sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Ainda sobre o presidente Fernando Horta, a Mangueira e o resultado do carnaval 2014

Mangueira 2002
Diante das declarações do presidente da Unidos da Tijuca, Fernando Horta, sobre a Estação Primeira de Mangueira, é claro que a polêmica surgiu, uma escola ancestral como a Velha Manga com sua torcida apaixonada, e uma das mais belas história no carnaval deste país, não poderia ficar inerte à declarações como as feitas por Horta.

Pois bem, vamos aos fatos, o presidente da tijucana, disse que sua escola de samba está à frente do tempo, em comparação às co-irmãs, porque revolucionou o carnaval, graças ao talento, este sim, incontestável do carnavalesco Paulo Barros. Se faz necessário neste momento que o presidente entenda que uma escola de samba não se faz apenas por um carnavalesco, tem de ter história, bandeira, ancestralidade, marcas que talvez, ele, na vontade de realizar seu "show" na Sapucaí tenha se esquecido. O trabalho de Paulo Barros é indiscutível, é bom que se registre! Já as declarações do português Fernando Horta, estas ainda vão repercutir por um bom tempo.

Esta "nova" Mangueira que temos hoje, na gestão do presidente Francisco de Carvalho, o Chiquinho da Mangueira, uniu a escola, trouxe as tradições de volta e inovações que sempre se fizeram necessárias ao carnaval, das quais a Verde e Rosa nunca de isentou. Fiadores desta nova fase, estão os ex-presidentes Elmo José dos Santos e Álvaro Caetano com administrações exemplares, e a frente de desfiles marcantes que a Estação Primeira produziu.

Elmo José dos Santos foi presidente nos carnavais entre 1996 à 2001, neste período, a Unidos da Tijuca de Fernando Horta só esteve à frente da Mangueira uma única vez, no ano 2000, quando conquistou um 5º lugar, contra um 7º da escola de Elmo.

Álvaro Caetano, o Alvinho, foi presidente nos carnavais entre 2002 à 2006, neste período, a Unidos da Tijuca de Fernando Horta só esteve à frente da Mangueira em 2005, quando conquistou o vice-campeonato, contra um 6º lugar da Mangueira. Levando em consideração que em 2004 Mangueira e Tijuca conquistaram a mesma pontuação, 387,9, sendo num sorteio o critério de desempate que deu o vice-campeonato à Tijuca de Horta.

Este período que durou 11 anos, em que a Mangueira foi dirigida por gente séria e trabalhadora do porte de Elmo e Alvinho, Fernando Horta só esteve à frente em duas ocasiões, e sua tribuna de honra pôde ver sua escola de samba ser rebaixada uma vez, e a Velha Manga campeã do grupo especial por duas ocasiões, em 1998 e 2002.

Em 85 anos de história a Mangueira conquistou 18 títulos, sendo 1 supercampeonato, a Unidos da Tijuca em 82 anos, 3 títulos. 51 vezes a Mangueira esteve entre as 3 primeiras colocações, sendo a Tijuca em 82 anos 12 vezes, e ainda amargou 3 rebaixamentos, contra nenhum da Mangueira.

Quando analisamos esta "nova fase" da Unidos da Tijuca, sem Paulo Barros, entre os carnavais  de 2007 à 2009, a escola conquistou respectivamente um 4º, 5º e 9º lugar, contra um 3º, 10º e 6º lugar da Mangueira (que nunca teve Paulo Barros como carnavalesco), aí já sem Elmo e Alvinho na presidência.
Unidos da Tijuca 2010
Com todo respeito à administração, brilhante do presidente Fernando Horta na Unidos da Tijuca, e ao belíssimo trabalho do carnavalesco Paulo Barros, há de se respeitar uma escola de samba com as credenciais da Estação Primeira de Mangueira. É claro, que a olhos nus, a Beija-Flor de Nilópolis com todo seu potencial administrativo e carnavalesco que se estruturou nos últimos anos com um trabalho sério e dedicado de sua equipe, é uma das escolas favoritas ao título, sem esquecer-se de Salgueiro. A volta da Mangueira de sempre, com toda sua força, não pode de forma alguma ser menosprezada. 

Este ano, vamos para um carnaval com uma Portela voltando a ser grande, uma Mangueira repaginada, uma Imperatriz com vontade de voltar a brilhar, uma Grande Rio com um carnavalesco sensação, um Salgueiro apoteótico, uma Beija-Flor com a força de sempre, e claro, todo espetáculo que a Unidos da Tijuca se propõe a fazer, que merece meus sinceros aplausos!

