domingo, 24 de julho de 2011

SAMBAS ENREDOS ANTIGOS, POLITICAMENTE INCORRETOS CARNAVALESCAMENTE DATADOS?

Por Gustavo Melo, colunista do site Carnavalesco


Muito se fala no politicamente incorreto das marchinhas de carnaval, acusadas de preconceituosas, racistas, homofóbicas... Mas quem nunca se sacudiu com a cabeleira do Zezé, com a Maria Sapatão ou já fez chacota do cabelo da mulata que atire a primeira pedra.

Menos que as deliciosas canções carnavalescas de outrora, que foram cronistas de costumes e hábitos do seu tempo, o samba-enredo algumas vezes teve alguns breves lampejos de tresloucada lucidez quando o assunto era gozar com a própria realidade.

E houve um tempo em que contestar era preciso. Estavam abertas as trincheiras contra os “engalados”, “miscigenações” e “esplendores”, palavras presentes em nove entre dez obras do gênero.

A Era de Ouro dos Enredos

Anos 80. Depois de “vinte anos que alguém comeu” - a ditadura militar que censurava tudo e todos sem um mínimo critério – o país recobrava a consciência depois do traumático período sob o comando dos milicos. Novelas, peças de teatro, imprensa, tudo servia de veículo para botar pra fora a insatisfação após a era da mordaça. Talvez por isso tenhamos vivido nessa época a “Idade do Ouro” dos enredos.

Se não, vejamos. Em 1984, a o narrador-personagem do samba da Mocidade Independente “Mamãe Eu Quero Manaus” assumia com toda a coragem e nenhuma vergonha que o bisavô era traficante e a vovó, o tio, a titia e o papai eram contrabandistas. Difícil de acreditar? O que dizer então da Unidos da Tijuca que sapecou no “Cama, Mesa e Banho de Gato” uma ode à bissexualidade ao fazer todo o Borel cantar “Tem piranha no almoço / tem ‘virado’ no jantar / Pra quem tem fome qualquer prato é caviar”. E tinha o outro, corno manso, cuja patroa “estava com o Ricardão” e a filha “tinha fama de sapatão”. Tudo, claro no maior espírito folião, embebido “no prazer mais prolongado que o banho de gato dá”.

Em 1985, a Caprichosos acendeu uma velinha pro Botafogo pelos seus 16 anos sem título no futebol carioca. Bolo que também seria servido ao Salgueiro, como já me confessou o carnavalesco Luiz Fernando Reis, em “homenagem” aos dez anos da escola sem chegar ao primeiro lugar. Ideia abortada. A estrela ficou solitária nessa...

A São Clemente em 1988, bradou que se “essa moda pega, vai pegar no outro lugar”, num desafio explícito à TV Globo, hoje uma das mandatárias do espetáculo das escolas de samba. Em 1986, a Portela, no seu “Morfeu do Carnaval – A Utopia Brasileira”, chamou o patrão de vacilão. A Vila Isabel mandou todo mundo “pra pura do barril”. Já a Ilha foi menos explícita ao taxar os ricos do Brasil de sonegadores, com os versos “O leão só morde bumbum de pobre / e o rico é que explode / a boca do balão”.

De volta para o futuro...

Mas o que foi que aconteceu? Hoje, parece que vivemos num mundo lindo, onde a maior crítica cabível é o conselho mala de “que temos que usar a consciência” para alguma coisa: parar de poluir o planeta, usar a ciência pro bem e outras dessas modas politicamente corretas. Não gritamos mais, só pedimos com muita educação. Nossos males de agora são outros.

Na era da informação instantânea e da polêmica online, padece quem vai na contramão. Foi o caso da São Clemente que em 2004, no Cordel da Galhofa Nacional de Milton Cunha. A escola foi vítima da lança implacável do politicamente correto. A direção do Congresso não gostou nada de ver a Casa Legislativa ser retratada como latrina em que defecava o Tio Sam. Muito menos o povo de Pelotas que se ofendeu e muito com a ala “Não dou Pelotas para os Viadinhos”. Mais galhofeiro, impossível! Mas as polêmicas serviram de futrica só no pré-carnavalesco. No desfile, as piadas caíram no vazio, já que ninguém dava mais pelotas pra elas.

Ideologia, eu quero uma pra viver

Os governos bancam as escolas, as empresas investem nas agremiações e o povão cai na folia. Tudo assim, lindo, no mundo de Alice. O individualismo venceu, ideologia hoje é palavrão. A ordem é cada por si e salve-se quem puder. Aliás, trecho de um bom samba da São Clemente em 1985, “Quem Casa, Quer Casa”. Pena que não temos mais problemas de habitação no país, todos moram bem e em casas com total infraestrutura. Não fosse isso, quem sabe poderia até rolar uma reedição...

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Voltemos a 2012...

Quem não foi, ou não viu, perdeu. A série de seminários que discutiu o julgamento dos quesitos foi um sucesso. Um manifesto da imprensa carnavalesca em favor de um julgamento com mais critério e transparência. As propostas foram claras e as discussões profundas. Pena que para alguns, a indignação, como diz a música, “é uma mosca sem asas. Não ultrapassa a janela das nossas casas”. Depois não adianta chorar na quarta-feira de cinzas quando suas escolas forem prejudicadas por notas injustas.

Sem Cangalhas

Os mangueirenses já podem comemorar. Na mesa que discutiu o julgamento de alegorias, Cid Carvalho adiantou que a verde-e-rosa virá sem cangalhas para o próximo desfile.

Diversidade nordestina

Nordeste sim. Mas cada um com seu cada um. O que veremos em 2012 serão várias citações à região mais colorida do Brasil no Grupo Especial de 2012. Mas há uma diversidade tão grande de estéticas, histórias e referências que os enredos pouco se confundem. Quem ganha são os compositores, que têm muito material nas mãos. Agora cabe às escolas a escolha da melhor obra. E elas já pipocam por aí.

As Três Irmãs

Está no prelo um delicioso livro de crônicas carnavalescas sobre três escolas que nas últimas décadas desbancaram o reinado das ditas quatro grandes. O jornalista Fábio Fabato ficou encarregado de contar causos da sua verde e branca de Padre Miguel. O pesquisador Alexandre Medeiros dissecou momentos maravilhosos da Rainha de Ramos, Imperatriz Leopoldinense. E o jornalista Alan Diniz delirou em histórias saborosíssimas da azul e branca nilopolitana. O título da obra é “As Três Irmãs”, inspirado na obra do dramaturgo russo Anton Thecov. Agora é torcer para o livro ser publicado o mais rápido possível. O carnaval agradece.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

SINOPSE DA VILA ISABEL

Vila Isabel

A Vila Isabel apresentou, na noite desta quinta-feira, a sinopse do enredo para o Carnaval de 2012, quando vai entrar na avenida abordando a Angola.

 
Leia a sinopse na íntegra:

Você Semba Lá .... Que Eu Sambo Cá!
O Canto Livre de Angola

 O Brasil e Angola são ligados por laços afetivos, linguísticos e de sangue. São quase irmãos pela história que os une.

 Desde a Antiguidade, já existiam bestiários que repertoriavam as estranhezas da fauna e das características geográficas. Segundo o jesuíta Sandoval (1625), " Os calores e os desertos da África misturavam todas as espécies e raças de animais, em redor de poços, criando um ecossistema particular, capaz de engendrar hibridações monstruosas. Tal circunstancia fazia da África, o continente de todas bestialidades, o território de eleição do diabo."

 As bestialidades de que falava tal escritor eram hipopótamos e rinocerontes, chacais e hienas, zebras e girafas, avestruzes e palancas negras, entre outros.

 A estranheza também era causada pela cor da pele de seus habitantes.

 As regiões abaixo do deserto do Saara, chamadas de Ndongo e Matamba, eram habitadas por dois povos distintos: os ambundos e os jagas. Os primeiros eram excelentes ferreiros, cuja habilidade era muito apreciada. Os jagas, por sua vez, se destacavam como guerreiros invencíveis, pois se exercitavam diariamente em local apropriado a que chamavam de quilombo.

 Na época da expansão marítima portuguesa, esses dois povos possuíam um soberano a que chamavam de Ngola.

 No século XVII, a região de Angola era governada por uma rainha chamada Njinga, que era ambundo pela linhagem materna e jaga, pela paterna. Expressão do encontro de dois grupos étnicos, que apesar de semelhantes, tinham organizações distintas, Njinga os governou com sabedoria. A persistência do incômodo causado pelo seu sexo, entretanto, levou-a a assumir um comportamento masculino, liderando batalhas pessoalmente e vestindo de mulher seus muito concubinos, que faziam parte de seu harém.

 Apesar da fama de Njinga ter sido construída na luta da resistência contra o domínio de Portugal, entre os portugueses o reconhecimento de seu talento político e capacidade de liderança surgiu a partir de seu desempenho como chefe de uma embaixada que o então Ngola do Ndongo, enviou ao governador português, em 1622. Recebida com uma pompa que deve tê-la impressionado, Njinga também teria causado impacto entre os portugueses ao agir e falar no mesmo idioma que o deles, como chefe política lúcida e articulada.

 O interesse português era um só - mão de obra para outra colônia de além-mar, o Brasil. Embora fossem ricos em minerais, em diamantes, nada disso os interessou.  Pois na época, o reino de Angola era o grande manancial abastecedor dos engenhos do Brasil. Sem o açúcar, não havia o Brasil. Sem negros não haveria o açúcar. Sem Angola, não havia negros. E, sem Angola não havia o Brasil.

