quinta-feira, 6 de novembro de 2014

O fim do super-quesito - conjunto!

Sapucaí
Já era esperado que depois de intensos protestos ao longo dos últimos anos, vindos de influentes agremiações junto à LIESA, algo tivesse de acontecer para assentar os ânimos entres os representantes da elite do carnaval carioca, entretanto, com um  dos julgamentos mais comentados e de muitas teorias, 2014 entrou para a história como um ano em que escola que desfilou sem fantasia, com alegorias de péssimo gosto, mal acabadas e medíocres se manteve frente à outras escolas no mínimo mais bem acabadas plasticamente. Embora a discrepância nas notas de certos julgadores tenha nos espantado com a abertura dos envelopes, gente como Mangueira,  Grande Rio e Império da Tijuca se sentiram deveras punidas por uma certa arbitrariedade e subjetividade na avaliação dos quesitos que vai além do extinto "conjunto".

Esse processo de desconforto tomou forma e capacidade de angariar votos na plenária da LIESA, quando tocou na 'toda-poderosa' Beija-Flor de Nilópolis, num julgamento contestado por seus dirigentes, baseado em perseguição e falta de conhecimentos de alguns julgadores em diversos quesitos, tendo sempre como problema a tal subjetividade.

Com o fim do quesito "conjunto", um caminho se abre para as discussões do pré-histórico regulamento da Liga que aí está, e a presença de jurássicos julgadores que detém um poder em suas canetas que nem seus absurdos erros e bizarras justificativas são capazes de retirá-los de suas robustas  e confortáveis cadeiras, e havemos de registrar: eles são muito bem pagos, não estão fazendo nenhum favor ao mundo do samba.

A iniciativa da LIESA, é na verdade de sobreviver à pressão que neste momento as escolas de samba exercem para se ter qualidade no julgamento, bem como, a certeza de que um julgador não pode punir uma agremiação porque não gosta de sua cor, de seu presidente, porque teve problemas de relacionamento como o carnavalesco, e aí a Professora Rosa Magalhães tem sido vítima desse desatino diversas vezes, ou mesmo porque tem julgador que acha que deve propor soluções para o desfile, seja na bateria, samba, no papel do carnavalesco, e até na decisão da escolha do enredo a ser levado para a Sapucaí. O julgador não pode ser o "Senhor dos Achismos", ele tem de cumprir o regulamento, e nada mais.

Mas que regulamento é esse? O extinto "conjunto" simplificava muito bem toda essa objetividade que carrega o regulamento da LIESA em diversos outros quesitos, e esse caminho é o início, mas não se resolve todos os problemas que vimos entre julgadores e julgamentos. Precisamos de gente que seja credenciada pelo mundo do samba, porque jogador de basquete não vira comentarista de futebol, e, é essa lógica que a Liga insiste em nos empurrar ferozmente todos os anos. Os dinossauros precisam ser extintos do mapa da LIESA!

Outro viés que necessita atenção é o começo das definições mais claras e exatas da forma em que uma escola vai perder ponto em seu desfile, não se pode mais aturar que um casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira como Squel e Raphael que passou correto na avenida tenha de perder pontos porque os julgadores tem problemas de capricho e relacionamento com a Estação Primeira de Mangueira. Não se pode admitir mais que uma Comissão de Frente do porte da Portela, este ano, tenha de sofrer perdas sem nenhum crédito nas justificativas. Se esses casos aqui citados fossem isolados, era de se entender, todavia, o que temos visto todos os anos, é a mesma situação periclitante de desordem e conceitos questionáveis na hora de se canetar alguma agremiação.

A extinção em tela, é digna de aplausos pelo que ela representa, de hoje em diante, nenhuma escola estará sendo julgada por um "super-julgador" que nunca conseguiu pisar na Sapucaí, a subjetividade nos julgamentos está ameaça, e isto faz o carnaval voltar a ganhar fôlego, no mais, é preciso avançar nas mudanças, e aos novos nomes que irão compor o 'Sagrado Panteão de Julgadores da LIESA', é necessário que eles falem a linguagem dos desfiles e não o contrário, e mais, que sejam profissionais do carnaval, sim, doutores do samba e não aprendizes de conceitos!

Com isso tudo começando a acontecer, os versos de Mestre Nelson Sargento ficam mais vivos do que nunca: "o samba, agoniza mas não morre! alguém sempre te socorre, antes do suspiro derradeiro..."

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

LIESA acaba com quesito "Conjunto" e diminui número de julgadores

Liesa acabou com quesito “conjunto” para carnaval 2015 02/03/2014
Carnaval
A Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) anunciou mais mudanças nas regras dos desfiles das escolas de samba para o ano que vem. Em reunião plenária na semana passada, onze dos doze representantes das agremiações do Grupo Especial votaram a favor da extinção do quesito “conjunto”, conforme reportagem do jornal O Dia desta quarta-feira. Desta forma, o item não será julgado em 2015, diminuindo para 36 o número total de julgadores (eles irão avaliar agora nove quesitos ao todo). O corpo de jurados ainda pode sofrer novas modificações, já que a Liga realizará outra reunião nesta noite para discutir a permanência ou a substituição de alguns nomes.