Em suma, apenas quanto às declarações do presidente Horta, há de se registrar: "respeite quem pôde chegar onde a gente chegou!"

Cuidado que a Mangueira vem aí, é bom se segurar que a poeira vai subir!


Entenda o caso:  http://blogdoraymondh.blogspot.com.br/2014/01/fernando-horta-dispara-mangueira-vai.html


quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Rocinha realiza hoje (16-01) seu ensaio técnico na orla de São Conrado

Acadêmicos da Rocinha

O G.R.E.S. Acadêmicos da Rocinha realiza nesta quinta-feira, dia 16, o primeiro ensaio
técnico na orla da praia de São Conrado, às 20h. Todos os segmentos e componentes
devem comparecer ao ensaio que contará com a voz do intérprete oficial Leléu e equipe do
carro de som, além da bateria Ritmo Avassalador sob o comando de mestre Maurão.

O ensaio técnico na Marquês de Sapucaí será no próximo domingo dia 26, com concentração ao lado dos Correios, às 18 horas, na Avenida Presidente Vargas próximo à Prefeitura do Rio.

É bom lembrar que estão abertas as inscrições para as alas da comunidade. Após fazer a
inscrição, na secretaria da escola, será preciso pagar a taxa de R$70 e comparecer aos
ensaios toda quinta-feira, das 20h às 22h.

A azul, verde e branca da Zona Sul vai levar à Marquês de Sapucaí o enredo "Do
paraíso sonhado, um sonho realizado. Sorria, a Rocinha chegou à Barra", do carnavalesco
Luiz Carlos Bruno. A escola é a terceira a desfilar na sexta-feira de carnaval pela Lierj, no dia 28 de fevereiro".

Vice-presidente do Salgueiro, Marcelo Tijolo, morre após ser baleado no Rio

Marcello Tijolo e Regina Celi
O vice-presidente da escola de samba Acadêmicos do Salgueiro, Marcello da Cunha Freire, o Marcello Tijolo, morreu na madrugada desta quinta-feira em um hospital particular na Barra da Tijuca, Zona Oeste da cidade. A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa da unidade. Ele foi baleado na noite da última terça-feira, na esquina da Boulevard 28 de Setembro e Rua Visconde de Abaeté, em Vila Isabel.

Marcello foi atingido na barriga, no braço e na coxa. No fim da manhã desta quarta, ele foi transferido do Hospital Souza Aguiar para a unidade particular na Zona Oeste. Segundo nota divulgada nesta quarta pela Secretaria Municipal de Saúde ele foi submetido a cirurgias na barriga e na perna e seu quadro de saúde era estável.

Regina Celi, presidenta do Salgueiro, confirmou a morte e usou o Facebook para manifestar suas condolências.

"Infelizmente confirmamos o falecimento do nosso amigo e vice-presidente Marcello Tijolo. faltam palavras para expressar a dor e a saudade que sentiremos. Que Deus o receba de braços abertos. Obrigada por tudo!", escreveu.


Civil pede imagens do local do crime

O delegado-titular da 20ª DP (Vila Isabel), Gilberto Dias, solicitou imagens de circuitos de câmeras de segurança de prédios próximos ao local onde o Marcello Tijolo foi baleado. Com as imagens, Gilberto espera esclarecer a dinâmica do crime, já que diferentes versões foram contadas por testemunhas que presenciaram os disparos.

Segundo um dos depoimentos, Marcello estava a pé, próximo ao escritório do deputado estadual Chiquinho da Mangueira (PMN), onde trabalha como assessor, quando foi surpreendido por um atirador que desceu da garupa de uma moto. O suspeito teria disparado seis vezes.

No entanto, uma pessoa que estava próxima ao restaurante Petisco da Vila informou que a vítima estaria no estabelecimento comercial quando foi atacada por homens que desceram de um carro prata. Tijolo teria corrido, buscando proteção atrás de árvores, e atirado contra os criminosos.

Ainda não há informações sobre a motivação do crime, mas nenhuma hipótese está descartada. Flamenguista, Tijolo idealizou a estátua em homenagem a Zico na sede do Flamengo, na Gávea, que foi inaugurada ano passado.
Marcelo Tijolo e Renato Augusto (ex-jogador do Flamengo)

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Fernando Horta dispara: Mangueira vai ter de esperar para ser campeã, minha adversária é a Beija-Flor

Fernando Horta
Em sua disputa pela presidência do Vasco da Gama, o atual presidente do G.R.E.S. Unidos da Tijuca, Fernando Horta, disparou para todo lado, em defesa de sua qualidade administrativa, sobre o carnaval ele garantiu que Mangueira está fora da disputa e quem está na briga é sua escola de samba junto com Beija-Flor de Nilópolis.

