domingo, 3 de março de 2013

Anderson Abreu ex-Salgueiro é o novo diretor de carnaval da Mocidade Independente de Padre Miguel


A Mocidade Independente de Padre Miguel anunciou neste sábado a contratação de Anderson Abreu para o cargo de diretor de Carnaval. O profissional ocupou a mesma função na Acadêmicos do Salgueiro nos últimos quatro carnavais. Agora falta definir o carnavalesco para a vaga de Alexandre Louzada, que foi para a Portela.

“A partir de 2010, assumi a direção de Carnaval a convite da presidente Regina Celi, que identificou em mim a capacidade para a função e me deu a oportunidade”, contou Anderson, que estava na Vermelho e Branco da Tijuca há 13 anos e, nos últimos seis, atuou também como carnavalesco da escola mirim Aprendizes do Salgueiro.

Anderson Abreu é o novo diretor de Carnaval da Mocidade | Foto: Divulgação
Anderson Abreu

“Escola de samba não se faz sozinho. Eu detesto o singular quando se trata de Carnaval”, afirmou Anderson. “Precisamos juntar todos os núcleos da escola, baianas, velha guarda, bateria, comunidade... Além disso, as pessoas que estão no projeto precisam acreditar para que se possa fazer um grande trabalho”.

Aos 37 anos de idade, Anderson se diz um admirador da Mocidade e acredita que todo profissional do Carnaval deseja, um dia, trabalhar na agremiação. “A Mocidade sempre foi uma escola de vanguarda e acho que deve apostar no que sempre fez de diferente das outras”, defende o novo diretor de Carnaval. “A escola merece estar em um lugar mais alto e vamos trabalhar para isso”, disse.

Apaixonado pelos bastidores do Carnaval e pelos desfiles da Marquês de Sapucaí, Anderson recorda que, em 1985, ano em que pisou pela primeira vez na Avenida, ficou encantado com a passagem arrebatadora da Mocidade, com seu "Ziriguidum 2001, Um Carnaval nas Estrelas".

sábado, 2 de março de 2013

A porta-bandeira que reinou na Sapucaí em 2013 !


Marcella Alves, porta-bandeira que brilhou na Mangueira
Foto: O Globo / Fábio Rossi
Marcella Alves

Sinônimo de graça e elegância, o casal de mestre-sala e porta-bandeira leva para a avenida a alma da escola. E os melhores saem da Marquês de Sapucaí direto para a calçada da fama do carnaval carioca. Assim se sentiu o primeiro mestre-sala da Imperatriz, Phelipe Lemos, ao saber que, aos 23 anos, foi premiado pelo júri do Estandarte de Ouro.



— Assim que soube, fui conferir a lista de quem já tinha ganhado o prêmio e fiquei muito feliz em ver que meu nome já passou para a história do samba, ao lado de feras que eu admiro desde muito pequeno — disse ele, que, apesar de jovem, já acumula 16 carnavais em nove escolas.

Embora não seja uma novata na premiação — afinal, ela já havia ganhado o Estandarte em 2001, pelo Salgueiro —, Marcella Alves, porta-bandeira da Mangueira, que recebeu este ano seu segundo troféu, sentiu emoção tão intensa quanto a de Phelipe. Há quatro anos na Estação Primeira, em 2013 foi a primeira vez em que ela desfilou com uma fantasia verde e rosa. E foi das cores tradicionais da escola que Marcella acredita ter tirado a energia para obter só notas 10.

Cores que fazem parte da história de Marcella: são as mesmas da agremiação, a Lins Imperial, onde o sonho que ela acalentava de ser bailarina se rendeu ao samba. Ela foi porta-bandeira mirim da escola e, aos 14 anos, estreou no Grupo Especial.

— Este segundo Estandarte de Ouro foi tão gostoso quanto o primeiro — disse.

Fernando Pamplona o carnavalesco revolucionário daquele antigo Salgueiro


Fernando Pamplona, vencedor da categoria especial do Estandarte de Ouro
Foto: O Globo / Thiago Lontra
Fernando Pamplona

O Salgueiro passava majestoso pela Avenida Rio Branco, cantando em seu enredo o pintor Debret. Aquela exibição, no carnaval de 1959, seria a motivação para um dos maiores carnavalescos da história da folia carioca ser seduzido definitivamente pelo universo das escolas de samba. Jurado dos desfiles naquele ano, Fernando Pamplona se encantou com o que viu. Deu a nota mais alta à agremiação da Tijuca, que acabou vice-campeã. Passada a Quarta-Feira de Cinzas, Pamplona recebeu a visita de Nélson de Andrade, presidente da vermelho e branco, e foi convidado a assinar o carnaval da escola no ano seguinte. Estava iniciada uma trajetória que transformaria para sempre os desfiles de carnaval. Cinquenta e quatro ano depois, Pamplona recebe o prêmio especial do Estandarte de Ouro, por toda a contribuição dada ao espetáculo hoje apresentado no Sambódromo.

— O Salgueiro em 1959 cantou um artista, enquanto todas as escolas traziam enredos de capa e espada. Foi diferente, aquilo me conquistou — lembra o artista, que ajudaria a escola a firmar sua fama de singular.