O presidente da Liesa, Jorge Castanheira, afirmou que as alterações são normais e visam tornar o espetáculo mais dinâmico. O dirigente explicou ainda que a exclusão do item “conjunto” foi tomada porque a maioria entendeu que o item já era avaliado em outras notas, como harmonia e evolução. Castanheira não adiantou quantos nomes de jurados devem ser excluídos, mas que o número deve ficar na média dos últimos anos. Para o carnaval de 2014, nove julgadores foram substituídos.

- Eu já tenho julgador que vai ter que operar a coluna, por exemplo, julgador veterano. Esse terá que ser substituído de qualquer jeito. De um ano para o outro, a vida deles mudam. Temos também os que não tiveram um bom desempenho e vemos a necessidade de substituir. É uma dinâmica normal, que acontece todo ano - disse o presidente da Liesa.
Depois de amargar uma das suas piores colocações desde 1992, a Beija-Flor de Nilopólis é a que quer o maior número de mudanças no nome dos avaliadores, pelo menos, é o que defende seu diretor de carnaval. Laíla revelou que foi sua a ideia de debater o fim do quesito “conjunto”. Ele classificou os jurados do item como “super julgadores”.

- Era um quesito que era julgado duas vezes. Não vou ficar feliz se esses jurados ficarem. O julgamento tem que ser feito com honestidade - disparou Laíla.
Único presidente a votar contra a extinção do quesito “conjunto”, Fernando Horta, da atual campeã Unidos da Tijuca, lembrou que a medida já foi tomada na década de 90 e não deu certo, tanto que retornou nos anos 2000. Horta criticou também o modelo de julgamento atual. Para ele, o ideal seria selecionar de 60 a 120 julgadores, e, só no dia desfile, definir quem serão os escolhidos.

- Não concordei em acabar com o quesito. Eles (jurados) analisavam o conjunto completo do desfile. Agora vai favorecer quem tem menos competência. Isso tinha que ser decidido para o carnaval de 2016, não já para o ano que vem. Mas, a Liga é democrática, tenho que acatar - afirmou Fernando Horta.

Eleições na Liesa

Em seu segundo mandato como presidência da Liesa, Jorge Castanheira, garantiu que não vai renunciar ao cargo. Segundo Castanheira, o boato surgiu porque, depois do carnaval de 2015, haverá eleições na Liga. Ele disse que ainda é muito cedo para dizer se concorrerá a reeleição.
- Se eu tiver que ceder espaço para outras pessoas, vou ceder. Isso depende também da vontade das escolas. Tenho que avaliar também como estará minha vida pessoal. Mas, estou focado no carnaval do ano que vem. Todo mundo quer ser campeão no ano dos 450 anos do Rio porque é uma data que marca.

No fim do mês passado, a Liesa já tinha anunciado mudanças. A liga divulgou que o número máximo de alegorias passará de oito para sete em 2015, podendo apenas o abre-alas ser acoplado. A quantidade de tripés também foi limitada: caiu de seis para três. Outra alteração será o horário do início das apresentações: 21h30. O desfile começará meia hora mais tarde por causa da programação televisiva.




Notas do Carnaval 2015

2015
Mais rica que a Ilha?
O presidente Ney Filardi afirmou esta semana, que a União da Ilha do Governador vai realizar um desfile regado de luxo e pompa, com um orçamento que já bate a casa dos R$ 10 milhões, mais de R$ 3 milhões a mais do que receberá de verbas, o presidente disse ainda que se alguma escola quiser ser a mais rica da Sapucaí em 2015, terá de ganhar da Ilha. À esperar...

Mestre Ciça, feliz da vida
O novo comandante da bateria da União da Ilha, Mestre Ciça está esbanjando alegria por onde passa, com declarações que vão da ousadia ao convencimento de que arriscará tudo que sabe (e como sabe!) neste carnaval de 2015. Segundo ele: "foram quatro anos de amarguras, agora me sinto em casa" - palavras de Ciça.

Samba contra a guerra do tráfico
Escolas de samba que estão localizadas em regiões de conflito entre Polícia e traficantes, tem sofrido uma baixa considerável em suas quadras, com perda acentuada de público presente, durante a onda de violência que tem assolado a cidade do Rio de Janeiro, até para quem já possui Unidade de Polícia Pacificadora em seu território. É preocupante o fato, que merece atenção das autoridades competentes.

Já é carnaval na Cidade do Samba!
E pela Cidade do Samba, muito trabalho de quem quer disputar de fato, o carnaval 2015, na frente União da Ilha com seu costumeiro barracão muito adiantado, algumas outras agremiações, entretanto, parecem que ainda sofrem a baixa financeira dos últimos anos, tenso.

Procura-se uma Rainha presente!
É que desde a posse de Cláudia Leite no posto de Rainha da Bateria Não Existe Mais Quente, os independentes de Padre Miguel sentem saudades, digamos assim, de ver sua Rainha seguindo à frente do posto que lhe foi designado. A questão entre uma rainha da mídia e uma rainha de comunidade, perturba, mas não chega a ser um desafio a ser vencido por certos dirigentes, que insistem em trocar samba por fama! Uma lástima!