Confira trecho da entrevista, dada os jornalista Luiz Orlando:



LUIZ ORLANDO: FERNANDO - VAMOS TROCAR O VASCO PELA TIJUCA. VOCÊ JÁ SENTIU QUE NÃO SERÁ FÁCIL GANHAR DA BEIJA - FLOR, QUE VEM CONTANDO A HISTÓRIA DO GLOBAL, BONI, E NEM DA NOVA MANGUEIRA? 


FERNANDO HORTA: A MANGUEIRA, que tem muito peso, é uma escola contra a qual não se pode facilitar. Entretanto, vai levar algum tempo para que ela se reconsolide. Ela vai ter que esperar. A BEIJA - FLOR, faltando, ainda, um bom número de dias, para o desfile, é aquela que eu posso te garantir que será a MINHA ADVERSÁRIA. É COM ELA QUE EU VOU "BRIGAR", respeitando todas as demais, principalmente o SALGUEIRO. O que está ocorrendo com o espetáculo das grandes escolas de samba é que uma parcela antiga, que eu respeito, porque me considero, também, UM ANTIGO NO CARNAVAL, quer manter a tradição dos desfiles de outrora. Esta parcela não se preparou para a evolução do maior espetáculo da terra. Esse tipo de carnaval, que ela deseja conservar, está na AVENIDA INTENDENTE MAGALHÃES e em algumas agremiações que desfilam na sexta e no sábado, na Sapucaí. Quem compra ingresso, ao preço que a LIESA vende, e quem fica assistindo, pela tevê, à mais longa das competições de todo globo terrestre, quer ver S H O W. E quem dá S H O W, atualmente, é a TIJUCA. As outras co-irmãs, tentam nos seguir porque somos a escola aguardada. Não temos a maior torcida, mas somos a mais esperada. Meu objetivo está sendo alcançado: TEMOS UMA TORCIDA DE JOVENS E QUE É A DE MAIOR CRESCIMENTO. Eu me orgulho de presidir uma escola para quem todos querem trabalhar porque não tem um único protesto, mesmo tendo sido fundada em 1931; não tem nenhum "pepino"; não tem uma ação trabalhista, contra ela, sequer; nada que a desabone; recolhe todos os impostos e, em resumo: É O MODELO DE ESCOLA DE SAMBA EMPRESA. Agora, quando perdemos nosso diretor de carnaval, eu, que DETESTO A PALAVRA COMISSÃO, simplesmente, peguei outro (FERNANDO COSTA), feito em casa, e coloquei no posto. Até porque, diretor de carnaval, mesmo, só conheço um; LAÍLA. Não tendo o LAÍLA, qualquer um, que mereça minha confiança, posso colocar no cargo e VIDA QUE SEGUE. O enredo, deste ano, depende do desenvolvimento do artista. Tem enredo que nasce ALEIJADO. Este é um enredo com as características do meu artista - PAULO BARROS -. Não é a biografia do AYRTON SENNA, mas tem tudo a ver, com ele, pois fala da VELOCIDADE. É um grande enredo; mais forte do que tudo aquilo que já passou pela Sapucaí. Fico, apenas, preocupado, porque o julgador compara a TIJUCA atual com os grandes desfiles que temos realizado, como se dissesse: "mas, no ano passado, tinha isso, aquilo e aquilo outro; esse ano não tem...", ou seja: O MAIOR ADVERSÁRIO DA TIJUCA SÃO OS NOSSOS PRÓPRIOS ÚLTIMOS GRANDES DESFILES." - finalizou, assim, FERNANDO HORTA, nossa conversa, de mais de hora, sobre o VASCO e a TIJUCA.




segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Chico Pinheiro - apresentador da tv Globo - cai no samba da Mangueira e declara todo seu amor pela Verde e Rosa

Chico Pinheiro na Mangueira
Chico Pinheiro, apresentador do telejornal Bom Dia Brasil, da Rede Globo de Televisão, mostrou que tem samba no pé na noite de sábado (11). Junto com a família ele foi à quadra da Mangueira, no Rio de Janeiro e se divertiu com os ritmistas.

Na ocasião, ao lado de mangueirenses ilustres como o coreógrafo Carlinhos de Jesus e Rosemary, ele aproveitou para fazer em público sua doação ao projeto "Patrocinador Apaixonado", explicando a importância da contribuição de todos, bem como a força que tem a Estação Primeira, bateu no peito e exclamou: sou Mangueira! Para delírio da nação mangueirense, que lotou o Palácio do Samba mais uma vez ao som da bateria "Tem Que Respeitar Meu Tamborim" e a voz inconfundível de Luizito. 