 Apesar da resistência de Njinga, o comércio era feito de modo avassalador. Os negros cativos ficavam em barracões, que podiam acolher cerca de 5.000 almas, que eram embarcadas rumo ao novo continente, em viagem longa, cuja duração podia ultrapassar dois meses, dependendo das condições climáticas. O porto e partida era Luanda, o maior centro de comércio escravagista africano. A cidade alcançara essa posição a partir do momento em que os escravos passaram a ser embarcados diretamente para as colônias americanas. Aproximadamente doze mil viagens foram feitas dos portos africanos para o Brasil, para vender, ao longo de três séculos, quatro milhões de escravos, aqui chegados vivos.

 A despedida era simples. A cerimônia de batizado era na hora do embarque: - Seu nome é Pedro; o seu é João; o seu, Francisco, e assim por diante. Cada viajante recebia um pedaço de papel com um nome escrito. Então, um intérprete ironicamente dizia: "Sois filho de Deus, a caminho de terras portuguesas, esquecei tudo que se relaciona com o lugar de onde viestes, agora podeis ir e sede felizes".

 A morte social despe o escravo de seus ancestrais, de sua família, e de sua descendência. Retira-o de sua comunidade e de sua cultura. Ele é reduzido a um exílio perpétuo.

 E lá se vão, num navio abarrotado, sem alimentos adequados, sem sequer espaço para se acomodarem. Levam na memória, os cantos, as danças, os ritmos, as tradições. Levam Njinga e seu espírito combativo, a levam na memória, apesar das ordens para esquecerem tudo....

 Os navios negreiros aportavam no Cais do Valongo, longe do rebuliço da cidade. Alí os escravos viviam em depósitos, a espera para serem comprados. Pois foi em 1779, por ordem do Vice-Rei, marquês de Lavradio, que nesta região se localizaram o cais, o mercado e as precárias instalações para abrigar os recém chegados.

 Por ironia do destino, foi neste mesmo cais, que anos mais tarde, receberia em 3 de setembro de 1843, a princesa Tereza Cristina, futura Imperatriz do Brasil, e também mãe da princesa Isabel, aquela que terminaria de vez com o regime de escravidão. O cais foi remodelado e uma cenografia decorativa escondia aos olhos reais as imagens da pobreza extrema e a humilhação a que eram submetidos os recém chegados.

 Presente em vários lugares em que houve a escravidão, a coroação de um rei e uma rainha negra era uma forma de diminuir o sentimento de inferioridade social, assim como as irmandades permitiam a reunião para reverenciar algum santo, mas sobretudo como relacionamento social entre os escravos.
 
"Nesta santa irmandade se farão todos os anos  hum Rey e huma rainha os quais serão de Angolla, e serão de bom procedimento, e terá o rey tão bem seu voto em meza todas as vezes que se fizer visto da sua esmolla avantajada." O titulo a que se dava era Rei do Congo e a Rainha Njinga. A fama de Njinga atravessou os séculos e os mares, sendo evocada em festas populares no Brasil. Mas antes de se alojar no imaginário popular, as lições de Njinga foram muito provavelmente postas em prática na luta dos quilombolas de Palmares.

 Com o intuito de se divertirem, as irmandades aproveitavam-se das comemorações dos dias dedicados a este ou aquele santo, para organizarem seus festejos. E era quase que o ano inteiro, pois S. Pedro, S. João, Santo Antonio, o Espírito Santo e outros tantos mais, se espalhavam no calendário. Tudo era oportunidade para comemorações festivas.

 Na Festa do Divino, segundo Manuel Antonio de Almeida, embora os músicos fossem muito apreciados pelo publico, ele considerava que eram desafinados e desacertados: "Meia dúzia de aprendizes de barbeiro, negros, armados este, com um pistom desafinado, aquele com trompa diabolicamente rouca formavam uma orquestra desconcertada, porém estrondosa, que fazia as delicias dos que não cabiam ou não queriam estar dentro da igreja. Mas era musica buliçosa, um convite aos jovens à dança". Os instrumentos que usavam eram basicamente trombetas, trompas, cornetas, clarinetas e flautas e os de corda - as rabecas, violões, tambores, bumbos e triângulos também eram encontrados.

 A festa reunia uma enorme economia e produção. Os fogos, no Campo de Santana, era a maior atração. Depois as barracas, com comidas e bebidas, show de ginástica e muita cantoria. A que fazia mais sucesso, entretanto, era a barraca conhecida como Três Cidras do Amor, frequentada pela família e pelo escravo, pela plebe e a burguesia. Era um salão um tanto acanhado. Num dos cantos  havia um teatrinho de bonecos com cenas jocosas e honestas. O conjunto de atrações das Três Cidras do Amor era longo e variado. Peças como Judas em Sábado de Aleluia eram encenadas. Depois do inicio do baile com valsas, as apresentações cada vez mais se afastavam de uma pretensa seriedade, e a dança tradicional e eletrizante do povo brasileiro assumiam o espaço, com os dançarinos bamboleando, cantando, requebrando-se, ondulando as nádegas a externuar-se, e dando umbigadas. Os homens e as mulheres que realizavam os indefinidos e inimitáveis requebros, umbigadas e movimentos lascivos não nasceram nos ricos salões de baile, estavam nas ruas, reuniam-se nas festas de largo, onde seus ritmos prediletos eram apresentados como atração e divertimento.   

 A junção dos violões, cavaquinhos e flautas já era praticada pelos músicos barbeiros,ou como insistem alguns especialistas, havia sido realizada nos casebres populares do Rio, mais precisamente na Cidade Nova.

 Lá, destaca-se Tia Ciata, dando continuidade aos festejos que já aconteciam no Campo de Santana, abandonado pelos festeiros após a Reforma do local. Tia Ciata nasceu em Salvador em 1854, e aos 22 anos, trouxe da Bahia o samba para o Rio de Janeiro. Foi a mais famosa das tias baianas, trazendo também o candomblé, do qual era uma ialorixá. Na Casa da Tia Ciata ecoavam livremente os batuques do samba e do candomblé.

 Segundo Mary Karash, das danças escravas, como o lundu, capoeira e jardineira, a que ficou conhecida no século XIX por "batuque" é a mais próxima do samba carioca moderno.

 O termo SAMBA, possuía uma clara origem angolana. O verbo kusamba, que significava saltear e  pular, provavelmente expressasse uma grande sensação de felicidade.

 Hoje,"O Samba é considerado como um produto da história social brasileira". De acordo com o presidente do Iphan, "O gênero musical e coreográfico pode ser considerado tanto como sendo próprio de comunidades culturais identificáveis (executantes e brincantes inseridos em agrupamentos sociais de pequena escala) e também no contexto da vida urbana, e da indústria cultural mediatizada. O vigor do Samba enquanto gênero cultural encontra-se em sua plasticidade e capacidade de gerar inúmeras variantes, como o samba-de-roda, o samba carioca, o samba rural paulista, a bossa nova, o samba-reggae e outros mais, em suas diversas interpretações."

 Aqui na Vila Isabel, que é de Noel, e de Martinho, devemos a ele esta história. Ele que, nos anos 70, fez sua primeira viagem ao continente negro e durante muitos anos foi a ponte entre o Brasil e Angola, sendo considerado um Embaixador Cultural. Levou a música brasileira como um presente ao povo amigo e irmão, através das vozes tão brasileiras de Caymmi, João Nogueira, Clara Nunes e ainda Chico Buarque, Miúcha, Djavan, D. Ivone Lara, entre outros. Três anos mais tarde, Martinho elaborou um projeto trazendo a música angolana para os brasileiros, a que chamou de O Canto livre de Angola.

 Nosso samba....  seu semba ...por isso  enquanto eu sambo cá.... você  semba lá...
Rosa Magalhães

Rosa Magalhães (Carnavalesca) & Alex Varela (historiador)

quarta-feira, 20 de julho de 2011

NOCA DA PORTELA: SAMBA NÃO É GUERRA!

Foto: Divulgação
Noca da Portela

O compositor Noca da Portela falou à imprensa esta semana. Ele, que também é cantor, comentou o fato de estar concorrendo na disputa de samba-enredo na Estação Primeira de Mangueira, que em 2012 vai homenagear o bloco Cacique de Ramos, com o título "Vou festejar! Sou Cacique, sou Mangueira".

"Recebi o convite da diretoria do Cacique para compor um samba e entrar na disputa da Mangueira, foi irrecusável. Escrevi com o Sereno, Fabinho e Ubirany. Estou prestigiando o bloco do qual faço parte há 35 anos", disse

"Eu conversei com o Monarco, ele aprovou e disse que ninguém pode me censurar. Tenho certeza que todos os portelenses entendem que é uma homenagem, esta minha composição. O samba é alegria, é diversão e fraternidade. Não existe lugar para guerra", completou

O sambista afirmou que, assim como está participando da disputa de samba-enredo na Mangueira, devido ao tema, faria a mesma coisa em outra escola que tivesse optado por homenagear o Cacique de Ramos.

"Estou disputando samba na Mangueira pelo enredo que a escola escolheu. Se qualquer outra agremiação tivesse escolhido este tema, estaria lá da mesma forma", explicou.

Noca que faz parte da família portelense há 46 anos elogiou o enredo escolhido pela agremiação para o Carnaval de 2012.

"A Portela escolheu um enredo muito bonito. Me deu até saudade de compor para a escola", confessou.