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Trinta - o filme sobre Joãosinho Trinta - estreia nos cinemas em 13 de novembro

Trinta
A distribuidora Fox Film do Brasil já está em campanha publicitária para lançamento do filme "Trinta", que tem Matheus Nachtergaele na pele de Joãosinho Trinta (1933-2011). A cinebiografia do carnavalesco deve estrear no dia 13 de novembro.
De acordo com a sinopse oficial, "Trinta" conta a história do "primeiro desfile de Joãosinho Trinta no posto de carnavalesco de uma das mais tradicionais escolas de samba do Rio, o Salgueiro". A marcante apresentação na Sapucaí aconteceu em 1974. 

Até então, o protagonista do filme era conhecido como Joãosinho das Alegorias e trabalhava como assistente de Fernando Pamplona no Salgueiro. A trama retrata este período inicial "mostrando sua ida ao Rio, suas apresentações de ballet, seu desejo pelos holofotes e os aplausos, até o inovador desfile 'O Rei da França na Ilha da Assombração'", descreve o material de divulgação. Além de Nachtergaele, "Trinta" tem no elenco nomes como Paolla Oliveira, Ernani Moraes, Paulo Tiefenthaler, Milhem Cortaz, Fabrício Boliveira e Mariana Nunes.

João Clemente Jorge Trinta nasceu em São Luís (MA), em 23 de novembro de 1933. Trabalhou como escriturário na capital maranhense até se mudar para o Rio de Janeiro, em 1951, onde fez dança clássica no Teatro Municipal e montou peças como “O Guarani”, de Carlos Gomes, e “Aida”, de Giuseppe Verdi.
Ele começou a carreira no carnaval como assistente de Pamplona e de Arlindo Rodrigues. Naquela época, foi campeão em 1965, 1969 e 1971. Dois anos depois, em 1973, assumiu  como carnavalesco da escola de samba e fez parceria com a artista plástica Maria Augusta. Com o enredo “Eneida: amor e fantasia”, conquistaram o terceiro lugar no carnaval do Rio. Finalmente, no ano seguinte viria o título, e o bicampeonato aconteceu em 1975, com o trabalho "O Segredo das minas do Rei Salomão."
Joãosinho Trinta saiu do Salgueiro após problemas com a diretoria da escola de samba e seguiu para a Beija-Flor, onde teve uma carreira de sucesso e de campeonatos com o parceiro figurinista Viriato Ferreira.
Com ousadia e enredos luxuosos, Joãosinho Trinta passou a ser chamado de gênio e reinou no Rio, conquistando ainda os títulos de 1976, 1977, 1978, 1980 e 1983. Ele ainda teve destaque com dois trabalhos carnavalescos que ficaram com a segunda colocação, em 1986 e em 1989.
Joãosinho Trinta morreu em 17 de dezembro de 2011, aos de 78 anos, em São Luís, em razão de um choque séptico, infecção generalizada, e apresentava quadro de pneumonia e infecção urinária.

Em 1993, ele já havia sofrido uma isquemia, e por isso não pôde participar do carnaval. Em novembro de 2004, sofreu um AVC (acidente vascular cerebral). Em julho de 2006, sofreu outros dois AVCs, foi internado no Rio e transferido para o Hospital Sarah Kubitschek, em Brasília. Em maio de 2011, passou 37 dias internado no Hospital UDI, em São Luís, com quadro de pneumonia e insuficiência cardíaca.

A última participação de Joãosinho Trinta no carnaval do Rio foi em 2005, na Vila Isabel, com o enredo “Singrando em mares bravios... E construindo o futuro”, que lhe rendeu a 10ª colocação.
Assista ao trailer:


Feijoada + Ensaio da Mangueira - neste sábado (08-11)

Mangueira

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Votar numa presidenta que represente o samba!

Coração Valente
Está chegando a hora de cada brasileiro refletir no futuro que  deseja para o país nos próximos quatro anos, e nessa análise, é claro que cada um vai se posicionar dentro do seu quadrado de idéias e conceitos, entretanto, para além de nossas divergências e/ou identidades políticas, é chegada a hora de pautar em que campo democrático vamos nos posicionar.

E nesse campo das idéias, o samba, perseguido e marginalizado pela direita, exilado nos anos de chumbo durante a Ditadura Militar, oprimido pelo regime conservador que governou esse país com mãos de ferro, num tempo em que as liberdades foram suspensas e restritas, e que escola de samba tinha de ter enredo censurado e confiscado pelo Governo, não se pode admitir que depois de tanta luta  vamos entregar nossas conquistas à um presidente fascista, ditador, aventureiro e oportunista.

Este espaço nunca antes fora utilizado, em defesa de qualquer evidência partidária, embora não faça questão alguma de esconder todo respeito, admiração e militância sempre no campo de uma política de esquerda, que seja progressista, libertária e difusa aos direitos humanos, minhas posições, diferente de muita gente que anda por aí, sempre foram muito claras e concretas as minhas posturas diante de qualquer tema gostem ou desgostem, não dá para se construir conceitos em cima do muro, foi assim que meus pais me ensinaram.