E para quem não acreditava no projeto, está aí mais uma demonstração de que esta é uma escola de samba feita por torcedores, de fato, apaixonados, e o maior patrocínio da história do carnaval deste país, vai se concretizar, só depende de cada torcedor mangueirense.
Chico Pinheiro e Evelyn Bastos

Moisés, acusado de ligação com máfia do jogo, volta ao comando da Vila Isabel

Moisés e Cid Carvalho

Homem-forte da campeã do Carnaval 2013, a Vila Isabel, o acusado de envolvimento com a máfia do jogo Wilson Vieira Alves, o Moisés, voltou a dar as cartas para colocar a administração da agremiação nos eixos. Ele rechaça o título de ‘o todo poderoso’, até porque, no papel, o presidente é Wilson Alves, o Wilsinho, seu filho, desde dezembro, quando retomou o comando, colocou os salários em dia e ajudou a garantir a permanência do carnavalesco Cid Carvalho.

Mesmo avesso aos holofotes por causa da condenação na Justiça Federal a 23 anos de prisão pelos crimes de contrabando, formação de quadrilha e corrupção, ele admite que é ‘presidente de honra e baluarte’. A escola é a única a ter dois presidentes de honra: Moisés e o cantor e compositor Martinho da Vila.

Wilsinho herdou o cargo do pai, que foi preso em 2010, mas deixou a cadeia dois anos depois, por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). À frente da Azul e Branco, Wilsinho mostrou habilidade no comando do Carnaval, no entanto, enfrentou crise administrativa. Após o título, houve uma debandada com a saída da carnavalesca Rosa Magalhães, o casal de mestre-sala e porta-bandeira Julinho e Rute, o coreógrafo Marcelo Misailidis e o intérprete Tinga.

“A palavra certa não é debandada. Carnaval é igual a futebol. Quando um clube ganha, os outros ficam em cima dos jogadores. Só quem saiu com transparência foi o Misailidis”, disparou Moisés. Um dos problemas foi a exigência de pagamento de prêmio pelo campeonato. Há rumores de que Rute queria até casa. “Nossa dificuldade financeira foi porque uma cervejaria que patrocinaria o camarote desistiu. Então, ficamos com R$ 2 milhões a menos de receita”, explicou.

Ausência do presidente é comentada

Quarta-feira, no primeiro ensaio de rua da Vila, Moisés e Cid Carvalho comandavam a escola. A ausência de Wilsinho foi assunto. Segunda-feira, ele voltou ao Brasil depois de 20 dias nos Estados Unidos. “Ele está com filho pequeno e sem babá”, amenizou Moisés.

Na Justiça, o enredo do envolvimento de Moisés com o jogo não terminou. Ele foi condenado na 4ª Vara Federal Criminal de Niterói, mas há recurso no Tribunal Regional Federal 2. Ele foi investigado na operação “Alvará’, da Polícia Federal, em esquema de caça-níqueis em Niterói e São Gonçalo.


Fonte: Site Marquês de Sapucaí

Evelyn Bastos - a Rainha de Mangueira - por O Globo

Evelyn Bastos, a nova rainha de bateria da Mangueira: despojamento e bom senso na relação com o mundo cheio de vaidades do carnaval Foto: Guito Moreto / O Globo
Evelyn Bastos

Vai doer na turma da dieta detox: a mulata escala um Big Bob — e um milk-shake! — na maior sem-cerimônia, antes de assumir, docemente constrangida, que sanduíches são sua perdição. Bobagem. O totem calórico não dá nem para a saída, diante da irretocável beleza da moça, que, com sua história curta e impressionante, protagoniza mudança preciosa num cardápio enjoado do carnaval carioca. Evelyn Bastos, 20 anos, será consagrada, no reino da Sapucaí, rainha de bateria da Mangueira, para refundar uma ordem que estava exilada no passado da função, hoje praticamente reduzida a celebridades da TV e musas bombadas de plástico. Com ela, o molho é bem outro: curvas, samba no pé e uma vida inteira de amor inegociável pela Estação Primeira.


Quando a verde e rosa pisar na avenida, no início da madrugada da segunda-feira de folia, Evelyn viverá o ápice afetivo de uma história tatuada em seu DNA. Valéria, sua mãe, ocupou o posto em três desfiles nos anos 1980, eleita pelos próprios ritmistas — protocolo da época —, e sambou grávida da filha mais velha, na ala de passistas, em 1993, o do enredo “Dessa fruta eu como até o caroço” (quinto lugar, na festa vencida pelo Salgueiro com “Peguei um ita no Norte”). Porque dinastias são um dos alicerces da Mangueira, desde sempre.