A transformação salgueirense começou logo no carnaval de 1960, o primeiro de Pamplona. Com o enredo “Quilombo dos Palmares”, a escola levou para a avenida pela primeira vez o negro como protagonista do espetáculo:

— Quando Nélson de Andrade me convidou, aceitei, mas disse que queria fazer o enredo. Decidi fazer Palmares. O negro nunca tinha sido retratado pelas escolas. A evolução foi temática.

Do Municipal para o barracão

A revolução nos enredos elevou o Salgueiro ao patamar de potência do samba. Desfiles memoráveis com temática africana, como “Festa para um rei negro”, “Chica da Silva” e “Chico Rei”, foram eternizados pela escola. Ao mesmo tempo, a vermelho e branco criou o lema que ainda hoje lhe serve de diretriz: “Nem melhor, nem pior. Apenas uma escola diferente”.

— Nélson de Andrade tinha mandado fazer uns estandartes com frases. Um deles dizia: “Nem melhor, nem pior do que ninguém. Apenas uma escola diferente”. Tiramos o “do que ninguém” e criamos o lema. O Salgueiro é mesmo diferente — diz Pamplona.

O então professor da Escola de Belas Artes levou para o barracão da agremiação da Tijuca uma turma de acadêmicos na qual foram revelados talentos como Rosa Magalhães, Maria Augusta e Lícia Lacerda. Do Teatro Municipal, onde Pamplona também dava expediente, saíram Arlindo Rodrigues e Joãosinho Trinta. Além da transformação temática, esse time de estrelas faria uma revolução plástica. A concepção de escola de samba nunca mais seria a mesma, e o Salgueiro se sagraria campeão sete vezes num período de 15 anos.

— Nós eramos amadores. Fazíamos tudo por amor. Naquela época, ninguém ganhava um centavo para fazer a escola — lembra Pamplona.

No fim da década de 70, ele deixou o Salgueiro e a função de carnavalesco. Aos poucos, afastou-se do reinado de Momo. Mas, do alto de seus 86 anos, ainda hoje ganha a vitalidade de um menino ao relembrar as histórias dos anos em que deu expediente no barracão do Salgueiro. Parte dessas passagens foi registrada no livro “O encarnado e o branco”, lançado recentemente. O título da obra, que conta a vida do carnavalesco, não é por acaso. Mesmo depois de meio século, as cores do pavilhão salgueirense ainda estão no coração do artista:

— Vermelho e branco é paixão. O Salgueiro é amor. E ponto final.

Jurado do Estandarte de Ouro por muito tempo, ele diz que receber este ano o prêmio especial foi algo curioso.

— Estou muito orgulhoso. Achei inusitado ganhar um prêmio do qual fui jurado. De todos os júris dos quais participei, o do Estandarte é o mais sério. Lembro que as reuniões para decidir os vencedores aconteciam após os desfiles, e às vezes acabavam depois do meio-dia. Ganhar o prêmio, ainda mais numa categoria especial, me deixa mais besta — brinca.


Carnavalesco Roberto Szaniecki não é mais da Grande Rio

Roberto Szaniecki

A direção da Grande Rio decidiu não renovar os contratos do carnavalesco Roberto Szaniecki (foto) e do diretor de carnaval e harmonia Tavinho Novello, o Tavinho, durante reunião na tarde desta quarta-feira.
- Somos muito gratos por toda a contribuição que foi dada por eles no tempo em que trabalharam na escola, mas decidimos formar uma nova equipe para entrar para a Família Grande Rio - afirma o presidente Edson Alexandre.

Eduardo Gonçalves é o novo carnavalesco do Império Serrano

Eduardo Gonçalves

Na noite de terça-feira, o Império Serrano contratou o carnavalesco Eduardo Gonçalves para assinar o Carnaval de 2014. Eduardo esteve à frente do carnaval da Alegria da Zona Sul, nos dois últimos anos, e Unidos de Santa Marta no último carnaval se sagrando campeão no grupo D. Nos últimos 7 anos, ele arrematou 5 campeonatos, sendo 3 consecutivos no Grupo de Acesso. 


O superintendente do Império Serrano, Jener Tonasso, cometou sobra a nova aposta da escola: - Este ano começamos o trabalho cedo, na verdade não paramos  após o carnaval. Estudamos junto ao Presidente Átila Gomes vários perfis de carnavalescos para dar ao Império Serrano aquele pouquinho que está faltando para alcançarmos o título, e vimos no Eduardo nossa melhor aposta. Consultamos nossa madrinha Maria Augusta que prontamente deu seu aval. Agora é buscarmos dar a melhor estrutura possível de trabalho para nossa equipe de carnaval cumprir o projeto do carnaval de 2014.

Eduardo tem seu estilo muito elogiado pela crítica carnavalesca por usar escala de cores que lembra o estilo tropicalista, usando formas e soluções criativas. - Me sinto honrado pelo convite, de fazer uma escola grande e especial como o Império Serrano. Será uma experiência nova, um desafio. Me sinto muito motivado em poder trabalhar dentro do Império e saber que o Atila me deu liberdade de criar um trabalho dentro do meu conceito, sem paradigmas – disse Eduardo empolgado com sua nova escola.