Muito longe de suas origens começa a se desmascarar toda arte aventureira e quase que ordinária da candidata que em três anos passou por três partidos políticos e agora quer pregar uma nova política, utiliza uma jato em sua campanha identificado como financiado por uso de Caixa 2, com seu marido sendo indiciado por desvio de dinheiro público, que escreveu seu Programa de Governo à lápis, onde ao sabor da opinião dos conservadores vai trocando e voltando atrás de seus compromissos, como o fez quando num dia se posicionou à favor da Criminalização da Homofobia e do Casamento Gay, e após 4 twitter de um certo pastor chamado Silas Malafaia criticando sua postura retrocedeu, rasgando a página, alguém que deseja a independência do Banco Central para favorecer os banqueiros desse país e promover o arrocho salarial, a revisão dos Direitos Trabalhistas, a redução da exploração do Pré-Sal, e tantas conquistas do povo brasileiro.

Ao se comparar a posição de cada candidato nestas eleições, o povo do samba, ao qual me enquadro perfeita e apaixonadamente,  não consegue aceitar e ligar seu voto a uma candidata que declarou pautar suas decisões na Bíblia, com todo respeitos às religiões de matriz cristã, vivemos num país Laico, onde não se pode admitir a possibilidade de se misturar política com religião. Num suposto governo liderado por uma presidente conservadora e autoritária, manipulada pelas Igrejas Evangélicas, onde ficariam os recursos para o carnaval brasileiro? Teríamos espaço, incentivos e liberdade para desenvolvermos enredos de matriz africana, da fé que não seja cristã, de temas que não sejam aceitos pelos fundamentalistas? Ou teríamos as amarras em volta das escolas que são de samba?
Embora todo discurso oportunista se faça neste momento, é preciso lembrar que sempre fomos vistos como “festa do diabo” ou termologias bem parecidas envolvidas com o preconceito e retrocesso de todas as nossas conquistas em defesa do samba.

Esta eleição será marcada não apenas por se gostar ou não de um partido, mas por se garantir direitos conquistados, que neste momento estão em risco pela candidatura de Marina Silva e sua trupe fundamentalista.

Pensando na cultura, na diversidade das idéias, artistas se reuniram no Rio de Janeiro neste setembro de ideias, para assinarem um manifesto em apoio à presidenta Dilma Rousseff,  que definiu muito bem sua posição à favor da Cultura e diversidade cultura deste país, gente ligada ao samba em sua grande maioria,  artistas e intelectuais expressivos estão nesta luta, como é o caso de: Alcione, Beth Carvalho, Antonio Pitanga, Chico Buarque, Chico César, Leci Brandão, Leonardo Boff, Luís Fernando Veríssimo, Luís Nassif, Nelson Sargento, Noca da Portela, Osmar Prado, Ângela Vieira, Paulo Betti, Rildo Hora, Saturnino Braga, Tonico Pereira, Zezé Motta e tantos outros grandes brasileiros, confira na íntegra o documento que também está disponível para adesão no site www.dilma.com.br e assine também o Manifesto.


MANIFESTOS DE ARTISTAS E INTELECTUAIS:

A PRIMAVERA DOS DIREITOS DE TODOS: 
GANHAR PARA AVANÇAR

Os brasileiros decidem agora se o caminho em que o país está desde 2003 é positivo e deve ser mantido, melhorado e aprofundado, ou se devemos voltar ao Brasil de antes - o do desemprego, da entrega, da pobreza e da humilhação.
Nós consideramos que nunca o Brasil havia vivido um processo tão profundo e prolongado de mudança e de justiça social, reconhecendo e assegurando os direitos daqueles que sempre foram abandonados. Consideramos que é essencial assegurar as transformações que ocorreram e ocorrem no país, e que devem ser consolidadas e aprofundadas. Só assim o Brasil será de verdade um país internacionalmente soberano, menos injusto, menos desigual, mais solidário.
Abandonar esse caminho para retomar fórmulas econômicas que protegem os privilegiados de sempre seria um enorme retrocesso. O brasileiro já pagou um preço demasiado para beneficiar os especuladores e os gananciosos. Não se pode admitir voltar atrás e eliminar os programas sociais, tirar do Estado sua responsabilidade básica e fundamental.
O Brasil precisa, sim, de mudanças, como as próprias manifestações de rua do ano passado revelaram. Precisa, sem dúvida, reformular as suas políticas de segurança pública e de mobilidade urbana. Precisa aprofundar as transformações na educação e na saúde públicas, na agricultura, consolidando com ousadia as políticas de cultura, meio ambiente, ciência e tecnologia, e combatendo, sem trégua, todas as discriminações.
O Brasil precisa urgentemente de uma reforma política. Mas precisa mudar avançando e não recuando. Necessita fortalecer e não enfraquecer o combate às desigualdades. O caminho iniciado por Lula e continuado por Dilma é o da primavera de todos os brasileiros. Por isso apoiamos Dilma Rousseff.


sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Nego é o novo intérprete da Imperatriz Leopoldinense

Nego
Considerado um dos maiores intérpretes da Era Sambódromo, Nego é o segundo maior vencedor de Estandarte de Ouro na categoria de melhor intérprete com cinco troféus, ficando atrás apenas de Jamelão. Irmão de Neguinho da Beija-Flor, Nego iniciou sua carreira de intérprete oficial na Arranco do Engenho de Dentro em 1986 e passou por grandes escolas como Unidos da Tijuca, Grande Rio, Império Serrano, Viradouro e Acadêmicos do Cubango além de cantar no carnaval de São Paulo e de outras cidades.
Em 2015 a Imperatriz Leopoldinense será a quinta escola de samba a desfilar na segunda-feira de carnaval e levará para a Sapucaí o enredo AXÉ NKENDA! Um ritual de liberdade. “E que a voz da igualdade seja sempre a nossa voz” .