— Mas minha mãe é muito crítica. Vive me cobrando para melhorar — reclama a jovem, diante do olhar cúmplice (e orgulhoso) de Valéria.

O rigor materno deu resultado. Agora, a segunda geração da família reinará à frente da mítica orquestra verde e rosa, no mais recente capítulo da trajetória que faz dela uma espécie de Neymar do samba. Evelyn é um fenômeno do paticumbum. No fim de 2012, venceu o difícil concurso de rainha do carnaval, disputado por passistas de diversas escolas cariocas. E olha que ela quase não entra na disputa. Apesar dos incentivos dos amigos e vizinhos da comunidade — onde vive desde que nasceu, em agosto de 1993, com os pais e a irmã de 8 anos numa casa modesta, próximo ao Largo do Careca, um pouco além do Buraco Quente, parte baixa da favela —, tinha dúvidas e acabou por se inscrever somente no último dia. Achava-se jovem demais. Além disso, jamais uma filha da Mangueira conquistara o posto, cobiçado por 11 entre dez mulatas do carnaval.

— Eu queria levar o nome da escola àquele lugar que é importante para o povo do samba — relembra ela, que teve apoio total do então presidente, Ivo Meirelles, na aventura.

Na corte do carnaval

Na final, disputada em novembro na Cidade do Samba lotada de torcedores de várias participantes (a disputa mobiliza a tribo do carnaval), Evelyn bateu um bolão. Além do samba e da beleza, exibiu, na entrevista no palco obrigatória às candidatas, impressionante maturidade para quem, à época, tinha 19 anos. E bateu adversárias até 15 anos mais velhas.

Ser da corte do carnaval — como o povo da folia denomina o grupo formado por Rei Momo, rainha e duas princesas — significa entregar-se durante um ano à rotina de compromissos, que inclui visitas a quadras de escolas e blocos, presença em ensaios e desfiles e viagens pelo Brasil e ao exterior. Pauleira que transforma muitas musas em plebeias da falta de profissionalismo. Evelyn conquistou todos na Riotur (que cuida da corte) justamente pelo comportamento exemplar. Em setembro, ela foi a estrela de uma excursão do grupo por seis cidades do Japão. Numa das últimas paradas, em Tóquio, ao fim de uma viagem insone de trem-bala, o grupo soube que haveria uma homenagem de fãs do carnaval carioca, alunos de uma escola da cidade. Parecia ser algo ligeiro, mas eles foram recebidos por uma miniescola de samba, com mestre-sala e porta-bandeira, passistas e uma bateria que tocava à perfeição o samba da Mangueira campeão de 2002 (“Brazil com Z é pra cabra da peste, Brasil com S é nação do Nordeste”).

Entre meninas e meninos japoneses surpreendentemente habilidosos na batucada, Evelyn dominou a cena com seu bailado espetacular, ainda fazendo o papel de professora dos menos bambas. Era apenas a segunda viagem internacional dela, que em abril de 2012 fora à Argentina, no espetáculo anual dos sambistas cariocas na cidade de San Luis.
— Rainha do carnaval será sempre meu maior título individual. Agora, na Mangueira, realizei um sonho da vida inteira — compara.

Maior rainha de bateria da história verde e rosa, Tânia Bisteka apresenta-se como testemunha para atestar que os planos de sua sucessora vêm de longe. Quando tinha 8 anos, Evelyn foi levada pela mãe para o curso de passista, ministrado no Palácio do Samba, a quadra verde e rosa. Encenou-se, de novo, a ciranda da dinastia dos bambas.

— O que você quer ser na Mangueira? — perguntou Bisteka, catedrática na dança do samba.

— Vou ser rainha de bateria, igual a você, tia — respondeu a menina, cheia de convicção.
A professora doutrinou a aluna por quatro anos. E hoje constata que ela tinha razão.
— Desde cedo, ela mostrou todas as qualidades — atesta Bisteka.

(No fim do ano passado, as duas se reencontraram num ensaio na quadra, que desembocou numa homenagem emocionante da discípula. Evelyn desceu do palco da bateria e recebeu a antecessora num abraço longo e agradecido).