A Portela levará para a avenida em 2012 o enredo "E o povo na rua cantando...É feito uma reza, um ritual", desenvolvido pelo carnavalesco Paulo Menezes.

O cantor e compositor garantiu ainda que no próximo Carnaval pretende desfilar nas duas agremiações, Mangueira e Portela.

"Vou desfilar na minha Portela, e na Mangueira também. A disputa é só na avenida, aqui fora somos todos amigos", afirmou

Foto: DivulgaçãoApós 10 anos sem gravar, Noca está lançando de forma independente o CD "Cor da minha raça", produzido por Rildo Hora. Fazendo shows por todo o Brasil, ele disse que está muito satisfeito com o novo trabalho.

"Estou numa felicidade incomum. Estou lançando meu CD independente que foi produzido pelo Rildo Hora. Estive em Brasília, neste final de semana, com as casas lotadas para me receber. Vou passar também por São Paulo, Belém, Belo Horizonte, Recife e Natal", informou.

O sambista já foi campeão na disputa de samba-enredo na Portela por seis vezes. Ele tem 56 anos de carreira e possui mais de 300 sambas gravados.

SINOPSE DA PORTELA

A Portela divulgou, na noite desta terça-feira, a sinopse do enredo "E o povo na rua cantando... É feito uma reza, um ritual", de autoria do carnavalesco Paulo Menezes e Marquinhos de Oswaldo Cruz. O texto foi apresentado na sede da Portelinha, já que a quadra da azul e branca está fechada para obras.

Confira a sinopse:

Pequena Prece ao Senhor do Bonfim
Salve, meu Pai Oxalá, Meu Senhor do Bonfim!
Senhor do branco, pai da luz.
Força divina do amor...
Epa Babá!
Meu pai, "... sou filha de Angola, de Ketu e Nagô
Não sou de brincadeira
Canto pelos sete cantos
Não temo quebrantos
Porque eu sou guerreira
Dentro do samba eu nasci,
Me criei, me converti
E ninguém vai tombar a minha bandeira."

E venho a ti pedir sua benção e proteção, e pedir, também, licença aos meus padroeiros, para conduzir a minha águia altaneira, o meu altar do samba, até a sua presença.

 
Sabe, meu senhor, sempre fomos muito festeiros, muito devotos, e gostaria muito que o meu povo conhecesse o seu povo e a sua maneira de festejar, de reverenciar a sua crença, a sua fé.

Por muitas vezes cantei a Bahia, agora chegou a hora de mostrá-la.

"... essa Bahia gostosa
Cheia de encanto e feitiço
Que deixa a gente dengosa
E a gente nem dá por isso"

Bahia que tem o dom de encantar.

 
Terra em que o branco e o negro, o sagrado e o profano, o afro e o barroco se misturam e se tornam uma coisa só. No mar da Bahia, tudo e todos se misturam.

 
Bahia de vários corações... sagrados corações.

Terra de cores, cheiros e temperos.

Terra de festas e de fé, de santos e orixás.

Terra de samba.

Terra de amor e devoção.

A Bahia é festa o ano todo e o povo vai pra rua manifestar a sua fé.

 
"... E esse canto bonito que vem da alvorada."

Alvoradas, missas, procissões, afinal "quem tem fé vai a pé".
Novenas, flores, fitas, águas e perfumes.
Cortejos, fiéis e cânticos.
Velas, orações e adoração.
Gente que dança!
Tambores e atabaques, samba de roda, batucadas.
Comidas, pois festa sem comida não é na Bahia.
Gente que canta!
Canta pro santo, canta pro orixá. Canta para os dois ao mesmo tempo. É o sincretismo se fazendo presente.
Louva a alegria, a liberdade, a esperança.
Gente que pula!
Pula como pipoca, como cordeiro, em blocos e trios. Transforma as ruas em um mar branco, de paz.
Mar branco, mar vermelho, mar azul. Bahia é feita de mar, é feita de água.
Gente que louva!
Beatos, filhos-de-santo, padres, mães-de-santo, fiéis e iaôs, todos juntos num mesmo ideal. Deuses e mortais, passado e presente.
Altares e terreiros, tudo é mistério. As divindades tão próximas e tão íntimas. O milagre da cumplicidade com o sagrado.
A luz dos orixás refletida nos olhares.
"... Tem um mistério que bate no coração
Força de uma canção que tem o dom de encantar."
É dia de festa na Bahia. Não importa como começou. Não importa se um dia tudo vai terminar, pois o riso e o gesto já estão gravados na eternidade, no céu e no mar.
Bem aventurados todos aqueles que puderem ver a Bahia em festa.
E neste momento, meu Senhor, vejo que tudo aquilo que move o baiano: a fé, a alegria, a esperança, a crença e a devoção, move também o meu povo, o portelense.
Um povo que nunca desiste, vive a sorrir e a festejar.
E que essa Bahia que é de Todos os Santos, seja a partir de então dos santos da Portela também, que eles passem a fazer parte do seu panteão, estendendo sobre eles o seu divino manto e nos conduza a um desfile triunfal sobre o altar do carnaval.
Bem aventurados aqueles que puderem ver a Portela em festa.

Afinal,
Sou Clara,
Sou Portela,
Sou Guerreiros,
Sou Amor!

Salve o manto azul e branco.
Amém!



Paulo Menezes
Enredo: Paulo Menezes e Marquinhos de Oswaldo Cruz



Veja algumas imagens da noite de apresentação da sinopse para 2012

Foto: Ary Delgado
Foto: Ary Delgado
Foto: Ary Delgado
Foto: Ary Delgado
Foto: Ary Delgado
Foto: Ary Delgado
Foto: Ary Delgado
Foto: Ary Delgado
Foto: Ary Delgado
Foto: Ary Delgado
Fotos: Ary Delgado


terça-feira, 19 de julho de 2011

SINOPSE DA UNIDOS DA TIJUCA

G.R.E.S. UNIDOS DA TIJUCA – 2012




Unidos da Tijuca







O DIA EM QUE TODA A REALEZA DESEMBARCOU NA AVENIDA PARA COROAR - O REI LUIZ DO SERTÃO


“Quero ser lembrado como o sanfoneiro que amou e cantou muito seu povo, o sertão;

que cantou as aves, os animais, os padres, os cangaceiros, os retirantes,
os valentes, os covardes, o amor.”
Luiz Gonzaga

Toca a sanfona porque a festa vai começar!

Abre e fecha esse fole que a comitiva vai chegar
A Avenida é a estrada que leva sertão adentro
E ninguém que aqui está esquecerá esse momento.

De lembrar que, em noite de estrela, nasceu um rei no sertão

Que virou majestade de tanto ensinar o baião
Andando e cantando a história de seu povo
Cem anos depois, ele vai ser coroado de novo.

Convidamos reis e rainhas pra mostrar que desde menino

Luiz Gonzaga, o Lua, já tinha de astro o destino
Mostrava o sorriso e a alegria, cantava e dava lição
Mas lá no fundo guardava saudade no coração.

Senhoras e senhores, o roteiro dessa viagem

Leva a terras distantes, onde um povo de coragem
Desafia a seca e a poeira, do barro ganha a vida
Esculpe a terra, tece a renda, de sol a sol nessa lida

No mercado, montam a banca e é bonito de se ver

E de tudo que há no mundo, nele tem para vender
Cores, cheiros, sabores da cultura nordestina
Lá se compra toda a sorte dessa vida Severina.

Segue o comboio real, vai cruzando o caminho

No lombo do burro, chega às terras de Vitalino
O mestre da escultura, que todo mundo copia
Bonecos que contam a vida, as coisas do dia a dia.

Mas pra conhecer o sertão, é preciso ter coragem

Atravessar a caatinga, seguir em frente a viagem
Pedir benção, rezar com fé, ser beato, ser romeiro
E reunir com toda a tropa, lá na Missa do Vaqueiro.

Senhores, rainhas e reis, o Rei do Baião anuncia

Que, depois de tanta reza, vai crescer a valentia
É pegar a beira do rio, é ser Lampião e Corisco
Pra conhecer a beleza do Vale do São Francisco.

Andar pela margem pra ver a vida que brota dos rios

O Velho Chico crescendo, com água que vem dos baixios
A cana, os frutos, o gado, o canto do passarinho
Cantar a saudade do rei, desse tempo de menino,

Toca a boiada, vaqueiro! Segue em guarda o cangaço

Que cada afluente que corre do Velho Chico é um braço
Desce pro sul até ver carrancas que trazem a sorte
A cara feia que espanta não deixa ter medo da morte.

“Simbora” que vem a noite, é hora de ver balão

Que as festas já começaram, tem “arraiá”, tem quentão
São José foi no plantio, na colheita é São João
A quadrilha já tá pronta, vai ter forró e baião.

E a sanfona anima o povo, todos vão se apresentar

Pra comitiva real, ao som do fole brincar
Bumba meu boi, maracatu, frevo, pagode e reisado
E tudo que precisar pra gente ficar animado.

Foi cantando pelo sertão que Gonzaga virou rei

De tanto cantarem junto, sua canção hoje é lei
Da poesia na praça, da valentia e coragem
Sua lição ganha as rádios, difunde sua mensagem.

Nas estações onde passa, vai contando sua vida

Espalha alegria e raça, hoje ganha a Avenida
E a Tijuca agora brinca e pra todo o mundo diz
Que a estrela de Gonzaga no céu descansa feliz.