O carnavalesco Fábio Ricardo agora é da Grande Rio


Para desenvolver o enredo sobre os 200 anos da cidade de Maricá, a Grande Rio convidou o carnavalesco Fábio Ricardo, sempre apontado por críticos e especialistas de carnaval como um dos artistas mais promissores da festa. A ligação de Fabinho (como é mais conhecido no mundo do samba) com a Grande Rio começou em 2000, quando ele foi assistente do então carnavalesco da escola, Max Lopes.

- Após 13 anos, retorno muito mais experiente, maduro, e meu sentimento é o de proporcionar o melhor à escola através do meu trabalho. A Grande Rio está apostando numa de suas crias, o que só reforça a estrutura familiar na qual a escola está se baseando. É uma honra estar de volta - afirma Fabinho, que assinou os últimos três carnavais da São Clemente.
Fábio Ricardo

sexta-feira, 1 de março de 2013

O intérprete Zé Paulo deixa a Mangueira


Após se desligar da Verde e Rosa, intérprete admite que já possui propostas para o próximo carnaval


Zé Paulo não faz mais parte da equipe de carro de som da Mangueira. Nesta terça-feira, o intérprete acertou sua saída da agremiação Verde e Rosa. Através de carta enviada ao presidente Ivo Meirelles, o cantor formalizou seu desligamento da escola que defendeu por quatro carnavais. Mesmo com a decisão, o cantor exaltou o carinho pela agremiação e a felicidade de ter feito parte do grupo de intérpretes.
Zé Paulo não faz mais parte do carro de som mangueirense | Foto: Divulgação
Zé Paulo
Intérprete Zé Paulo não faz mais parte do carro de som mangueirense | Foto: Divulgação
"Realizei um sonho de cantar em uma grande escola do Especial, agora quero muito mais, tenho potencial para muito mais. Em 2008 e 2009 fui considerado o melhor cantor do Grupo por duas vezes seguidas, e isso não foi em vão. Então, sei que posso muito mais. Agradeço a oportunidade que tive na Mangueira, e não me arrependo de nada, simplesmente é a hora de seguir em frente", contou..

Após passar por problemas de saúde, o intérprete chegou a ficar afastado dos microfones por cerca de dois meses, mas se recuperou a tempo do desfile de 2013, onde marcou presença ao lado de Luizito e Ciganerey. Para o próximo carnaval, Zé Paulo será presença certa na Marquês de Sapucaí, mas o pavilhão defendido ainda não pode ser confirmado pelo cantor.

"Preciso de novos projetos, novos rumos. Um ano de realizações virá  pela frente. Tenho duas propostas para o próximo carnaval, mas ainda não posso revelar nada exato", acrescentou.

Confira, na íntegra, a carta enviada por Zé Paulo confirmando seu desligamento da Estação Primeira de Mangueira:

Presidente, escrevo esta carta com o intuito de formalizar o meu desligamento do quadro de funcionários da GRES Estação Primeira de Mangueira, independente de sua continuidade na presidência do grêmio.

Gostaria de agradecer a oportunidade que me foi dada e a confiança em mim depositada durante esses quatro anos. Trabalhei sempre fazendo o melhor em prol da agremiação, deixando de lado qualquer vaidade pessoal. Esse período, com certeza, foi de grande aprendizado e amadurecimento profissional. Entretanto é preciso buscar novos desafios e realizar novos sonhos.

À nação Mangueirense deixo todo meu carinho e respeito, fazendo votos que continuem se dedicando e amando essa escola tão querida, da qual me orgulho de ter feito parte um dia.

Att;

Zé Paulo Sierra


Carnavalesco Cahê Rodrigues renova com Imperatriz Leopoldinense


Permanência da dupla Wander Pires e Dominguinhos do Estácio ainda é dúvida

A Imperatriz Leopoldinense renovou o contrato do carnavalesco Cahê Rodrigues. O acerto foi definido durante reunião no barracão da escola com o presidente Luiz Pachedo Drummond, na última segunda-feira. A diretoria da escola de Ramos também tem interesse em renovar com Mário Monteiro.
Já a situação dos intérpretes será definida em breve. Na avalição da diretoria, Wander Pires agradou muito e vai continuar. Dominguinhos do Estácio, no entanto, ainda é dúvida. Devido aos problemas de relacionamento com Wander, o veterano causou incômodo. A resposta do impasse terá que ser dada pelo presidente. 
Cris Vianna e o carnavalesco Cahê Rodrigues | Foto: Anderson Borde / Ag. News
Cahê Rodrigues

Raymundo de Castro garante que será candidato a Presidente da Mangueira


Com 83 anos de Verde e Rosa, amigo do lendário Cartola, Raymundo de Castro vai concorrer à presidência da Mangueira. A chapa ‘Levanta Mangueira’ tem como vice o empresário da construção civil José Luis de Souza — que promete investimentos na escola — e o apoio de Bira, filho do ex-presidente Ubirajara Maximino, outra figura histórica.
Raymundo de Castro será candidato na eleição de abril | Foto: Divulgação
Raymundo de Castro

“Nós vamos tirar a Mangueira das páginas negativas dos jornais e fazer o mangueirense voltar a se orgulhar”, promete Raymundo, entre uma história e outra sobre Cartola.
“Ele vivia duro e sabia que o (cantor) Francisco Alves queria comprar parceria no samba 'Divina Dama'. Cartola passava na casa do Chico, contava uma história triste e levava um dinheirinho. Até que um dia não deu mais certo e ele acabou vendendo o samba”, recorda o administrador de empresas que participou da mudança do nome da escola na década de 1960 e nasceu no Buraco Quente em 1929.
José Luis de Souza, que bancou parte da reforma do Palácio do Samba em 1995, reclama do estado da quadra. “Dá até água nos olhos, mas vamos reformar tudo”.
O deputado estadual Chiquinho da Mangueira e o ex-presidente Percival Pires também vão concorrer na eleição de 28 de abril. Este mês, a ‘Levanta Mangueira’ fará festa no Cordão da Bola Preta.