A cena de 12 anos atrás foi o preâmbulo de um enfileirar de coroas do prodígio verde e rosa. Evelyn foi musa, princesa e rainha da Mangueira do Amanhã. Em 2005, com apenas 11 anos, estreou entre as passistas adultas da Estação Primeira, e, aos 14, entrou para o grupo que faz shows pela escola. Com 16, virou uma das musas da comunidade (mulatas que desfilam como destaques de chão, em frente às alegorias) e, dois anos depois, representou a Mangueira em outro cobiçado concurso de beleza carnavalesca, o do Caldeirão do Huck. Você aí já adivinhou — foi campeã.

Tanto sucesso não altera o tamanho que o carnaval tem na vida da nova rainha. Evelyn garante que, para ela, a folia será sempre um amor incapaz de arranhar a determinação de aluna modelo. A começar pela Escola Tia Neuma, mantida na comunidade pelo colégio Santa Mônica, onde ficou até a 4ª série.

— Ela só tirava 10. Um dia, por causa de um 9,8, chorou até encharcar a blusa — recorda Valéria, agradecida.

O desempenho chamou a atenção de Albano Parente, dono da instituição de ensino, que lhe ofereceu bolsa integral dos estudos. O material escolar teve patrocínio de Chiquinho da Mangueira, o atual presidente. Bons investimentos — hoje, Evelyn está no terceiro período de Educação Física na Uerj. No vestibular, passou também para UFRJ e UFF, sem usar o sistema de cotas.

— Sou a favor. Era direito meu, como de todos os negros brasileiros, mas não consegui os documentos necessários a tempo — conta ela.

Simples assim. Evelyn não dá sinais de que perderá o prumo da própria vida. Mantém o padrão do colégio nas notas da universidade, escolhida também por razões geográficas. A rainha vai a pé da Mangueira até lá, mão na roda para economizar o dinheiro da condução e aliviar o apertado orçamento da família de pai pintor de automóveis e mãe costureira. Um rigor que se acentuou dia 29 de setembro do ano passado. Todos saíram para distribuir doces em homenagem ao Dia de Cosme e Damião e, quando voltaram, o segundo andar da casa estava em chamas. Evelyn perdeu várias roupas que comprara no Japão. Ao menos, a coroa e a faixa de rainha do carnaval foram salvas — estavam na casa da avó, também no morro.

A vida no reino de Cartola, Dona Neuma e tantos outros bambas não a incomoda. Ainda assim, a mulata alimenta o brasileiro sonho da casa própria em outro lugar, para dar mais conforto à família. Para ela sozinha, nem precisa. A nova rainha está de bem com a vida, como referendam seus belos sorrisos.

Duas horas e meia de malhação

O apego aos exercícios e o personal trainer Renan Brandão, 31 anos — seu namorado há nove meses —, ajudam a preservar o corpo perfeito, à razão de duas horas e meia de exercício, cinco dias por semana. Dá e sobra para manter os 67 quilos — 90cm de busto, 70cm de cintura, 102cm de quadril — perfeitos para seu 1,65m. Tanto que, nas refeições dos sábados e domingos, as besteiras estão liberadas, porque Evelyn, benza Deus, não segue a bula fanática das bombadas da folia. Sequer tem próteses de silicone, tampouco pretende pôr, num futuro visível.

— Na avenida, uso um enchimento no sutiã da fantasia e tudo bem.

O despojamento está entre os encantos dela, expresso, por exemplo, no critério de escolha da praia preferida:

— O Leme, ponto final do ônibus que passa aqui na Mangueira.

O estilo da mulata encantou outra professora, Nilce Fran, que conheceu a aluna com 12 anos e dá a ela um veredito nota 10.

— A Evelyn sempre teve maturidade, firmeza e determinação — elogia a mestra, principal formadora de passistas do Rio, no Projeto Primeiro Passo, mantido pela Portela e pelo Sesc de Madureira. — Deu para ver logo que era um prodígio. Estava quase pronta, fiz apenas pequenos ajustes na dança. Ela vai brincar na frente daquela bateria — prevê.

E será à vera, porque Evelyn vai desfilar integrada à apresentação dos ritmistas, não apenas como um enfeite à frente da ala. Com qualquer desfecho que os orixás lhe reservarem, a filha de Iemanjá tem certeza de que viverá a maior emoção de sua vida.

— Não sei as outras escolas, mas a Mangueira é diferente. Pode passar sem fantasia, vestida com sacos plásticos, porque nosso show independe da beleza. Nosso combustível é o orgulho de vir de onde a gente vem — traduz o amor moderado por doses sólidas de sensatez. — Nunca vou viver disso, porque sei que carnaval um dia acaba.

Com Evelyn Bastos de rainha, tomara que demore.