Paulo Barros (carnavalesco)

Isabel Azevedo
Simone Martins
Ana Paula Trindade

LESGA DEFINE ORDEM DOS DESFILES DO GRUPO DE ACESSO

Foto: Ary DelgadoA LESGA promoveu uma noite de festa no Scala, no Centro do Rio, para o sorteio da ordem dos desfiles dos Grupos A e B, na noite desta última segunda-feira.

O evento foi iniciado com show de pagode, que animou os presentes. O clima era de muita animação e confraternização entre os integrantes das escolas.

Os presidentes das agremiações do Acesso subiram no palco por volta de 22h e o sorteio foi iniciado. Pouco antes das 23h, o sorteio foi finalizado e o fechamento da festa ficou por conta da bateria da Renascer de Jacarepaguá, que estreia no Grupo Especial em 2012.

Foto: Ary Delgado


Confira como ficou a ordem dos desfiles do Grupo de Acesso A:
1ª Paraíso do Tuiuti
2ª Acadêmicos da Rocinha
3ª Estácio de Sá
4ª Inocentes de Belford Roxo
5ª Império da Tijuca
6ª Viradouro
7ª Santa Cruz
8ª Império Serrano
9ª Cubango



Veja a ordem dos desfiles definida para o Grupo de Acesso B:
1ª Vila Santa Tereza
2ª União de Jacarepaguá
3ª Sereno de Campo Grande
4ª Alegria da Zona Sul
5ª Arranco do Engenho de Dentro
6ª União do Parque Curicica
7ª Mocidade de Vicente de Carvalho
8ª Tradição
9ª Caprichosos de Pilares
10ª Unidos de Padre Miguel
11ª Difícil é o Nome



Presidentes e representantes das escolas se mostraram satisfeitos com resultado do sorteio

Logo após o término do sorteio que definiu a ordem dos desfiles dos Grupos de Acesso A e B, logo após o sorteio representantes das agremiações, que participaram no palco, demonstraram boa aceitação com a odem definida.

Cezar Thadeu, presidente da Caprichosos de Pilares, aceitou bem a nona colocação da escola e disse que os integrantes estão otimistas. " A Caprichosos está esperançosa. Qualquer coisa que vier para a gente será bom. Estou confiante"

O carnavalesco da Inocentes de Belford Roxo, Wagner Gonçalves, representou a agremiação no sorteio e aprovou a posição da escola. "Vamos sair do lado dos Correios. Vai ser bacana, vai ter bastante apelo popular. Eu estou animado, acho que vai ser bom".

Pelé, presidente da Cubango, que passou recentemente por um desentendimento com a Liga, que puniu a escola de Niterói, mas posteriormente, retirou a punição, disse que o resultado do sorteio era o que ele esperava. "Era o meu objetivo. Bola dois nem pensar. Era o que eu queria, desfilar no lado dos Correios e fechar o desfile".

Presidindo o Império Serrano há poucos meses, mas já promovendo diversas inovações, Átila Gomes disse que ficou satisfeito em ver a escola da Serrinha ser a penúltima a entrar na avenida. "Maravilha para a gente. O Império tem torcida, tem povo, tem chão. Trabalhar a qualidade dos carros alegóricos. Poderia ser a quinta, a sexta, a sétima. Mas tá bom, estamos aqui para isso. Fiquei satisfeito", disse.



Confira mais fotos do evento:

Foto: Ary Delgado
Foto: Ary Delgado
Foto: Ary Delgado
Foto: Ary Delgado
Foto: Ary Delgado
Foto: Ary Delgado
Foto: Ary Delgado
Foto: Ary Delgado
Foto: Ary Delgado
Foto: Ary Delgado
Foto: Ary Delgado
Fotos: Ary Delgado

SINOPSE DA SÃO CLEMENTE

Foto: Reprodução de Internet
São Clemente


A São Clemente divulgou, na noite desta segunda-feira, a sinopse do enredo para o Carnaval 2012. A escola da Zona Sul vai entrar na avenida com o enredo "Uma aventura musical na Sapucaí", que vai abordar os musicais que mais fizeram sucesso no mundo.

Confira o texto na íntegra:

A São Clemente tem uma espécie de dever: dever de sonhar, e sonhar sempre!

E assim nossa Escola se constrói em ouros e sedas,
Inventa palcos, cenários, para viver o seu sonho:
Lutar quando é fácil ceder, vencer o inimigo invencível, negar quando a regra é vender; voar num limite improvável, tocar o inacessível chão!
(Do musical Homem de La Mancha, e da Poesia de Fernando Pessoa)
 

ENREDO: UMA AVENTURA MUSICAL NA SAPUCAÍ

Na escuridão do terceiro-sinal, foco de luz no mestre-maestro, delirantemente aplaudido pela gente que vai assistir a aventura musical. Silêncio.

Prólogo: Seguindo o apito e a batuta, a orquestra no recuo do fosso ataca, e há música encantadora no ar; é quando a cortina amartelo-negra abre-se lentamente! "Gatos" (Cats) esgueiram-se na arqiubancada/plateia, e vão evocando as "Memórias", refazendo a História: "Senhoras e senhores, bem0vindos ao dedfile do ‘Teatro Musical Brasileiro’! E por quê apaixona-se a São Clemente pelo início do teatro musicado no Brasil? Porque, como ela, as operetas curtas daquele tempo eram satyíricas, críticas e irreverentes. E aproximavam o povão da mais fina arte! Influência francesa que geros nos trópicos, um ‘u-lá-lá’ pra lá da malandragem. Mais ou menos 1850. bom humor era tudo, rapidez rimava com qualidade, e, para quem entende, um pingo é letra: a parisiense nasceu na Lapa, e ia da canção, do xote à valsa, da marzurca ao tango. Só no truque da ingênua maliciosa, e o diabo que a cerregue lá pra casa!".

Luz em resistência. Um astro vai descendo a alegórica escadaria de luzinhas piscantes, acompanhado daquilo que secretamente nos bastidores chamamos da sua "Comissão de Frente": lindíssimas vedetes, em maiôs cavados com franjas de diamantes falsos e transparência sobre os seios, escoltadas por bailarinos, luxuosamente vestidos em fraques. A vida é um "Cabaret". Ouve-se a voz so Mestre de Cerimônia: "Ora, se os desfiles de Escolas de Samba são os maiores dos musicais de que se tem notícia, nada melhor que esta grande aventura musical clementiana falar em ritmo de samba, de como viveu e vive esse grande e longevo negócio, que reúne na ribalta empresários, artistas, técnicos: a tal gente do show business - Nós! Avante legítimas representantes carnavalizadas desta verve, as Comissões de Frente, espetáculo à parte na Avenida, quando sobem pernas, arrancam roupas, despertam o aplauso e o inesperado acontece: é a Broadway tupiniquem! A abertura é mágica!".

O palco/passarela abre-se, e sobe o espetacular elevador com a sua montanha verdejante onde "A Noviça Rebelde" rodopia, cantando para as suas crianças que a "Mùsica, é Divina Música": "Precisa de dinheiro para botar o bloco na rua, levantar cenários, contratar estrelas, fazer figurinos, vender bilhetes e acender a rica luz: aí o prazer do público é total, quando a beça Estrela seminua com cara de safadinha, faz biquinho e começa solfejando os acordes".

Desce da escuridão do urdimento a magistral teia com a "Mulher Aranha", arrebatadora Rainha e Madrinha da Companhia. Das laterais, no chão surgem as mulatas com o estonteante figurino "Sopro de Purpurina". O primeiro setor de assentos, em suspense, puxa o fôlego, sem acreditar na tamanha opulência flutuante sobre si. Confetes prateados caem salpicados. A aracnídea está em êxtase, pendurada quase solta no espaço, e declama coquete: "Leques de plumas abanam em glória a primeira das grandes: Chiquinha Gonzaga! E o Brasil era cantado em prova, verso e música em 1885, com um pé no caipira e outro na cidade grande. Festa de São João, conversa de botequim, prosa de malandro, vida de bairro, amor feliz. Artur Azevedo apareceu logo depois, saindo através de uma cortina de gotas de vidro: adorava meter o pau (ui!) no político-social, sem jamais esquecer "pernas à mostra e seios nus...". Igualzinho ao carnaval! Olhar bem humorado, uam forma de ver a vida: temas alegres, língua apimentada e um bububú no bobobó. Duplo sentido, para um povo cujo sexto sentido avisava que de perto ninguém é normal".

Uma parede de elásticos brilhosos é atravessada por ritmistas, quando ouve-se a sirene: - Teatro?, pergunta a "Bela". - Musical?, devolve a "Fera". - Sapucaí!, Exclamam os dois juntos. Entre românticos balanços de flores, o casal avança na narrativa: "A cena, a dança, a cantoria. Sopravam ventos de influência da Liberdade, América, numa revolução cenográfica e coreográfica. Tiraram a orquestra, botaram a banda, e o público exigia que arrancassem as meias daquelas pernas que eles queriam ver em pele. E veio a fantasia musicada na Praça Tiradentes: era hora das estrelas de primeira grandeza dando ataque e atraindo multidões, divas da pá virada em decotes abissais e rabo de penas raras. Fila na porta, empurra-empurra e o ingresso a tapa: todos pagavam para ver a belíssima e talentosa Loura falsa".