Oposição na Portela critica contratação do carnavalesco Alexandre Louzada


'É uma demonstração clara de desrespeito ao processo democrático portelense', reclama Serginho Procópio

 A menos de três meses para eleição, o clima já começa a esquentar de verdade na Portela. Nesta terça-feira, horas depois de a diretoria anunciar a contratação do carnavalesco Alexandre Louzada, a chapa de oposição "Portela Verdade" divulgou, através de sua assessoria, um comunicado criticando a postura do presidente Nilo Figueiredo.
Para o candidato a presidente Serginho Procópio, e para o vice, Marcos Falcon, o atual mandatário parece ignorar o processo eleitoral que está em andamento. No texto, a chapa afirmou que a notícia da contratação do profissional, antes da eleição, é um "desrespeito ao processo democrático portelense".
Falcon (E), Monarco e Serginho Procópio: trio representa oposição ao atual presidente da Portela | Foto: Raphael Azevedo / Agência O Dia
Monarco da Portela
Falcon (E), Monarco e Serginho Procópio: trio representa oposição ao atual presidente da Portela | Foto: Raphael Azevedo / Agência O Dia
"O que o presidente está fazendo é um desrespeito não só ao profissional Louzada, como ao Monarco, presidente de honra da nossa chapa, e aos sócios da escola. Ignorar a existência de uma eleição é uma demonstração clara de desrespeito ao processo democrático. Não anunciamos e não anunciaremos nomes neste momento, como uma forma de respeito aos nossos sócios e de resguardar os profissionais. E tem mais: o presidente, em vez de anunciar carnavalesco, deveria anunciar que pagou a todos os profissionais que trabalharam no desfile deste ano e que não receberam até agora. Preferíamos que a situação viesse a público também para responder sobre problemas estruturais, como o real montante das dívidas e sobre a prestação de contas", declarou Procópio.
Marcos Falcon faz coro e ressaltou que o problema da escola não se resume à contratação de um carnavalesco. "O problema é a incompetência da atual diretoria. Desde que o Nilo e o Nilinho, filho dele, assumiram, foram nove desfiles com notas pífias em alegorias e fantasias, mesmo tendo passado por lá alguns bons carnavalescos. Então, seja o profissional que for, não terá condições de trabalho com a atual administração. Por exemplo, é inadmissível botar toda a culpa pelo fracasso do carnaval deste ano no Paulo Menezes. O Menezes teve seu talento desperdiçado por essa diretoria que está aí, porque não deram condições de trabalho. O Louzada, que é um profissional que já foi campeão do carnaval e merece todo o respeito, está recebendo um abraço de afogado. Está sendo usado numa falácia eleitoreira", concluiu o candidato a vice-presidente.
Louzada comemora contratação em rede social
Alexandre Louzada é o novo carnavalesco da Portela | Foto: Alexandre Vieira / Agência O Dia
Alexandre Louzada

Em seu perfil no Facebook, o veterano carnavalesco comemorou o acerto. "O dia amanheceu azul no Planeta azul e eu me sinto assim, também. Acho que estou voltando para casa, seguindo o meu coração azul, aquele azul que não é do céu, nem é do mar, é o azul de um rio que passa em mim. O sangue azul que percorre as minhas veias e onde o meu coração se deixa levar de novo. Pronto, falei", escreveu Louzada, que já esteve na escola em 2001, 2002 e 2003.
Campeão em escolas como Mangueira, Vila e Beija-Flor, Louzada, que assumirá a vaga que era de Paulo Menezes, será apresentado à comunidade na próximo sábado durante a feijoada da escola.
O lançamento oficial da chapa de oposição "Portela Verdade" ocorreu, na última segunda-feira (25), numa agência de automóveis em Campinho, na Zona Norte, e reuniu mais de 800 pessoas.

O atual presidente deverá lançar seu filho, Nilinho, como candidato. O pleito será em maio. 

