as imagens e posterior notas dadas a estas escolas, e veremos que ganhou quem errou menos, num dos anos mais equilibrados dos últimos tempos.

Acho que muita gente quando quer levianamente contestar este título de 2015, se esquece do esforço sobrenatural que o povo nilopolitano ensaia em sua quadra, da sua bateria impecável, do seu casal de mestre-sala e porta-bandeira quase que hors concours, de sua harmonia e evolução, se seu primor em fantasias e um elenco liderado pelo experiente Laila em busca de qualidade e perfeição, e ao samba de 2015 um espetáculo à parte.

Dizer que ao menos quatro agremiações contestam este título, é muito pouco para um jornal com as referências de O Globo, era necessário dizer quem são, falta credibilidade na campanha contra o resultado, parece mais uma tentativa de golpe, costumeira às Organizações Globo. Quanto às mudanças de julgadores, a plenária da LIESA representada pelso presidentes das agremiações é soberana. Talvez eu até tenha alguma restrição à alguns títulos conquistados pela Beija, e outras agremiações, não este!

E a quem deseja ser campeão em 2016, é bom saber que vamos precisar cometer menos erros, ser mais profissionais e sobretudo, não nos prendermos ao rivanchismo, para saudarmos o que mais nos importa que é o carnaval de qualidade.

Sinceramente, não acho que o corpo de julgadores da LIESA seja o mais confiável, que as normas estejam dentro de um parecer justo, que não precisemos avançar na credibilidade, mas o caminho, definitivamente não é contestar um título que, para quem consegue comparar com as demais apresentações deste ano, foi, ainda que por décimos, superior a tudo que pude ver neste 2015, a despeito de nosso gosto e carinho pela agremiação vencedora. Por hora, vamos estudar e respeitar o regulamento!

sexta-feira, 20 de março de 2015

Mangueira irá propor mudanças no julgamento da LIESA

Mangueira 2015
O Presidente da Estação Primeira de Mangueira, Chiquinho da Mangueira, apresentará à Liga Independente das Escolas de Samba uma proposta de mudanças na avaliação dos jurados para o Carnaval de 2016. Insatisfeito como a Verde e Rosa foi julgada este ano, Chiquinho acredita que terá o apoio das escolas coirmãs.

Tema principal de sua insatisfação, que tiraram décimos decisivos da Mangueira em vários quesitos, a deixando em décimo lugar, Chiquinho questiona a forma de avaliação dos jurados, que não levam em consideração problemas como a chuva, o que, segundo ele, interfere diretamente em todos os setores da escola. “Aguardei até a divulgação das justificativas para poder me manifestar. É lamentável a forma como as escolas que sofreram com a forte chuva no domingo foram penalizadas pela avaliação dos jurados. Tivemos um julgamento desigual e o trabalho de um ano inteiro foi literalmente pelo ralo. A Mangueira sofreu quatro horas de chuva intensa, desde a concentração até o final do desfile. Como manter nossas fantasias e alegorias inteiras?”, disse Chiquinho.

Outros problemas técnicos e de avaliação também serão levados para a Liga pelo presidente da Mangueira. Para Chiquinho, a harmonia e a evolução da escola foram visivelmente prejudicadas após várias falhas no som da avenida durante o desfile e a falta de conhecimento de características da bateria Verde e Rosa, também foi ignorada. “Um jurado tem que conhecer do assunto que está avaliando. Lamentavelmente fomos penalizados pela característica principal de nosso surdo mor, por não ser igual ao das outras escolas. Não vamos mudar nossa bateria, os jurados é que precisam entender o conceito dela”, relatou o presidente.

Apesar de todos os problemas enfrentados pela escola e da colocação no desfile em 2015, o presidente Chiquinho da Mangueira acredita que a Estação Primeira está numa crescente de recuperação e aposta no sucesso da renovação para o próximo ano. “Estamos vencendo todos os nossos problemas estruturais. Seguimos equalizando nossas contas, pagando as dívidas em dia e investindo cada vez mais na renovação. Entendo como ninguém a angústia do mangueirense por título, mas posso afirmar que estamos caminhando de maneira sólida, sem aventuras para esta conquista. Não podemos dar um passo pra frente, fazer loucuras, e depois dar 10 para trás. Com a equipe que estamos formando e com a estrutura já solidificada, faremos um grande Carnaval em 2016, podem apostar.”, finalizou Chiquinho.

quinta-feira, 19 de março de 2015

E o samba da Grande Rio, hein ?

Grande Rio 2015
E a Passarela do Samba com seu misticismo e encantos difícies de serem compreendidos, senão com a força da paixão, mostrou-me mais uma vez que, é preciso pisar naquele solo sagrado para se definir algum tipo de resultado. Os ensaios técnicos ainda interessantes não são capazes de avaliar muito o que realmente acontece no dia principal, os barracões fechados pouco menos, e alguns "entendidos" deste mundo complicado acabam tendo de recolher todas as suas teorias.