Fonte: Jornal O Globo 



sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Ainda sobre o samba da Beija-Flor, Boni, Globo, Comunicação e Nelson Motta

Rede Globo de Televisão
Sobre o uso indevido de trecho da canção de fim de ano da TV Globo pela Beija-Flor de Nilópolis existe algo que vai além dos direitos autorais.

No mínimo faltou uma pesquisa mais profunda sobre a vida  e a obra de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni!

Como assim os pesquisadores da escola e os carnavalescos não se atentaram que a música de fim de ano da TV Globo não era do Boni e sim do compositor e jornalista Nelson Motta?

Estão utilizando a obra de outro no enredo de um!?

Mesmo que seja acertado a questão dos valores deveria ser revisto o enredo e o samba, afinal de contas esta não é uma obra do homenageado!

Fica a dúvida: a Beija-Flor está homenageando o Boni, a comunicação ou a Globo?

Parece que está homenageando Nelson Motta!

E o que menos tem neste enredo que também é sobre "comunicação" é comunicação!

Leia mais sobre o caso: Clicando aqui!

Ensaio de canto da Mangueira emociona Palácio do Samba

Mangueira

Já no primeiro ensaio de canto de 2014, a Ala da Comunidade da Mangueira mostrou que vem para sacudir a Sapucaí neste carnaval. Com o Palácio do Samba lotado, a emoção tomou conta de todos os componentes que irão desfilar pela comunidade da Mangueira.

Organizada e devidamente uniformizada, o que se viu foi um mar de alegria que empolgou a todos os presentes. Como diz o próprio samba da Estação Primeira: “Lá vem meu povo, a desfilar..”, Segura a Mangueira!

Portela promete desfile com a maior escultura que já passou pela Sapucaí

O carnavalesco Alexandre Louzada e o diretor de carnaval Luiz Carlos Bruno: 60% das fantasias em fase de acabamento (Foto: Alba Valéria Mendonça/ G1)
Luiz Carlos Bruno e Alexandre Louzada
A cerca de dois meses do carnaval, quem entra no barracão da Portela, na Cidade do Samba, no Rio, tem a grata satisfação de ver que a tradicional escola de Madureira está dando a volta por cima das crises de 2013. Segundo o carnavalesco Alexandre Louzada, 60% das mais de duas mil fantasias da comunidade já estão em fase de acabamento. Os oito carros alegóricos e três tripés estão adiantados no cronograma de confecção. Ou seja, a águia, assim como uma fênix, está renascendo das cinzas. E Louzada promete altos voos.
“A Portela vai apresentar um carnaval grandioso e luxuoso. A escola vem com muitas plumas, penas de faisão e pedrarias. A águia vai ter 13 metros de envergadura, terá movimentos, vai gritar e voar alto. Vamos mostrar a maior escultura que já passou pela avenida. No teste que fizemos, ela teve até problema de garganta de tão alto que gritou”, brinca o carnavalesco, para em seguida complementar: “Ela é a representação desse resgate da força da Portela e vai honrar o nome da escola. Ela vai lavar a alma e mexer com o coração do portelense”, acredita Louzada que diz ter dispensado um enredo patrocinado para fazer um carnaval que fosse a cara da escola.
Este ano está diferente daquele que passou. Em 2013, a escola passava por uma grave crise financeira e interna e há menos de um mês para o desfile, as alegorias ainda estavam nas ferragens e havia o temor de o carnaval não ficar pronto a tempo.
Mas as coisas recomeçaram a entrar nos eixos depois da entrada do presidente Serginho Procópio e do vice Marcos Falcon, que inauguraram uma era de mudanças na azul-e-branco de Madureira. Os problemas financeiros estão sendo contornados, graças ao show de Marisa Monte e Paulinho da Viola, em dezembro, e à renda dos ensaios e feijoadas na quadra, além das subvenções da Prefeitura do Rio e da Liesa.
“Nosso carnaval vai estar pronto para entrar na avenida no dia 15 de fevereiro”, garante o diretor de carnaval Luiz Carlos Bruno, ex-diretor da Unidos da Tijuca e ex-carnavalesco da Acadêmicos da Rocinha, e uma das novas aquisições da Portela para o carnaval de 2014.
Louzada diz que a Portela vai se apresentar com muito azul e branco, bem tradicional, ao gosto dos apaixonados pela Portela, mas com muitas novidades. Uma delas diz respeito à integração da ala das baianas com o carro abre-alas, uma alegoria com 40 metros de comprimento.
Outra novidade é a comissão de frente, que neste carnaval está sendo coreografada por Ghislaine Cavalcanti, ex-Beija-Flor de Nilópolis. Ela será uma síntese do enredo “Um Rio de mar a mar: do Valongo à glória de São Sebastião'', que conta a história das transformações da sociedade e da Avenida Rio Branco. Do cais que recebia os escravos à louvação dos barcos nas água da baía, na Glória.
Atriz Glória Pires pensa em voltar a desfilar na Portela (Foto: Ricardo Almeida/ Portela/ Divulgação)
Glória Pires
Com esse resgate da Portela, Louzada - que voltou à escola de onde saiu em 2003 – não só está atraindo portelenses ilustres, como a atriz Glória Pires, que disse que pretende voltar a desfilar esse ano, como também nomes de peso, como a porta-bandeira Danielle Nascimento, filha da ex-porta-bandeira Wilma Nascimento, que se consagrou na escola.
“A Portela não vem para disputar o título. Ela vai desfilar para abalar, para ganhar, mostrando a transformação da cidade e a sua própria transformação”, diz Louzada que quer acabar com 29 anos de jejum de campeonatos.