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Mauro Quintaes não é mais do Império Serrano


Depois de dois carnavais na escola da Serrinha, o carnavalesco Mauro Quintaes deixou o Império Serrano nesta terça-feira. Segundo o vice-presidente de Carnaval, Luciano Vargem, a saída do artista foi "motivada" pelo desgaste normal que ocorre em dois anos de trabalho árduo no barracão".
"Foram dois carnavais de alto nível em que nossa escola foi cotada para disputar o título, faturando muitos prêmios, mas infelizmente não ascendemos ao Grupo Especial. É inegável que demos um salto de qualidade no carnaval da escola e um dos maiores responsáveis por este avanço com certeza foi o Mauro Quintaes que deixa um legado de conhecimento e visão profissional para estarmos sempre entre as melhores. Desejamos todo sucesso ao Mauro que vai respirar novos ares", disse o dirigente, em nota enviada pela assessoria de imprensa.
Mauro Quintaes deixou o Império Serrano | Foto: Divulgação
Mauro Quintaes

Lucinha Nobre e Rogerinho agora são da Mocidade


Após a saída de Feliciano e Squel, a Mocidade já tem um novo casal de mestre-sala e porta-bandeira. E não é uma dupla qualquer. Trata-se do veterano e premiado casal Rogerinho e Lucinha Nobre. Torcedores apaixonados da Mocidade, os dois voltam a dançar na escola onde começaram.
"O convite foi feito logo após a apuração. Tínhamos a proposta de uma outra escola do Grupo Especial e da Padre Miguel. Optamos por voltar para nossa escola do coração. A Mocidade está se reforçando e ficou chateada com o 11º lugar desse ano. Nossa obrigação é fazer bonito em 2014", disse Rogerinho em entrevista ao Dia na Folia neste sábado.
Depois de um Carnaval difícil, em que receberam as notas mais baixas da carreira pela Inocentes de Belford Roxo, que acabou rebaixada, Rogerinho e Lucinha agora querem ir para as cabeças. "Era o nosso sonho. Voltar para nossa escola, dançar com alegria, com apoio dos torcedores e do mundo do samba não tem nada melhor. As pessoas vão voltar a respeitar a Mocidade", completou Rogerinho.
Foto: Alexandre Brum / Agência O Dia
Lucinha Nobre e Rogerinho
Dupla defendeu a Inocentes de Belford Roxo em 2013 | Foto: Alexandre Brum / Agência O Dia
O mestre-sala afirmou ainda que não teme que a crise política na verde e branco atrapalhe o próximo Carnaval. "Crise tem em todo lugar. Isso vai acabar agora. Teremos um carnavalesco de peso e uma direção de Harmonia também", apostou. Rogerinho e Lucinha dançaram na Mocidade pela última vez em 2001. De lá para cá a dupla passou pela Unidos da Tijuca, pela Portela e estava na Inocentes.
A notícia da nova contratação surge no mesmo dia em que foi realizado, em Padre Miguel, um protesto liderado por integrantes da Velha Guarda e sambistas que foram afastados da agremiação que pediu a saída do presidente Paulo Vianna.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

A Campeã Voltou!!!

Rosa Magalhães

Esta louca paixão pelo carnaval carioca, inexplicável, entendida em sua essência apenas por quem vive, esse amor por nossas escolas de samba, por vezes faz cometer injustiças, até perdoáveis, mas injustas de todo modo. Confesso já ter sido injusto em nome da paixão chamada samba carioca, mas felizmente, não no que diz respeito a este artigo.

Teve gente a começar dizer que ela estava morta, apagada, ultrapassada, que suas idéias não eram mais para este tempo de carnaval, enfim que todo seu talento respondia à outra época, felizmente estavam enganados. Bem que eu avisei!!!

Rosa Magalhães esteve sempre a mesma, com  a mesma disposição, talento, e criatividade, ainda que se por alguns anos não conquistou títulos ou boas posições dos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro, sua genialidade nunca adormeceu, acontece que num carnaval competitivo como o nosso se tornou com o passar do tempo, há de ter tempo também para a competência de uma Comissão de Carnaval como se faz na Beija-Flor, para as inovações do gênio Paulo Barros, e para os acertos e erros que nem sempre dependem do carnavalesco, mas de outros segmentos da escolas, mas o Mestre de verdade, sabe seu tempo, reconhece que paciência é uma virtude, e não muda seu ritmo, seu estilo, apenas por críticas, de quem por vezes sequer respeita sua história. O Mestre consegue compreender perfeitamente que há espaço para todo tipo de bom gosto, e tempo para tudo acontecer.

Rosa colocou na avenida uma Vila ousada, pisou forte naquele chão com suas alegorias e fantasias, com seu carnaval de mestre, para defender um enredo de temática simples, porém genial de uma mulher que aprendeu a vencer por onde passou até hoje, e se tornou um ícone do bom gosto, talento e perfeição. Sua marca, o capricho, cuidado e criatividade com todo seu trabalho bordaram a Passarela do Samba, com cores fortes, em alto bom gosto, como é de seu costume. A grande campeã da Sapucaí voltou, para dizer que está mais viva do que nunca, e que continua a dar aulas para aprendizes, conselhos para gênios humildes, lição para quem acha que é carnavalesco, e alegria para uma nação que por sua história, tradição e força, merecia bem mais que três títulos, que venham outros, oxalá que sejam pelas mãos, mente e coração de uma Rosa Magalhães que há décadas encanta todos nós pelo tamanho e qualidade de sua arte.

Sim, a Campeã voltou! Aplausos para Rosa Magalhães!

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Fala Laíla!