Em tempo, a Imperatriz precisava de um intérprete antes de tudo, responsável e comprometido com seu trabalho. A escola virá com um enredo regado de força e magia, a voz potente e reconhecida de Nego trará este resgate para a comunidade de Ramos, toda energia que será necessária para se levar um enredo que não é somente afro, mas de cunho político na luta e reconhecimento dos direitos de uma raça, chama negra.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Ensaios Técnicos na Sapucaí 2015

Ensaios Técnicos
Divulgada as datas para os ensaios técnicos na Sapucaí, a LIESA espera em 2015 superar o público recorde de 2014, quando a avenida viu passar Mocidade, União da Ilha e Estação Primeira de Mangueira.

A despeito de boatos, a entrada continua gratuita!


quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Quando uma porta-bandeira vira rainha de sua agremiação...

Squel
Num mundo onde o brilho, as penas de faisão e toda sorte de pompa e luxo tomaram conta não apenas de um quesito em particular, mas de todo desfile, era de se supor que as porta-bandeiras tomassem esse rumo, um tanto técnico em demasia, e pouco tradicional, o que não aconteceu graças aos deuses do samba não aconteceu.

Numa posição de extrema relevância, onde divide com seu único parceiro o total de 40 pontos, que quase sempre podem valer um título ou uma posição melhor na classificação, bailar, coreografar, encantar, cantar, defender seu pavilhão, e ainda superar a boa avaliação dos quase sempre duvidosos julgadores da LIESA, parece que virou coisa pra heroína, daquelas que nos acostumamos a ver nos desenhos animados como Mulher Aranha, Jubileo, Tempestade, Jean Grey, Black Cat, Ravena, Vampira, She-Ra, Safira Estrela, Estelar, Mulher Invisível, Kitty (lince negra), Garota Marvel, Super Girl, Espectral,  Viúva Negra, Magma, Boom Boom, Lupina, Mística e tantas outras.

As perguntas que valem ser consideradas são: o que aconteceu com a essência de uma porta-bandeira? Até aonde vai o rigor dos julgadores? Como preservar a tradição desse quesito?

Num cenário de inesgotáveis figuras que se imortalizaram com suas bandeiras em punho, as mulheres de hoje  se superam a medida em que ser porta-bandeira representa muito mais do que 40 pontos para suas respectivas comunidades, representa por si só, o encanto e magia de legítima identidade e reciprocidade com seus leais torcedores.

Vi uma porta-bandeira chegar na Estação Primeira de Mangueira, não faz muito tempo... vi como se esperasse ser surpreendido, em busca talvez de um Estandarte de Ouro ou da tão aguardada nota máxima, daquelas que defendendo a Beija-Flor de Nilópolis, a maior de todas em nossos dias nos acostumou a ver, Selminha Sorriso e sua impecável exibição costumeira, ou parte do glamour que Ruth Alves, Giovanna e Lucinha Nobre nos presenteiam todos os anos, era somente isso que esperava. Entretanto, o que eu vi, foi um quesito renascer com uma força incalculável e misteriosamente surpreendente ao som de um surdo um. 

É bem provável que a Mangueira tenha aprendido com toda sua gloriosa história em defesa do samba, que este é um quesito que sempre valerá muito mais do que  40 pontos, vale o coração de uma gente que não se cansa de adorar e idolatrar as cores de seus pavilhão. Squel Jorgea, é uma dessas mulheres que quando chegam em uma agremiação se tornam verdadeiras rainhas, mas talvez o reinado com bandeira na mão, se faça muito mais por toda sua ancestralidade e paixão, porque é preciso ter mais do que talento, é preciso paixão incondicional.

Vi uma porta-bandeira, vindo de Mangueira passar por algumas outras agremiações, com excelentes resultados, mas não tão viva, esperançosa, ardente em chamas de amor como hoje a vejo na Verde e Rosa, uma Squel que conquistou sua gente, seu povo, a crítica especializada, as co-irmãs, uma já tão experiente profissional, mas com ginga de revelação, porque talvez, hoje, tenha reencontrado seu verdadeiro amor, a Estação Primeira de Mangueira de seu avô, o eterno Mestre Xangô.

Nas veias dessa porta-bandeira corre sangue verde e rosa, seu suor, aos que perto estão exala uma espécie de identidade familiar com todos que se digam mangueirenses, sua presença se tornou nessa retomada de rumo da escola uma espécie de referência muito associada à tradição, que nunca deveria ter saído do rico celeiro de Mangueira.

Em 2014 não veio Estandarte de Ouro, nem tão pouco a nota máxima (o que poderia eu, aqui discutir, vide as justificativas nada justificáveis), mas o que veio foi maior do que qualquer prêmio, coisa que pouca gente no mundo do samba sabe o que representa, somente uma escola realmente de samba, conseguiria entender o que é resgatar um nome como o de Squel Jorgea, o que é ter uma porta-bandeira legitimamente mangueirense. O que conquistamos nesse  ano foi amor, desses que a gente reza todos os dias para que dure a vida inteira.