Mangueira volta a fazer show de verão com Chico Buarque e outros artistas

Chico Buarque da Mangueira
Os olhos cor de ardósia vão brilhar novamente no palco do Show de Verão da Estação Primeira de Mangueira. Mais especificamente no dia 19 de fevereiro, quando Chico Buarque subirá ao palco do Vivo Rio, no Aterro do Flamengo, na Zona Sul da cidade, junto com outros ilustres admiradores da escola. A verde-e-rosa retoma a realização do espetáculo interrompido desde 2009. O Show de Verão é uma produção que tem como objetivo angariar fundos e divulgar o carnaval da Mangueira.
O presidente do conselho de carnaval Elias Riche informou que, além de Chico Buarque, já estão confirmadas as participações de Arlindo Cruz, Alcione, Lecy Brandão, Tantinho da Mangueira, Maria Rita, Péricles e da fadista portuguesa Carminho.  A festa será completada pela bateria Tem Que Respeitar Meu Tamborim, comandada por mestre Ailton e pelo intérprete Luizito, cantando sambas-enredo da escola.
O Show de Verão foi criado em 1998, quando a Mangueira levou para a Sapucaí um enredo que homenageava o cantor e compositor Chico Buarque. Como em todas as outras edições que se seguiram até 2009, os ingressos serão vendidos somente a empresas– que os distribuem entre seus funcionários - e a renda é revertida para o carnaval. Não há venda de ingressos na bilheteria.
No dia 20 de fevereiro, o mesmo espetáculo será apresentado no Teatro HSBC, em São Paulo.

Beija-Flor usa indevidamente trecho de canção de fim de ano da TV Globo em seu samba enredo

Foto: Divulgação
Nelson Motta
A mais nova polêmica do Carnaval carioca envolve a grande Beija- Flor e o poderoso jornalista e compositor Nelson Motta. E a questão está relacionada aos direitos autorais da canção-tema do fim de ano da TV Globo.
Como a escola de Nilópolis homenageia Boni, o ex-todo-poderoso da Globo, os compositores do samba-enredo resolveram retirar um trecho da música que os artistas globais cantam há anos sempre perto do Natal. Só que a agremiação não avisou o fato ao dono da música, chamada ‘Novo Tempo’, que foi escrita por Nelson Motta.
Em um dos trechos finais do samba, ‘O Astro Iluminado da Comunicação Brasileira’, aparece o seguinte verso: “Vem, a festa é sua, a festa é nossa, de quem quiser”, em clara alusão à música da Globo. Nos bastidores da Beija-Flor, o comentário é que acreditava-se que esta música pertencia ao próprio Boni. Por isso, não haveria problema algum em ‘retirar’ tal trecho e incluir no samba-enredo.
Motta já entrou em contato com a escola, através de seus advogados, exigindo seus direitos autorais. Boni, o homenageado, está tentando resolver a questão de maneira amigável, usando sua influência junto ao autor da canção.
A coluna consultou advogados especializados em direitos autorais, que garantiram o direito de Nelson Motta neste caso: “Em música, até poderia ser aceito, desde que não houvesse aferição de lucro com a criação intelectual do autor”, disse um advogado.
Nelson Motta foi procurado, mas, até o fechamento desta edição, não se pronunciou sobre o caso. A Beija-Flor de Nilópolis, através de sua assessoria de imprensa, diz que a agremiação não quer se pronunciar sobre o assunto, pois “já está tomando as medidas legais necessárias”.
Fonte: Jornal O Dia - Coluna Léo Dias