Do Balcão da Casa Rosada, envolta na fumaça de gelo-seco e construído do papelão e compensado, "Evita" abre os braços. E, em vez de cantar "Não Chores por Mim Argentina", inesperadamente faz seu tributo de amor ao musical brasileiro, porque o espetáculo não pode parar (a não ser na frente do júri), e continua dobrando a esquina: "Foi aí que o jogo avançou: girou a roleta do Cassino, porque o Brasil Pandeiro esquentava seus tamborins e fazia os dados rolarem: todo o país queria Rosetá e em 1945 Walter Pinto mandava: "Canta Brasil". E não é que o país resolveu investir? A maquinaria espetaculosa em efeitos de cena se tornou tão importante quando as Estrelas. Abre e fecha, sobe e desce, acende e apaga, ou dá ou desce! Deus é brasileiro, e do limão estrangeiro fez-se uma limonada à tropicália, e o Brasil conhecia o Brasil. Deu tão certo que o mito grego de Orfeu, quem diria, foi parar na favela brasileira; e a querida senhora Pigmaleão armou sua barraca de feira por aqui. Com Carlos Machado o musical brasileiro alcança sucesso internacional".

Uma gaiola espelhada é trazida pelo ciclone do "Mágico de Oz" e dentro está a menina Dorothy. Guardas com cassetetes de strass batem no pobre Homem de lata. "os Miseráveis" surgem pelas laterais, tentamdo socorrer. Parte triste da História, tentam calar os Musicais Brasileiros: " A língua do Zé-Povinho estava afiada e fazia anedotas com a vida dos poderosos. Tudo devidamente amordaçado pela censura, que fez a cortina fechar pelos idos dos 60. Proibido proibir deu nó em pingo d’água e fez a tigresa (Sonia Braga) estrelar e deixar todo mundo de cabelo (Hair) em pé, tal a força deste libelo, que duas vezes o Brasil aclamou seduzido por tanta qualidade ideológica e musical. Acordes para os hippies. Faça humor, não faça a guerra, nós temos um sonho: deixe o sol entrar! Foi uma Roda-Viva para os brasileiros, cuja profissão sempre foi a esperança. Como Calabar resistiram, a Gota d’água no oceano da incompreensão".

Deitada numa lua de paetês surge "Vitor ou Vitória". A indecifrável fala sobre gays, machões e lembranças musicadas: "Nisso jogaram gliter. Anunciada a era e Aquarius, houve o rompimento, a mudança, a fuga dos padrões e a busca do novo. Deboche de músculos másculos, pernas cabeludas, cílios postiços e saltos altos. Foi com os Dzi croquetes que devolvemos à Europa o que dela tínhamos recebido um século antes: o vigor do teatro musicado, desta feita, andrógino. Mas isso era só um lado da moeda. Faltava um pedaço, aquela marca de pegador do brasileiro, do machão que não é Mané. E a sacada da Ópera do Malandro foi fazer do Brasil um bordel, quando o homem brasileiro assumiu de vez sua vocação para o cantar, dançar e interpretar. No rodopio dos 80 e 90, do conteúdo político partimos para revisitar os mitos de nossa música popular. Ganhou o samba, que viu de novo Assis Valente, as Irmãs Batista e Elizeth Cardoso, revividas e exaltadas em grandes montagens; a música popular brasileira virou fio condutor de uma torrente de paixões".

Todo o elenco internacional de imorredouros personagens, para sempre em nossos corações, estão em cena. Entraram Arlequins, Pierrots e Colombinas para receberem calorosos a carroça brasileira dos Saltimbancos, que fez cantar gerações seguidas de crianças, e "Sassaricando, e o Rio inventou a Marchinha...". O flash, a emoção do sassarico, porque sem sassaricar, esta vida é o "ó"! Maria Escandalosa junto com a Galinha e o Jumento, brasileiríssimos, cantam "Yes, Nós temos Bananas". Pós modernos, falam da virada do terceiro milênio.: O Brasil e o mundo, a aldeia global fazendo prosperar abaixo da linha do Equador o que antes era reserva de Nova York, Las Vegas, Paris e Londres: o trânsito de diretores, produtores, autores, a festa das plateias brasileiras. O mistério extraordinário do musical: Raia equilibrava-se na pequena Loja dos Horrores; esfregávamos os olhos para saber se era verdade que a mesma Bibi que cantava o pequeno pardal Piaf, também se rasgava nas estranhas ao cantar os fados de Amália; Marília podia ser Dalva de Oliveira ou Elis, ou todas Elas por Ela; e agora José Mayer é o definitivo Violinista no Telhado.

Grande dança final, com toda a companhia executando impecavelmente a marcação coreográfica e o canto afinado do Samba-Enredo. Ciclorama da vida, mágica do Teatro, entretenimento profissional apaixonado. A fagulha que restará eterna. Milhares de microlãmpadas formam palmeiras artificiais, orgulhosas de serem simulacros. Micos leão dourados de acetato caem penduradas. "Deus lhe pague": "Dizer que conseguimos copiar de maneira impecável as montagens estrangeiras é pouco: damos um passo à frente, vamos além da virtuose técnica, adicionamos à perfeição deles o chica-chica-boom da gente bronzeada que faz pulsar o já montado, de maneira diferenciada. Há um quê de povo renovador em nós".

Epílogo: surge o Fantasma da Ópera voando a bordo de seu colossal lustre de cristal. Por trás da mascar misteriosa, há uma lágrima verde-amarela, de amor a esta gente incansável que monta Musicais. São os sonhadores: "Musicais são janelas para o imaginário de um povo, cuja qualidade é viver no País das Maravilhas. Que a Ópera de Paris seja a Marquês de Sapucaí e que o fantasma vague em nossas memórias, reafirmando o direito ao sonho. Mascaradas, faces de papel em desfile, é chegada a hora. Avante brincantes do mundo do carnaval musical, pois não há, no mundo dos humanos, gente parecida contigo. Vai ter fim a infinita aflição, e o mundo vai ver uma flor brotar, do impossível chão!".

Feliz é a São Clemente, que da grandeza deste gênero faz o seu carnaval. Feliz meu samba, que sai pela vida em alegria incontida, nessa maravilha aventura musical.

Revoada de graças translúcidas parte em direção ao por do sol, no infinito. O perfil de Carmem Miranda vai beijando Renato Russo, até desaparecer no Black-out.

Cai o Pano.
 

Fábio Ricardo
São Clemente 2012

Pesquisa: Tânia Brandão e Marcos Roza

segunda-feira, 18 de julho de 2011

GRACYANNE BARBOSA É A NOVA RAINHA DE BATERIA DA UNIDOS DA TIJUCA

Identificação e comprometimento com a escola. Na opinião de Fernando Horta, esses são os requisitos básicos para ocupar o posto de rainha de bateria da Unidos da Tijuca. O dirigente disse   o que espera de Gracyanne Barbosa, nova musa dos ritmistas da agremiação do Borel. A ex-dançarina de axé substituirá a apresentadora Adriane Galisteu, que desde 2007 reinou à frente da Pura Cadência.

- Não acredito que a comunidade vá se opor à chegada da Gracyanne. Isto geralmente não acontece na Tijuca. O fato de ela já ter sido rainha em outras escolas não influenciará. Até por que acho que ela é mais comunidade do que a Galisteu. A Gracyanne é mais povão – disse Horta.
Já para mestre Casagrande, comandante da bateria tijucana, a nova rainha já mostrou ser uma pessoa do samba.

- É uma pessoa ligada ao Carnaval. Galisteu vai fazer falta, mas foi bom para a escola. A Gracyanne já provou, pelo desempenho em outras escolas, que é do samba. Infelizmente a Adriane não esteve muito presente nos ensaios e isso acaba pesando. Ainda não conheço a Gracyanne pessoalmente, mas me parece ser uma pessoa legal – afirmou Casão que, apesar de ainda não saber a data da festa de recepção à nova rainha, adiantou que bolará uma homenagem em conjunto com os ritmistas.

Antes de chegar à Unidos da Tijuca, Gracyanne já foi rainha de bateria do Acadêmicos do Salgueiro, Estação Primeira de  Mangueira, Unidos de Vila Isabel e Paraíso do Tuiuti.

De fato havia algum tempo que se especulava a saída da talentosa ex-rainha, seu reinado foi digno! Galisteu é uma dessas rainhas de bateria que quando pisa na Sapucaí além de levar o público a loucura, é simpática e traz uma boa energia à agremiação, tem estilo, canta o samba, gosta do que faz, mas o carnaval não é apenas isso, não dá para se ter uma rainha que só pode estar presente quando existem fotógrafos, imprensa ou marketing, o samba não é isso. Tem que ter paixão, se envolver, andar pela quadra em dias de ensaio, reinar de verdade à frente dos ritmistas, e não é fácil ser rainha de bateria, tem gente por aí que usando um salto alto, dando uma reboladinha e gastando em média R$ 100 mil numa fantasia, se acha digna de representar uma escola de samba. Seria muito bom se esta atitude do presidente da escola do Borel contagiasse outros presidentes por aí a fora....muita coisa boa ia acontecer.

Quanto ao talento de Gracyanne, tem gente que gosta e tem gente que não gosta! Particularmente  acho que ela melhorou, e muito!!!!! De certa forma, com toda admiração que tenho por Galisteu, acho que por conta do fator presença na agremiação, a escola acertou a indicação da nova rainha.

Axé!

RAYMONDH JÚNIOR
twitter - raymondhjunior

sábado, 16 de julho de 2011

TEMPO DE SINOPSES

Por Rachel Valença, colunista do site Carnavalesco...