Laíla

No programa Globo Comunidade que foi ao ar neste último domingo (17-02), pela TV Globo, Laíla, o grande 'maestro' da arte, organização, harmonia, sucesso e excelência nos desfiles da Beija-Flor de Nilópolis, foi um dos entrevistados, e que entrevista! É bom ouvir um homem do samba, sério, que sabe o que diz, que tem uma vida dedicada a perfeição em seus trabalhos.

Foi bom ver Laíla parabenizar o belo campeonato conquistado pela Unidos de Vila Isabel, segundo  ele, já havia percebido o diferencial do samba campeão já nas gravações do CD das agremiações.

É bom estar aqui neste 'mundinho de quinta' (como bem disse  na última semana o jornalista e comentarista Arnaldo Jabour, sobre o planeta em que vivemos depois do meteorito que caiu na Rússia),  para aprender, observar e sobretudo tentar colher ao máximo das idéias, quando um gênio se expressa.

Laíla reclamou muito do espaço para a concentração das escolas de samba, e principalmente a dispersão que é de deixar qualquer um louco, é claro, que quem acompanha os desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro de perto já percebeu a total falta de conforto, e de praticidade mesmo, para se realizar um bom trabalho seja para concentrar a agremiação, seja para deixar a avenida. É óbvio que não vamos diminuir nosso carnaval, a passarela do samba, e o espetáculo de uma forma geral se agigantou tanto que recuar seria qualquer coisa de doido, e Laíla defendeu com afinco esta ideia, disse que estará sempre em sua agremiação defendendo o tamanho de seu carnaval, ressaltou ainda que não dá para crescer mais, porém recuar nem pensar. O poder público é quem tem de garantir condições dignas para que nosso trabalho seja realizado de forma confortável sem qualquer prejuízo para as agremiações e componentes, afinal este é um espetáculo que move uma economia de mais de R$ 1 bi e parte disso se deve a tudo que se passa na Marquês de Sapucaí.

Ele confessou que tem problemas para entender o motivo pelo qual nos últimos anos sua agremiação vem perdendo décimos importantes nos quesitos enredo e alegorias e adereços. Que sabe a liberdade dentro da Comissão de Carnaval de gente como o carnavalesco Bira, ou a contratação de um nome experiente resolvesse esta inquietude que permeia o pensar do Mestre.

Seria difícil transmitir aqui toda essência do que se passou na entrevista, mas deu para perceber, mais uma vez o bom senso de um homem que quando vê seus diretores errar chama a responsabilidade para si, porque sabe ser o líder desta corrente, um artista que ama, protege e defende sua escola para que por longos anos continue sendo esta potência no mundo do samba. 

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Péssimo resultado da Mangueira cria crise na escola

Mangueira


Na chegada, na tarde de quarta-feira ao Sambódromo, o presidente da Mangueira, Ivo Meirelles, era puro otimismo. Acompanhado de cinco seguranças, ele chegou dizendo que sabia da perda de pontos porque a escola estourou em seis minutos o tempo do desfile na segunda-feira, mas ressaltou que a apresentação da verde e rosa foi inesquecível. No fim da apuração, no entanto, o otimismo, no entanto, deu lugar à decepção com o oitavo lugar.

Sobre o problema com o último carro da escola, que ficou preso na torre de TV, Ivo Meireles deu a entender que a culpa foi do carnavalesco Cid Carvalho. Perguntado, antes do resultado, se o fato da Mangueira ter levado para a avenida duas baterias (totalizando 500 ritmistas) seria a causa dos problemas enfrentados pela escola, Ivo Meirelles retrucou:

— Não foi a bateria que ficou presa na torre. Erramos na hora de medir o último carro, mas fomos perfeitos nos demais quesitos e com certeza vamos recuperar isso.

O presidente reclamou das notas do quesito alegorias e adereços, principalmente pelos 9,3 dados pelo jurado Marcelo Marques.

— Eu não ia falar nada, mas sobre esse jurado vou dizer uma coisa... — disse Ivo Meirelles, que foi impedido pela filha, Vitória, de 18 anos, de completar a frase.

E este ano vai ser decisivo para a escola — e para Ivo — por causa das eleições. Após o encerramento da apuração, o deputado estadual Chiquinho da Mangueira (PMDB) confirmou que será candidato à presidência da agremiação. Ele falou ainda que o atual presidente teria dito a ele que não irá concorrer novamente:

— Ele me disse que está muito cansado, que já passou a hora dele — disse Chiquinho.
Ivo Meirelles não comentou a declaração do candidato.

Os problemas no desfile da Mangueira irritaram até o governador Sérgio Cabral, que torce pela verde e rosa e apoia a candidatura de Chiquinho da Mangueira. Ele, que assistiu o desfile no recuo da bateria, reclamou de Ivo Meirelles.

— Ivo parece querer entender de tudo: deu nisso. Parece um antigo jogador de futebol, o Cafuringa — disse Cabral referindo-se a um atacante dos anos 70 que raramente fazia gols pelos clubes que passou.

Ivo Meirelles


No espaço ocupado pela Mangueira na Apoteose durante a apuração, a felicidade do casal de mestre-sala e porta-bandeira Raphael Rodrigues e Marcella Alves contrastou com o ânimo dos demais integrantes. Eles comemoraram muito o fato de terem recebido somente notas dez. Muito emocionados, os dois se abraçaram e choraram.