Porque quando uma porta-bandeira vira rainha de sua agremiação, o mundo do samba agradece!

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

O que uma carnavalesca como Rosa Magalhães pode fazer com uma escola de samba...

Rosa Magalhães
Inegavelmente, a despeito da máfia hollywoodiana que deseja transformar o carnaval carioca em qualquer coisa que não uma festa popular do samba, do povo, dos Morros, das favelas, do negro, o que sendo assim, conseguiu ultrapassar os muros de uma gente e tomar o mundo inteiro, como o maior espetáculo a céu aberto do planeta, Rosa Magalhães consegue ainda, a cada ano que passa me surpreender por toda sua genialidade e talento, sensibilidade capaz de recuar quando é preciso e avançar quando é necessário.

Desde aquele "Bumbum paticumbum prugurundum" em tempos de glórias do Império Serrano em 1982, sua marca diferencial se tornou patrimônio cultural dessa festa, e o tempo passou como se nada tivesse afetado suas mãos e seu próprio tempo. Rosa não se permitiu influenciar, se modificar de forma inadequada à sua tão honrosa Escola de Belas Artes, onde como professora fez não apenas seu nome ser respeitado, mas com seu estilo beirando à perfeição ser reconhecido, e por tantas vezes vimos a tentativa do plágio bater em sua porta.

Com o retorno da Viradouro ao grupo especial, o que se esperava era ver uma São Clemente mais perdida do que a seleção brasileira naquela goleada histórica na #CopaDasCopas, entretanto, a admissão da maior campeã em atividade do carnaval por parte da escola da zona sul, representou uma virada de mesa indiscutível e esperada. Seu trabalho em 2014 na Estação Primeira de Mangueira muito embora visto de forma rígida além do conceito para outras  agremiações por parte dos julgadores da LIESA, já naquele momento representou uma retomada no rumo da Verde e Rosa, com uma carnavalesca que por si só impõe respeito.

Essa São Clemente que se configura sob as ordens da Professora Rosa Magalhães, tornou a abertura da segunda-feira de carnaval de 2015 tão competitiva como qualquer outra posição, e tão aguardada como os desfiles de escolas um tanto mais "tradicionais". O que temos até o dia de hoje, é uma escolha por um enredo extremamente significativo,  repleto de nuances do bom gosto, com uma capacidade de crescimento gigantesco, que só a Professora poderia conduzir, passeando por uma sinopse que ao lado da Beija-Flor de Nilópolis se tornou na humilde concepção desse blogueiro, uma das  melhores apresentadas até agora, com condições para se acertar um  samba de enredo Estandarte de Ouro, e o que temos é talvez a melhor safra da escola dos últimos anos. E que belos sambas! Parabéns aos compositores clementianos, por conseguirem captar a essência de uma mulher à frente de seu tempo!

É exatamente isso o que pode fazer uma carnavalesca com as credenciais de Rosa, tornar o sonho possível, a vontade em ação, e as ideias em bom gosto. E reparem que as atividades visíveis para nós no barracão amarelo e preto na Cidade do Samba, ainda nem são possíveis de se avaliar.

A saída de Rosa da Estação Primeira representou uma espécie de desafio para a Professora tantas vezes campeã, transformado feito alquimia em bom gosto e qualidade.

E que venha o grande carnaval de Rosa Magalhães!

Vamos São Clemente, Essa É A Hora!

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Feijoada da Mangueira recebe Portela neste sábado (09-08)

Feijoada

A Feijoada Verde e Rosa deste sábado, dia 9, está recheada de atrações para festejar os 90 anos de seu ilustre Presidente de Honra Nelson Sargento. Um show com a Velha Guarda, comandada por mestre Tantinho vai relembrar sambas antológicos do aniversariante que é também baluarte e compositor da Mangueira.

A roda de samba será dos Grupos Batuque na Cozinha e Art Junior. E ainda teremos o encontro das baterias Tem Que Respeitar Meu Tamborim, da verde e rosa e a Tabajara do Samba, da Portela.

Na programação ainda terá o lançamento do livro Mussum Forevis, de Juliano Barreto. Vale lembrar que a Mangueira receberá a comissão julgadora do concurso “Feijoada Nota 10”, do Rio Gastronomia, que percorre as principais quadras das escolas de samba do Rio de Janeiro. A Mangueira foi campeã em 2011. Com a volta do chefe campeão Raul Cesar e com todas essas atrações, eis uma boa chance para a verde rosa trazer de volta esse caneco!