Quem gosta de samba e acompanha a vida das escolas de samba não pode se queixar de tédio. O desfile é em fevereiro, raramente no início de março. Mas o calendário de atividades se desenrola ao longo do ano e temos, sucessivamente, a partir de março, a distribuição dos profissionais pelas agremiações - popularmente conhecida como troca-troca -, em seguida eleições em algumas agremiações, depois especulações sobre enredos e patrocínios. Em junho e julho começam a aparecer as primeiras sinopses de enredos.

Para quem, como eu, adora samba-enredo, esse momento é muito importante, porque a sinopse é a ponte entre carnavalescos e compositores. De muito tempo para cá estou convencida da importância de uma boa sinopse para a criação de um bom samba-enredo. Pois é fundamental que os compositores entendam o desdobramento e o enfoque do enredo, e principalmente que esse enredo toque sua alma, despertando a inspiração.

Sim, eu ainda acredito na inspiração. Embora a técnica que reduziu as parcerias a escritórios seja hoje uma realidade, eu me recuso a acreditar em um processo tão burocrático quanto o nome escritório sugere. Samba-enredo é arte e como tal não pode prescindir de inspiração. Então, é fundamental que a sinopse tenha um quê de poesia, que não seja estritamente a narrativa de uma sucessão de fatos e conceitos.

A dificuldade reside exatamente no fato de que a grande maioria dos carnavalescos tem familiaridade com a expressão plástica e não com a expressão verbal. Sendo artistas plásticos, sua linguagem é visual, ou seja, se comunicam pelo que criam e mostram, não por palavras. Seu pensamento não é em geral lógico-discursivo. Felizmente, porque senão o espetáculo seria chatíssimo. O problema é que a sinopse se faz com palavras, tal como o samba-enredo. E o carnavalesco, salvo honrosas exceções, não transita bem no reino das palavras

Atingir a medida certa e o equilíbrio nem sempre é fácil. Clareza é fundamental, mas uma sinopse excessivamente lógico-discursiva pode gerar sambas pouco criativos. O outro extremo, uma sinopse muito criativa mas distante do factual pode confundir a cabeça dos poetas, ainda mais porque hoje em dia há enredos muito bizarros, muito afastados do cotidiano deles e do nosso também...

Talvez em virtude dessas dificuldades, tornou-se comum atualmente a terceirização da elaboração da sinopse: ou o próprio carnavalesco tem em sua equipe alguém capaz de traduzir em palavras o que lhe passa na cabeça, ou a própria escola conta com um Departamento Cultural que assume a tarefa. E há casos até de contratação de um "fazedor de sinopse" profissional (ou quase).

Na minha modesta experiência de carnaval, tive a felicidade de trabalhar com carnavalescos muito preparados, capazes não apenas de desenvolver de forma inteligente enredos seus ou enredos de terceiros, mas até de verbalizá-los com clareza e emoção em sinopses que ajudaram os compositores a criar com sucesso. Eram, além disso, pessoas muito abertas ao diálogo, que aceitavam sugestões e observações e as incorporavam com gosto e sem vaidade. Destaco especialmente Rosa Magalhães e Paulo Menezes, que me proporcionaram prazer e aprendizado ao acompanhar sua inteligente criação.

Estamos em meados de julho e já tive acesso às sinopses de oito escolas do Grupo Especial. Cinco ainda não foram divulgadas, tanto quanto estou informada. Para que os compositores disponham de cerca de um mês para criar, acho que já seria hora de termos todas elas, já que a disputa costuma durar dois meses e as finais acontecem em outubro. Por isso, até o final de julho creio que já contaremos com todas elas e vamos voltar ao assunto para comentá-las.

PROJETO PORTELA 2012

Portela


Após longa espera por novidades da Portela, a azul e branca abriu o jogo e revelou todo o trabalho que já está sendo desenvolvido, bem como as novas instalações da escola. A entrevista que você vai ler a seguir, na íntegra, foi concedida ao site www.guerreirosdaaguia.com.br, pelos diretores de Carnaval Júnior Scafura e Alex Fab.
Segue trechos da entrevista...

Desta vez não foi "um passarinho" que contou. Foi uma águia mesmo.

Aliás, duas.

Após o carnaval passado, chegou a ser anunciado que eles pediram desligamento de suas atividades como diretores de harmonia da escola. Em solidariedade, outros nomes de peso da Portela supostamente também teriam saído. No disse-me-disse gerado pela imprensa, a torcida Guerreiros da Águia encabeçou uma manifestação na sede da LIESA, protestando e pedindo que alguma intervenção salvasse a Portela de um desastre futuro. A saída foi, então, a conciliação interna. Alex Fab e Júnior Escafura foram convidados a assumir a direção de carnaval da escola, com liberdade para tramitar em todas as áreas referentes à confecção do espetáculo e à produção do desfile.

Tranquilos, polidos e muito otimistas, os novos diretores de carnaval da Portela - novos nesse ofício, mas com larga bagagem e inegável "DNA de águia"- decidiram abrir o "jogo feito" e mostrar a "banca forte" da Majestade do Samba para 2012.

A equipe de reportagem da GUERREIROS DA ÁGUIA vai informar, agora, em primeira mão, o que nenhum dos sites especializados informou. A Portela foi a primeira escola do Grupo Especial a fazer a desmontagem completa de seu barracão. A Portela já discutiu roteiro de enredo. Apesar da quadra em obras, a Portela tem um espaço administrativo de três andares nas proximidades de seu endereço principal, na Rua Clara Nunes, e três endereços para ensaiar. A Portela tem um atelier estruturado de dois andares sediado na área do Cais do Porto, frontal à Vila Olímpica da Gamboa. A Portela já enviou, há um bom tempo, artistas para a Bahia para pesquisar a estética de trabalho do enredo. A Portela já tem os profissionais de desenho completamente empenhados nos trabalhos de figurino e alegorias. Um panorama evidentemente muito diferente do que se viu nos últimos anos.

Embora de forma "invisível", as coisas estão acontecendo, para surpresa dos que questionaram a "demora" no anúncio oficial do enredo "… E o Povo na Rua Cantando. É Feito Uma Reza, Um Ritual…". Os diretores de carnaval assumiram os trabalhos com seriedade, buscando o profissionalismo na gestão da escola para que venham os resultados na apuração. "A Portela não está brigando para vir entre as campeãs. A Portela 2012 quer brigar para ser a campeã!" - afirmou um animadíssimo Júnior Escafura, sem denotar um pingo sequer de presunção, mas com o gesto firme de quem acredita nos resultados do trabalho sério que vem fazendo com seu parceiro.

- A Portela vem sendo, nos últimos anos, muito atacada. Pela imprensa, por pessoas que se dizem portelenses e pelos próprios portelenses. É melhor trabalhar em silêncio e mostrar resultado na avenida. Tudo o que acontece na Portela, infelizmente, tem uma repercussão maior. Deixa as pessoas acharem que a Portela está cheia de problemas, que não está fazendo nada, isso e aquilo. Então a gente resolveu trabalhar em silêncio e mostrar resultado na avenida! - concluiu, sem ressentimentos e com muita determinação.

Alex Fab demonstra visão de águia também no que diz respeito à estruturação da escola para a disputa dos títulos:

- No dia em que a Portela alcançar o nível profissional de disputa... com todo respeito às coirmãs, só vai dar Portela! Este é o caminho que estamos buscando! - reitera, confiante. E pondera sobre um dado relevante nessa reestruturação:

- Quando buscamos a vanguarda, estamos simplesmente buscando que a Portela seja o que sempre foi: inovadora, pioneira. A história da Portela mostra isso!

Um dos maiores tormentos da apaixonada torcida portelense é a centralização exagerada da presidência nas questões do barracão. Um item que foi refletido e tem, hoje, um panorama bastante diferente:

- Como diretores de carnaval, é nossa parte atuar junto ao carnavalesco, definindo o tema a ser apresentado. A decisão final é do presidente, claro. Mas nós o orientamos sobre os caminhos interessantes. A questão do segredo e do profissionalismo foi importantíssima nessa decisão. Fomos à Bahia, negociamos o enredo, acatamos as propostas e escolhemos esse enredo. O enredo sobre a Bahia foi o vencedor não só por um desejo maior, mas porque ele nos trará um melhor resultado - explica Alex.




sexta-feira, 15 de julho de 2011

ROMERO BRITTO VISITA A CIDADE DO SAMBA

Esta semana o artista plástico Romero Britto visitou a Cidade do Samba o pintor, que é enredo da Escola de Samba Renascer de Jacarepaguá, estava acompanhado do carnavalesco da agremiação, Edson Pereira, do presidente Antonio Carlos Salomão, além do primeiro casal de mestre-sala e porta bandeira Fábio Junior e Jéssica. Ele também visitou as instalações da Renascer, como mostram as fotos.

Romero foi recebido pelo diretor de Carnaval da Liesa, Elmo José dos Santos. Durante a visita, o artista perguntou sobre o incêndio que ocorreu no dia 7 de fevereiro deste ano e atingiu o barracão da Liesa e de três escolas, sendo elas, União da Ilha, Portela e Grande Rio.