— É a sensação de alma lavada. É o resultado de muito trabalho — disse Marcella.


Duas escolas sem motivo para comemorar o resultado final dos desfiles 2013

Salgueiro


O resultado final do carnaval 2013 acabou amargando a comemoração dos 90 anos da Portela e dos 60 do Salgueiro. As duas escolas acabaram respectivamente na 7ª e na 5ª colocação. Embora tenha voltado no desfile das campeãs, o Salgueiro ficou distante do título, mesmo tendo feito um alto investimento no enredo patrocinado sobre a “Fama”. Especula-se que vermelha e branca tenha gasto cerca de R$15 milhões. Confesso, ter achado o a posição do Salgueiro no resultado final bastante incoerente com seu desfile, mas cabeça de jurado é assim mesmo, difícil de entender.

A escola da Tijuca, que ano passado foi vice-campeã, perdeu pontos em fantasias e alegorias, mesmo primando pelo luxo e acabamento nesses dois quesitos. Já durante os desfiles do Grupo Especial, os rumores eram fortes sobre a saída do carnavalesco Renato Lage. No entanto, nem nele, nem a escola confirmaram se haverá troca.

Portela

A Portela também saiu decepcionada da apuração. Cantando os 400 anos de Madureira e os seus 90 anos de fundação, a azul e branca sequer conseguiu garantir a volta para o desfile das campeãs. Na avenida, os atrasos sofridos no barracão por causa de uma crise política interna, fizeram a Portela receber um festival de notas baixas em quesitos como alegorias, fantasias, conjunto, comissão de frente. Uma das poucas ressalvas foram o samba e a bateria de Mestre Nilo Sérgio, que não perdeu nenhum décimo.

O resultado ruim da Portela deve colocar mais lenha na fogueira política acesa na escola desde o ano passado. O presidente Nilo Figueiredo enfrenta forte oposição dentro da agremiação, que tem eleições marcadas para maio. Nilo deve lançar como candidato o filho Nilo Júnior, o Nilinho.


Presidente da União da Ilha quer mudanças na bateria


A União da Ilha deverá ter um novo mestre de bateria dentro pouco de tempo. O presidente da escola, Ney Fillardi, que já manifestou interesse em contratar Thiago Diogo, da Porto da Pedra, afirmou nesta segunda-feira que vai se reunir em breve com o sambista.
Presidente da Ilha deverá fazer mudança na bateria | Foto: Divulgação
Presidente da União da Ilha
"Vou conversar com ele (Thiago Diogo). Acompanho o trabalho dele desde a época do Salgueiro com mestre Louro. Mas quero deixar claro que ainda não demiti ninguém", revelou.
Insatisfeito com as notas da bateria da Ilha, o presidente afirmou que terá que "mexer" para brigar pelas notas máximas em 2014. "Não estou satisfeito. A vida é assim, uma grande busca pelo melhor. Temos que buscar notas melhores. Até porque a Liesa tem como hábito não mudar os jurados, então tenho que mudar da minha parte. Ninguém leva nota baixa por perseguição", avaliou.
O dirigente disse ainda está preparado para contornar uma possível rejeição dentro da escola caso Thiago Diogo seja contratado. "Não sou matemático, mas vou ter que resolver esse problema".
Na Sapucaí, a bateria da Tricolor, que foi comandada pela dupla Riquinho e mestre Odilon, levou 9,7; 9,8; 9,8 e 9,6. Em 2014, o enredo da Ilha vai falar sobre brinquedos e brincadeiras.

Rapidinhas das Escolas de Samba 2013

Paulo Barros


Paulo Barros perguntou no Twitter sobre o que internautas fariam se faltasse um dia para o fim do mundo, dando a entender que poderia ser uma dica para o enredo da Unidos da Tijuca (3º lugar) no próximo ano.

O diretor de Carnaval da União da Ilha, 9ª colocada, Márcio André afirmou que vai diminuir os carros comerciais, revelando ser este o segredo das campeãs. Com o enredo sobre brinquedos, ele garante que a agremiação vai inovar.


A vice-campeã Beija-Flor, cujo enredo de 2014 será o comunicador Boni, comemorou este ano 21 anos seguidos entre as seis primeiras escolas (desde 93).
“O segredo da Beija-Flor é a organização, o trabalho em equipe, desde o carnavalesco, pintor, artesão, e o envolvimento da comunidade. Esta recebe a fantasia da escola, ensaia a qualquer dia e canta na Avenida com todo o coração”, declarou um dos carnavalescos, Fran Sérgio.

Mestre Ciça, que comanda a bateria da Grande Rio, 6ª colocada, protestou contra a nota 9,7 — descartada — em seu quesito.
“A Liesa tem que rever a escolha dos jurados. É o segundo ano que Leandro Osiris é injusto. Não há justificativa para essa nota”.



domingo, 17 de fevereiro de 2013

Boni: o que esperar do enredo da Beija-Flor de Nilópolis para 2014

Boni

A Beija-Flor de Nilópolis bateu o martelo, em 2014 é Boni na Sapucaí! O enredo pode parecer simples: um menino nascido no interior de São Paulo se apaixona  pelo rádio, inicia aí a carreira precocemente, migra para a publicidade, e o caminho natural da comunicação o leva a trabalhar na televisão, quando ainda era uma atividade experimental e desafiadora no país. No entanto o protagonista desta história é José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, Boni, o homem que inventou a televisão brasileira tal qual a conhecemos hoje - e que ainda ditou um padrão de excelência que colocou a produção televisiva nacional girando em telas pelos quatro cantos do planeta.