FEIJOADA VERDE E ROSA
Sábado, dia 9/08, a partir das 13hs
Entrada: 20,00
Feijoada: 20,00
Na Quadra da Mangueira – Rua Visconde de Niterói, 1.072 - Mangueira

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Ensaios técnicos do Grupo de Acesso 2015

Ensaio Técnico
20 de dezembro (sábado)
19 h – Unidos de Bangu
20h – Em Cima da Hora
21h – Alegria da Zona Sul

 21 de dezembro (domingo)
19h – Acadêmicos de Santa Cruz
20h – Renascer de Jacarepaguá
21h – Inocentes de Belford Roxo

4 de janeiro (domingo)
19 h – Caprichosos de Pilares
20h – Paraíso do Tuiuti
21h – Estácio de Sá

10 de janeiro (sábado)
20h – União do Parque Curicica
21h30 – Império Serrano

17 de janeiro (sábado)
20h – Império da Tijuca
21h30 – Acadêmicos do Cubango

24 de janeiro (sábado)
20h – Unidos do Porto da Pedra
21h30 – Unidos de Padre Miguel

A Beija-Flor contra a boataria 2015

Ditadura
Com enredo definido, muito característico ao que a escola bem sabe produzir, a diretoria da Beija-Flor de Nilópolis já prometeu um desfile nunca antes visto na história da Sapucaí. Parafraseando o ex-presidente Lula? Talvez...

Nessa viagem pelo milionário enredo sobre a Guiné Equatorial, a Beija-Flor já está lidando não apenas com a expectativa do desfile para apagar de uma vez por todas o desastroso Boni, o tal "astro da comunicação", depois de um ano conturbado, sendo bombardeada pela crítica e admiradores, e até por setores da própria escola, sobre  samba e enredo. O 2015 nasceu com uma esperança do #VamosVirarEsseJogo, entretanto, diante da situação tanto econômica, como de governo propriamente dita, numa dura ditadura em que vivem os moradores do país africano, com índices do IDH muito abaixo da média mundial, a escola de Nilópolis parece que está embarcando numa espécie de campanha contra-Guiné, logo, contra o desfile da "Deusa da Passarela".

O que deve se levar em consideração, é que mesmo vivendo numa dura ditadura, talvez realmente não fosse o caso de se exaltar um lugar onde as pessoas vivem sob  o jugo da opressão, no entanto, a escola tantas vezes campeã sabe muito bem desenvolver um enredo com temática africana. Vejamos as críticas:

  • Se a crítica está fundada no patrocínio, é hora então, de repensarmos os tantos outros patrocínios e formas de se colocar um carnaval na avenida que diversas escolas escolhem;


  •  Se a crítica está fundada na ditadura, é nítido que a escola não vai tocar nesse assunto, o que até poderia fazer como forma democrática, talvez até para apagar aqueles anos de chumbo com desfiles em exaltação ao regime militar no Brasil, mas não deve seguir esse caminho, tem muita grana envolvida;


  •  Se a crítica é por conta das condições de desenvolvimento humano naquele país, ora, tantos outros enredo já passaram pela Sapucaí sem essa preocupação, e que seja a oportunidade, através de ações comunitárias e humanitárias, apresentações culturais abertas ao povo da Guiné, que a escola possa levar um tanto de alento e cultura para nossos irmãos distantes.


Em suma, a escola vai precisar sim, se desdobrar para levar um história competitiva que soe de bom gosto, tanto aos julgadores, como crítica e sambistas; o que o mundo do samba não irá admitir é ver um regime ditador, um povo oprimido, passar como se fosse feliz na avenida. A luta do poder econômico com milhões na avenida, não funcionou em 2014, não vem funcionando em carnavais recentes, e certamente não funcionará em 2015, se não tiver aliado a um bom enredo, com samba de qualidade e notícias boas do  povo que vai ser homenageado.

E começou um ano, para se provar que a escola quer ajudar a mudar a história de um povo que sofre pelas mazelas de um regime anti-democrático, onde cabeças são decepadas em praça pública ainda, quando a voz do ditador não é ouvida ou questionada. A maré de virar a mesa na Beija-Flor, começou com um onda de boatos e verdades que se misturam entre si, não pelo desgosto à escola, mas pela luta democrática que os brasileiros tem pela liberdade e qualidade de vida, muito conquistadas pós-regime militar e diante dos últimos  12 anos de governo de esquerda reiniciados por Lula no Brasil. 

A Beija, pode sim, virar esse jogo, mas é preciso olhar pra dentro de si com muita humildade, respeito às Instituições democráticas e lutas de um povo que só quer ser livre!

Vamos Virar Esse Jogo Beija-Flor!

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Que Vila Isabel é essa?

Do céu ao inferno, a escola de Noel Rosa viu o carnaval de 2014 se caracterizar como um de seus piores em toda sua história, exatamente pelo que este humilde blogueiro vem pregando ao coro de muitos: sem gestão é impossível fazer carnaval...

Vila Isabel
Repaginada, introduzida uma nova direção, um pouco mais apaixonada do que técnica, a Vila Isabel decidiu se levantar do chão, e provando isso a presidente contratou ninguém menos do que o mestre Max Lopes, que a despeito de quem não faz questão alguma de preservar o passado, a história do carnaval, as qualidade de um profissional com a vivência de Max, ele ainda pode, se quiser superar seu bom gosto costumeiro, voltar a brilhar em terras de Vila Isabel.

Com um enredo extremamente poético, a Max desenvolveu uma sinopse que proporcionou todas as vantagens para a refinada Ala dos Compositores produzir o que pode ser uma das melhores safras de sambas de enredo na Vila dos últimos tempos. O que será uma missão um tanto difícil, levando em consideração os últimos anos em que os poetas gerados pelos ares de Noel Rosa e Martinho da Vila, nos brindarão, mas possível.

Que Vila é essa? Que Vila queremos e esperamos ver na Sapucaí?