Romero foi levado para conhecer o barracão da Imperatriz Leopoldinense, onde observou tudo calmamente e verificou que os carros estão em processo de desmonte. Em seguida, cumprimentou o presidente da verde e branca, Luiz Pacheco Drumond e o carnavalesco Max Lopes.
Foto: Fernando Azevedo

No barracão do Salgueiro ele foi recebido pela presidente Regina Celi e por Anderson Abreu e Dudu Azevedo, da comissão de Carnaval da escola. Regina e sua comissão fizeram questão de presentear Romero e toda a sua equipe com camisas da agremiação. A presidente aproveitou e convidou todos para conhecer a quadra da vermelha e branca tijucana em dia de ensaio e em dia de feijoada.

Após conhecer os barracões e a estrutura que as escolas do grupo especial têm para trabalhar, Romero se mostrou encantado e admirado com o trabalho das agremiações.

O casal de mestre-sala e porta-bandeira Fábio Júnior e Jéssica disseram que acreditam neste enredo.

"O enredo é muito legal, o Romero é um artista maravilhoso, com obras muito bonitas. Vamos mostar um grande desfile", afirmou Fábio Junior.

"Nosso enredo é criativo. As obras do Romero são lindas, além da história de vida que ele tem. É um grande enredo", completou Jéssica.
Foto: Fernando Azevedo

Já o carnavalesco da Renascer, Edson Pereira, disse ao SRZD-Carnaval em que momento do desfile planeja homenagear as obras do artista.

"Na verdade as obras do Romero me inspiram a todo momento. Mas preciso saber como colocar isso, pois, pelo fato das obras dele serem muito coloridas, preciso tomar cuidado para que não fique um colorido excessivo. Pretendo colocar em um momento específico, quando ele próprio estiver passando na avenida, por exemplo", informou.

O presidente da Renascer enfatizou a necessidade de um local para trabalhar.

"Minha expectativa para o próximo desfile é muito boa. Acredito que nada vai atrapalhar nosso Carnaval. Agora, precisamos de uma solução e saber para onde Foto: Fernando Azevedovamos quando sairmos do Carandiru. Me disseram que em dois meses podemos vir para a Cidade do Samba, eu preciso acreditar nisso. Mas e até lá?", indagou Salomão.

A Renascer foi campeã do Grupo de Acesso A no Carnaval de 2011. Para o próximo ano levará para a Sapucaí o enredo: "Romero Britto: O artista da alegria, dá o tom da folia", desenvolvido pelo carnavalesco Edson Pereira.

No momento, a escola está aguardando a conclusão das obras nos barracões incendiados para fazer sua mudança para a Cidade do Samba. Porém, neste meio tempo, a agremiação precisará deixar o local em que trabalha atualmente, conhecido como Carandiru, para ceder o terreno às obras do Projeto Porto Maravilha.



Veja algumas imagens da visita à Cidade do Samba:
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

RITA RIBEIRO E ALCIONE VISITAM O BARRACÃO DA BEIJA FLOR DE NILÓPOLIS

Foto: Divulgação
Rita Ribeiro, Laíla e Alcione

O barracão da Beija-Flor de Nilópolis recebeu, nesta quinta-feira, dia 14 de julho, a visita da cantora Alcione e da cantora Rita Ribeiro. As duas, que são maranhenses, conheceram à convite do diretor Laíla, as fantasias desenvolvidas pela comissão de Carnaval da escola para 2012. A agremiação levará para a Sapucaí o enredo "São Luís- O Poema Encantado do Maranhão".

"Tenho certeza que o desfile da Beija-Flor vai encher de orgulho todos os maranhenses. Achei tudo lindo, em especial os figurinos das baianas e da bateria", elogiou Alcione.

"Eu assistia os desfiles, mas não imaginava como acontecia o passo a passo para preparar o espetáculo. Fiquei encantada não só com os desenhos que vi, mas, principalmente, com o trabalho de pesquisa que é feito", completou Rita Ribeiro.

As cantoras estarão como destaque, no desfile da azul e branca de Nilópolis na sexta alegoria, que representará a poesia do Maranhão.

Os carnavalescos Fran Sérgio, Ubiratan Silva, Victor Santos, André Cezari estavam acompanhados também, do diretor de Carnaval Laíla, do presidente da Beija-Flor Nelsinho David e da porta-bandeira Selminha Sorriso. Todos receberam as cantoras na Cidade do Samba.

SINOPSE DA VIRADOURO

foto: Divulgação
Nelson Rodrigues
A Escola de Samba Unidos do Viradouro divulgou, nesta quinta-feira, a sinopse do enredo "A vida como ela é, bonitinha mas ordinária... Assim falou Nelson Rodrigues, desenvolvido pelo carnavalesco Alexandre Louzada.

Confira a sinopse do enredo:


Justificativa
Adentrar o universo de Nelson Rodrigues parece tarefa das mais improváveis, porém através de nosso desfile, faremos esta tentativa. Falar de sua vida, de sua obra é lançar um olhar sobre nós mesmos, despidos de todo o senso de pudor.

O certo é ver que apesar de tantos julgamentos a respeito de seu legado, Nelson Rodrigues acompanhou com reflexões profundas a vida do país que ele via a sua frente, como testemunha e ator de eventos cruciais de nossa história recente.

Através de suas frases memoráveis, somamos as suas experiências da vida e seu pensamento a respeito dela. A vida como ela é, reflete este caleidoscópio, multiface de suas opiniões que variam entre o cáustico e o irônico, passando pelo cinismo velado, sobre os tipos cariocas, seu cotidiano e as relações familiares, além da política e claro, a sua paixão, o futebol.

A Viradouro ao apresentar Nelson Rodrigues como tema, ousa retratar de certa forma o pensamento desse grande gênio de nossa literatura e dramaturgia, usando como álibi uma de suas frases: Toda unanimidade é burra!


Nelson,
Sou eu o samba, que te pede passagem, sou a Viradouro a fazer a viagem em seu universo irreverente, aos subúrbios da sua inspiração. Pela lente de seu olhar, serei a realidade inventada, infielmente retratada da vida como ela é, a sua, cruel e crua a girar no carrossel da emoção.

Eis-me aqui qual anjo pornográfico, a desfilar na rua, num delírio de carnaval, a te invadir a alma, te espiar a mente, perverso, eloquente, assim, como quem trai ou mente, não ver a mulher nua, pelo buraco da fechadura. Serei a flor de obsessão que desabrocha, fruta madura regada de drama e humor.

Vou me tornar todas as mulheres, rasgadas das páginas de Suzana Flag, escravas do amor, destinadas a pecar e a amar demais algum homem proibido. Caberá em mim o que é descabido, assassinos passionais, suicidas enlouquecidos.

Viverei aquelas gordas fofoqueiras, viúvas tristes ou solteiras ressentidas, e nelas encarnarei aqui, o flerte, o adultério, o romance fugaz e o eterno amor. Serei a feia, a interessante, a esposa, a amante, engraçadinha, a bonitinha, a dama do lotação ou então quem sabe, Nelson, aquela que morde, a que arranha e aquela que apanha, pura, casta e sem pudor.

Lembrarei de momentos mágicos, do Mário Filho abarrotado, dos domingos ensolarados, de futebol e picolé, serei o Sobrenatural de Almeida, o inexplicável, o oculto que habita a sombra das chuteiras imortais, me tornarei seu craque predileto, sem caráter. Posso ser também Didi, Garrincha e Pelé.

Estarei na torcida que agita, a xingar o juiz ladrão que errado apita, e na bola que se ajeita pro gol daqueles Fla-Flus ancestrais. Entrarei na discussão dos bares com a cabeça cheia, falando dos lances, dos romances da vida alheia e da sua grande paixão, e se preciso for, virarei a casaca, me farei de pó-de-arroz de corpo e alma, e pra te fazer graça, tricolor de coração.

Abrirei as cortinas do seu teatro, sem o embargo da censura, e exporei a arte, a vida, a realidade pura, a lâmina afiada a rasgar a carne da plateia num desafio, e arrancar-lhes o aplauso, ou o asco, ou o arrepio, e até mesmo o silencio da incompreensão. Serei o seu grito na boca de cena, a fala cotidiana da verdade plena, aberta para a consagração.

E morrerei todas as noites, eventualmente duas, aos sábados e domingos em todas as vesperais, na pele de seus personagens, vestirei pra sempre as suas fantasias que bem poderiam ser reais. De vestido de noiva ou em toda a nudez, serei castigado como a serpente, no juízo crítico, inclemente, com ou sem pecado, perdoado e sem perdão, sob as luzes da ribalta, no palco da sua mais incrível imaginação, senhor Rodrigues.

Por fim, iluminarei a grande tela e vou estrelar sua obra, projetando o filme que passou na sua mente, e revelar na Viradouro que seu espírito paira no viver real de nossa gente. Hoje, você é o anjo que nos cuida, anjo escritor, teatrólogo e jornalista, anjo desconhecido, indecifrável; anjo de todos os sentidos, dos escancarados e dos escondidos, de nossa burra, porém verdadeira unanimidade. Obcecado anjo chamado Nelson Rodrigues, que em frases nos define a vida como ela é, bonitinha mas ordinária.


Nelson por Nelson
"Nasci a 23 de agosto de 1912, no Recife, Pernambuco. Vejam vocês: eu nascia na rua Dr. João Ramos (Capunga) e, ao mesmo tempo, Mata-Hari ateava paixões e suicídios nas esquinas e botecos de Paris. Era a espiã de um seio só e não sabia que ia ser fuzilada. Que fazia ela, e que fazia o marechal Joffre, então apenas general, enquanto eu nascia? A belle époque já trazia no ventre a primeira batalha do Marne. Mas por que "espiã de um seio só?" Não ponho minha mão no fogo por uma mutilação que talvez seja uma doce, uma compassiva fantasia. Seja como for, o seio solitário é, a um só tempo, absurdamente triste e altamente promocional.