Em Mangueira em aprendi que samba bom é aquele que o povo canta,  tão logo assim, eu que mesmo critiquei a composição dos poetas Rafael Santos, Lucas Donato, Gabriel Sorriso, Leandro Canavarro e Rodrigo Feiju diversas vezes, tanto por conter rimas óbvias e uma melodia tanto duvidosa, tenho de me juntar aos que se recolheram ao resultado final indiscutível desta obra, que cumpriu seu papel técnico em conquistar  30 pontos consideráveis, sendo penalizada apenas na última cabine de julgador com um 9,8, e foi além disso, levantando a Sapucaí.

É claro que a escola quer conquistar a nota máxima em seu samba e quem sabe um Estandarte de Ouro, isso vale muito! Mas para se considerar vitorioso de fato, é preciso além disso, ter um samba guerreiro, capaz de conduzir os corações e encantar os desconhecidos, a Grande Rio alcançou de forma brilhante este feito.

Ainda pelos ensaios técnicos, vi este samba passar na avenida de forma surpreende, o que se confirmou de maneira ainda mais acentuada naquele fim de "domingo". O recado da Grande Rio apenas confirma a tese de que a comunidade é capaz de engrandecer uma obra, e fazer dela um sucesso. Com uma bateria muito adequada ao samba, e um carro de som afinado ao desejo dos 40 pontos, a escola conseguiu senão 40, os 30 possíveis e necessários. 

E até agora ainda me pergunto, e o samba da Grande Rio, hein?


Créditos foto: Site G1

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Ou a Mangueira acaba com suas alas comerciais, ou elas acabam com a Mangueira!

Mangueira 2015
Após o desastroso desfile da Estação Primeira de Mangueira neste carnaval, mais uma vez o mundo do samba se inquieta com a reflexão: "onde está a guerreira comunidade mangueirense?" E para justificar notas baixas em quesitos, que nada tem haver com situação financeira regular, como harmonia e evolução, onde a Velha Manga perdeu só aí nada menos que 1 ponto, a crítica mais acirrada se direciona para o componente da Verde e Rosa.

Mas que componente é este? 

A Estação Primeira  tem uma das comunidades mais aguerridas do carnaval deste país, um povo apaixonado por esta lendária escola de samba, e num carnaval em que exaltou a história de suas mais ilustres mulheres de maneira emocionante, nada menos do que  faca nos dentes e o coração no bico da chuteira para marcar o tão sonhado gol: voltar a ser campeã. Este povo, que se reúne em alas da comunidade lideradas pela competente Guanayra Firmino, há muito realiza um trabalho de excelência, com exaustivos, porém lucrativos ensaios semanais em sua quadra e  rua, afim de atingir o resultado máximo durante o desfile.

No domingo de carnaval, esta comunidade começou a se concentrar às 18h sob forte tempestade, digo tempestade e não chuvisco, vindos de todos os lugares do Rio de Janeiro, os guerreiros mangueirenses permaneceram firmes para defender este pavilhão sagrado, entretanto, todo seu trabalho de um ano inteiro, fora mais uma vez praticamente jogado ao lixo, quando se juntaram à escola as tais alas comerciais. Estas alas tanto em Mangueira, como em qualquer outra agremiação séria em nada contribuem para um desfile campeão.

Estou tratando aqui de  um câncer, uma doença implacável quem vem a destruir toda nossa alegria de trabalhar por nossa agremiação. E quantos de nós já se indignaram por ver uma ala passando pela avenida com gente que além de não saber o samba, nem ao menos se preocupa em evoluir, simplesmente porque não tem nenhum tipo de compromisso com a escola, pagam a fantasia e se acham no direito de fazerem o que desejam no desfile. E como toda doença, esta "doença carnavalesca" precisa ser combatida.

Em Mangueira, é fato reconhecer o esforço do Presidente Chiquinho quem já eliminou parte destas alas, para um desfile mais coeso e perfeito, entretanto, o que se observou mais uma vez, é que tal esforço ainda se mostra insuficiente para uma agremiação do tamanho e das tradições da Velha Manga.

Escolas sérias, que avançaram para perfeição, reduziram drasticamente este contingente ao caminho da extinção, o que muitas já realizaram, e o resultado tem sido extremamente positivo. Não se pode mais entregar nossas fantasias nas mãos das agências de turismo que desembarcam centenas na Sapucaí, como se tudo fosse uma grande brincadeira sem valor algum, o que sabemos, visto os tempos modernos não ser mais assim. O carnaval se profissionalizou de tal forma, que hoje, o rebaixamento aguarda quem não produz com qualidade um enredo, plástica, samba, bateria, mas também componentes em sintonia com o carnaval em que estão defendendo.

A grande verdade, é que, ou a Mangueira acaba com suas alas comerciais, ou elas acabam com a Mangueira, e me parece, que se não houver uma reação imediata, esta conta será liquidada, e o saldo negativo recairá sob a valente guerreira comunidade mangueirense.

Vamos Mangueira, Essa É A Hora!
Ala Garra Mangueirense