Mas esses, de fato, não foram seus único papéis, que construiu ao longo de mais de 60 anos da história da comunicação no Brasil. No rádio fez parte de programas históricos, como PRK-30, e na publicidade desenvolveu campanhas inesquecíveis para importantes marcas do mercado, se sabonete a avião.

Na televisão, em que ingressou em 1952, protagonizou capítulos expressivos de sua história. Não apenas na TV Globo, onde se notabilizou, mas também na TV Tupi, na TV Paulista, na TV Rio e na TV Excelsior. Os grandes autores - como Cassiano Gabus Mendes, Janete Clair e Dias Gomes -, humoristas - como Chico Anysio e Jô Soares -, e atores que se tornaram referências nacionais - como Tarcísio Meira, Glória Menezes, Regina Duarte e Tony Ramos -, além de notáveis jornalistas e diretores, acompanham a trajetória de Boni, havemos de nos recordar que o famoso "plim, plim" também foi sua obra.

Boni na Sapucaí


É possível sim, bem ao estilo Beija-Flor de ser realizar um grandioso carnaval com enredo biográfico de Boni, com bom humor, visão crítica e riquezas de detalhes, característicos nos desfiles da agremiação. Havemos de ver passar na Sapucaí em 2014 um inventário minucioso de seis décadas de uma história da qual todo brasileiro faz parte. Ao final, ver-se-a que o melhor do enredo é, sem dúvida, sua própria vida.

Boni na Beija-Flor de Nilópolis


Parabéns Boni!

Vamos Beija-Flor de Nilópolis, 2014 Vem Aí!

Samba enredo voltou ao protagonismo com vitória da Vila


Gênero em crise, com a palavra decadência rondando-o há pelo menos década e meia, o samba-enredo voltou ao protagonismo com a vitória da Vila Isabel. Aliado ao apuro estético da Rosa Magalhães, que ressurge de um limbo imposto pelo desgaste dos últimos anos na Imperatriz Leopoldinense e pela ascensão do estilo Paulo Barros – que ela própria incorporou ao seu processo criativo, vide a alegoria do Girassol, esplêndida -, o samba de Martinho da Vila, Arlindo Cruz, André Diniz, Tonico Ferreira e Leonel foi um dos responsáveis pelo desfile retumbante da escola.
Sem ele, seria um desfile muito bonito – mas sem aquele “algo a mais” que delimita a fronteira entre um desfile histórico e um desfile comum. Há alguns anos, escrevi neste espaço que a decadência do samba-enredo insere-o na teoria da morte da canção. À luz do terceiro título da escola de Noel, gostaria de retomar este assunto, para iluminar ainda mais este momento do Carnaval. 
Foto: Carlos Moraes / Agência O Dia
Vila Isabel
O crítico musical José Ramos Tinhorão criou a expressão “morte da canção” no primeiro ano deste século; Chico Buarque deu-lhe dimensão ao encampá-la em entrevista à Folha de São Paulo, três anos depois. Por morte da canção entende-se a transformação que rompeu com os fundamentos com os alicerces que desde a década de 30 fundamentaram a música brasileira. Essa transformação é impulsionada por inovações tecnológicas e por mudanças de concepções estéticas e sociais.
Segundo o crítico José Miguel Wisnik, a canção que morreu é aquela “sofisticada melódica e harmonicamente, com letras densas e polissêmicas, intimamente entranhadas com a música, sílaba por sílaba, capaz de atingir e interessar grandes públicos, atravessar diferenças sociais, irradiando lirismo e crítica social”. Assim, o rap e a música eletrônica emergem como os gêneros mais afeitos a uma época em que a canção é coisa do passado.
Foto: André Mourão / Agência O Dia
Vila conquistou terceiro título de sua história
A morte, evidentemente, é simbólica: as canções ainda são compostas e consumidas, sobretudo as antigas; mas não têm o mesmo impacto, não exercem a mesma função de antes. As gerações seguintes perderam a ternura? A sensibilidade? Nossos ídolos ainda são os mesmos: a última grande geração da música brasileira foi a dos anos 60. O saudosismo, a exaltação ao passado é a tônica de espaços onde se ouve e discute música popular.
Adaptando a teoria ao samba-enredo, explica-se o quadro atual. A singularidade do samba da Vila Isabel deste ano é tanto pela beleza da obra, pela qualidade da letra, da melodia, mas também por ser funcional, palavra da moda para resumir a adequação aos tempos modernos, ou seja, a capacidade de proporcionar à escola um bom desfile. Por unir estética e funcionalidade, o samba-enredo da Vila Isabel oxigenou o carnaval do Rio – e o cérebro de quem acha que o samba é um dos principais componentes da linguagem das escolas de samba. 
Abre-alas da Vila impressionou pelo visual colorido | Foto: Carlos Moraes / Agência O Dia
Vila Isabel



Por Bruno Filipo.