Mas a belle époque não é a defunta que, de momento, me interessa. Tenho mortos e vivos mais urgentes. Por outro lado, minhas lembranças não terão nenhuma ordem cronológica. Hoje posso falar do kaiser, amanhã do Otto Lara Resende, depois de amanhã do czar, domingo do Roberto Campos. E por que não do Schmidt? Como não falar de Augusto Frederico Schmidt? Seu nome ainda tem a atualidade, a tensão, a magia da presença física. Todavia, deixemos o Schmidt para depois. O que eu quero dizer é que estas são memórias do passado, do presente, do futuro e de várias alucinações". (p.11)

"Toda a minha primeira infância tem gosto de caju e de pitanga. Caju de praia e pitanga brava. Hoje, tenho 54 anos bem sofridos e bem suados (confesso minha idade com um cordial descaro, porque, ao contrário do Tristão de Athayde, não odeio a velhice). Mas como ia dizendo: - ainda hoje, quando provo uma pitanga ou um caju contemporâneo, sou raptado por um desses movimentos proustianos, por um desses processos regressivos e fatais". (p.15)

"1913. O que a memória consciente preservou de Olinda foi um mínimo de vida e de gente. Eu me lembro de pouquíssimas pessoas. Por exemplo: - vejo uma imagem feminina. Mas é mais um chapéu do que uma mulher. Em 1913, mesmo meu pai e minha mãe pareciam não ter nada a ver com a vida real. Vagavam, diáfanos, por entre as mesas e cadeiras. Depois, eu os vejo parados, com uma pose meio espectral de retrato antigo. Mas nem meu pai, nem minha mãe falavam. Eu não os ouvia. O que me espanta é que essa primeira infância não tem palavras. Não me lembro de uma única voz. Não guardei um bom-dia, um gemido, um grito. Não há um canto de galo no meu primeiro e segundo ano de vida. O próprio mar era silêncio". p.15-6)

"Já falei da louca, filha da lavadeira. Foi a primeira mulher nua que vi na minha infância. E, ainda agora, ao bater estas notas, tenho a cena diante de mim. Eu me vejo, pequenino e cabeçudo como um anão de Velásquez. Empurro a porta e olho. O espantoso é que sinto uma relação direta e atual entre mim e o fato, como se a memória não fosse a intermediária. A demente tem a tensão e o cheiro da presença viva. Mas como ia dizendo: - no fundo, encostada à parede, está a nudez acuada". (p.39)

"No primeiro momento, a glória é casta. Desde garotinho, a minha vida fora a desesperada busca da mulher primeira, única e última. No período da fome, o amor passara a um plano secundário ou nulo. Mas a glória é ainda mais obsessiva, mais devoradora do que a fome. Eis o que eu queria dizer: _ com o artigo de Manuel Bandeira, só eu existia para mim mesmo. Tudo o mais era paisagem." (...)

"Sim, ainda me lembro do primeiro dia do artigo de Manuel Bandeira. Depois do trabalho, fui para casa. Tranquei-me no quarto como se fosse praticar um ato solitário e obsceno. Comecei a reler o poeta. Primeiro, repassei todo o artigo, da primeira à última linha. Depois, reli certos trechos. O final dizia assim: - "Vestido de noiva, em outro país, consagraria um autor. No Brasil, consagrará o público". Antes de mais nada, o poeta influiu na minha auto-estima". (p.162)

"Uma meia dúzia aceitou Álbum de família. A maioria gritou. Uns acharam "incesto demais", como se pudesse haver "incesto de menos". De mais a mais, era uma tragédia "sem linguagem nobre". Em suma: - a quase unanimidade achou a peça de uma obsessiva, monótona obscenidade. Augusto Frederico Schmidt falou na minha "insistência na torpeza". O dr. Alceu deu toda razão à polícia, que interditaria a peça; meu texto parecia-lhe da "pior subliteratura.

Assim comecei a destruir os meus admiradores. Foi uma carnificina literária. Mas não me degradei, eis a verdade, não me degradei". (p.215)

"O número de ex-admiradores aumentava. E, pouco a pouco, ia fundando a minha solidão. Fora proibida a representação de Álbum de família. Em seguida, houve a interdição de Anjo negro. De peça para peça, me tornava, e cada vez mais, um caso de polícia. Escândalo nos jornais. E, um dia, encontro-me com Carlos Lacerda. Pediu o meu novo texto: - "Você me dá, que eu escrevo contra a censura". Ótimo. No dia seguinte, fui levar-lhe uma cópia." (...)

"Desde aquela época, cada um, na vida literária, tinha que ser um engajado. Ninguém ia à rua sem a sua pose ideológica. Lembro-me de Isaac Paschoal me perguntando, depois de um discurso de Prestes: - "E você? Qual é a sua contribuição?". Baixei a vista, rubro de vergonha. E, como ainda não contribuíra, senti-me um fracassado nato e hereditário. Daí porque não posso ver, hoje em dia, o Guimarães Rosa, sem uma sensação de deslumbramento. Durante anos, pratiquei a solidão com certo pânico e certa vergonha. E eis que vem o autor de Sagarana e ergue a sua torre de marfim, assim como um cigano põe a sua barraca. Nada existe: - só a sua obra. Estão brigando no Vietnã? Pois o nosso Rosa escreve. Há a guerra nuclear, o fim do mundo? Guimarães Rosa funda outro idioma. A torre de marfim fez dele o maior artista brasileiro do século". (p.218)


(Excertos de A menina sem estrela - Memórias, de Nelson Rodrigues; São Paulo: Companhia das Letras, 1999, Coleção das Obras de Nelson Rodrigues, sob a coordenação de Ruy Castro).

LAÍLA FALA SOBRE O CARNAVAL DA BEIJA FLOR 2012

Os trabalhos da Beija-Flor para o Carnaval de 2012 andam de vento em popa e com muitas novidades. O diretor de Carnaval da azul e branca de Nilópolis, Laíla, falou esta semana sobre a mais recente inovação da escola, em relação aos compositores, a posição de desfile para o próximo Carnaval e, também, o enredo de 2013, que já pode estar encaminhado.

Após o anúncio de que a disputa do samba-enredo da escola terá concorrente maranhenses, a Beija-Flor passou a disponibilizar desenhos de alegorias para que os compositores ficassem mais inteirados sobre o que seria mostrado na avenida.

"Como os compositores estão terminando seus sambas, podem ir ao barracão para que possam sentir de perto aquilo que a gente criou. Os que já foram lá ficaram maravilhados. É uma maneira nova de transmitir o Carnaval e passar para os compositores", disse.
Foto: Ricardo Almeida
Laíla
Foto: Divulgação
Laíla e Fran-Sérgio


Quanto ao sorteio da ordem de desfiles do Grupo Especial, ocorrido há pouco mais de uma semana, Laíla disse que aceitou bem a posição da azul e branca.

"Tudo o que Deus manda recebo de bom grado. A colocação é fantástica e a tendência é fazer um grande desfile para ficar no páreo com as outras escolas", disse, lembrando que agremiações como Salgueiro e Unidos da Tijuca já foram vencedoras do Carnaval desfilando no domingo.

A escola será a penúltima a entrar na avenida, no primeiro dia de desfiles do Grupo Especial, com o enredo: "São Luís - O poema encantado do Maranhão". Laíla garantiu que a agremiação fará uma "abordagem diferente" sobre o tema, que já foi apresentado na Sapucaí em outro Carnaval.

Beija-Flor já pensa no enredo para 2013

Laíla revelou que a comissão de Carnaval da escola esteve em Cuiabá recentemente para estudar ideias sobre um possível enredo para o Carnaval de 2013.

"Há um interesse do Mato Grosso. Agora, depende da diretoria da escola. A nossa parte nós já fizemos. Passamos uma tarde inteira lá e achamos que, pelo pouco que vimos, dá para fazer", disse.

O diretor de Carnaval deixou claro que a decisão não depende da comissão de Carnaval, mas sim da diretoria da escola. Segundo ele, um enredo que inclui aspectos como o Pantanal, pode dar um grande Carnaval.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

LANE SANTANA É O NOVO CARNAVALESCO DA SANTA CRUZ


Lane Santana, carnavalesco


A diretoria da Santa Cruz acertou a contratação do carnavalesco Lane Santana. Ele teve passagens por escolas como São Clemente, Vai-Vai, Renascer de Jacarepaguá, Unidos da Tijuca, Caprichosos de Pilhares e Portela ficará encarregado de desenvolver o enredo e a parte plástica do Carnaval 2012 da Acadêmicos de Santa Cruz.

E não custa nada lembrar que a Santa Cruz passa por um péssimo momento, nos últimos carnavais não mostrou sua força e seu talento costumeiro de outras épocas. Enredos mal desenvolvidos, e alguns até desinteressantes, sambas enredos fracos, comunidade cansada, e uma diretoria dizendo que a escola da zona oeste do Rio está muito bem, esses são alguns dos muitos e grandes problemas da agremiação.

Daqui agente torce bastante, para que a verde e branca volte a sorrir, e muita sorte ao carnavalesco Lane Santana, que costuma se dedicar bastante ao que faz, criativo e muito profissional, vai ter muito trabalho pela frente, mas quem quer ser campeão...não tem outro jeito!

Axé!



RAYMONDH JÚNIOR
twitter - raymondhjunior