Por certo, uma Vila Isabel imponente, com sua comunidade mais valente do que nunca. A escola possui segmentos fortes ao extremo, que mesmo diante da crise de 2014 não se abateram, está aí como exemplo harmonia e evolução, que sobreviveram a inesperada situação caótica em que passou a azul de branca da zona Norte.

E essa resistência vai passar pela Comissão de Jayme Arôxa, pelo bom gosto do carnavalesco, com uma reviravolta plástica e em tons certamente agradabilíssimos, afinal, estamos falando do homem que se consagrou como o "Mago das Cores". 

Os sambas da Vila já estão aí para a disputa, que certamente será acirrada e dinâmica, capaz de já induzir o sucesso de seu carnaval, e parece que a escola  conseguiu conquistar seu primeiro objetivo, que é fazer um carnaval extremamente artístico e poético, profissional ao extremo sem perder a essência do samba de qualidade.

A Vila que eu espero ver passar diante dos meus olhos naquela tão esperada segunda-feira de carnaval de 2015, é a Vila de Martinho da Vila com todas as nuances possíveis que essa expressão permite. É a Vila 100% comunidade, valente e guerreira, que ao longo desse processo que já estamos vivendo de apresentação de sambas, fantasias, projeto artístico, escolha de samba, organização e produção do barracão, pode voltar a ser a Vila Isabel campeã que o mundo do samba espera reencontrar na poesia e talento dessa gente que está mostrando que só quer respeito.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Que bateria é essa?

Bateria da Mangueira
Quando a gente defendeu que a tradicional bateria da Mangueira deveria voltar às suas raízes, e que não havia entendimento de uma bateria com as credenciais da Verde e Rosa, ter de carregar uma marca que tem outro dono que não a Instituição Cultural G.R.E.S. Estação Primeira de Mangueira, a gente não estava defendendo apenas uma simples troca de nome, mas a essência do quesito propriamente dito.

Se na gestão Ivo Meirelles algo realmente funcionou, isso foi a bateria, então "Surdo Um", comandada a mãos de ferro pelo aí sim talentoso artista que desejou virar presidente, este, deu todas as condições que a bateria precisou para brilhar. E com a chegada de Mestre Aílton, vimos uma bateria arrepiar a Sapucaí, com paradinhas, paradonas, super-paradonas, duas baterias, e essa que era tão tradicional começou a trilhar um caminho quase hollywoodiano, talvez sem volta, se no tempo certo não tivesse sido resgatada. Essas linhas não tratam de criticar negativamente a postura dessa bateria durante a gestão passada, de forma alguma, foi preciso para aquele momento, e repito, para aquele momento.

E se era apenas um momento, aquele momento tinha data de validade, e quando venceu, havia um clamor da nação mangueirense de ter sua bateria de volta, e prontamente o presidente Chiquinho da Mangueira e sua diretoria atendeu esse desejo do povo de Mangueira, e vimos uma nova bateria, bem nos moldes daquela dos consagrados Mestres Alcyr Explosão, Taranta e tantos outros sagrados sambistas que deram nome e sobrenome à bateria da Estação Primeira de Mangueira ao longo desses 86 anos.

O retorno da bateria "Tem Que Respeitar Meu Tamborim", com uma Rainha da comunidade, e uma batida que fosse idêntica a nossa tradicional, começou num processo em que Mestre Aílton foi extramente necessário e realizou um bom trabalho, só que era apenas o primeiro passo, a Mangueira precisava mais, e ainda precisa. O que temos hoje, é o ressurgimento das crias da Mangueira, de quem nasceu e vive não apenas no Morro, mas na escola que é acima de tudo, de samba! 

Hoje, ainda se preparando para 2015, essa nova, da mesma antiga "Tem Que Respeitar Meu Tamborim", incorporou de fato, a honra que é representar esse extraordinário coração verde e rosa, que move e impulsiona a "mais querida do planeta". Não se trata tão-somente de um segmento ou uma bateria, se trata de uma paixão, difícil de ser conceituada em palavras ou linhas que nem de longe reflete todo sentimento que envolve essa mágica batida, mas que esses meninos da Mangueira muito bem já tomaram para si.

Trabalhando sem parar, com garra, coragem, determinação e pulso firme, a nova bateria da Velha Manga, tem a missão de resgatar nosso orgulho de ser Mangueira, e a força que une nosso mundo à um mundo onde vive imortais como Cartola, Carlos Cachaça, Nelson Cavaquinho, Jamelão, Mestre Delegado, Dona Zica, Dona Neuma, e tantos homens e mulheres de Mangueira, que nos fazem acreditar que nossa missão em defender essa escola de samba é maior do que qualquer vaidade ou dissidência.

Essa é a bateria que queremos!

Vamos Mangueira, Essa É A Hora!

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Compositor faz samba e não milagre!

Samba
Essa janela que existe entre o resultado de um carnaval e o início da temporada de outro, onde vemos um imenso mercado de profissionais sendo negociados, bem como todo tipo de proposta de enredo. Sinceramente, é um tempo de muita ansiedade e expectativa para quem faz carnaval, samba e poesia. E assim como todos os profissionais, estão incluídos aí os poetas do samba, compositores, que nesse período já negociam com quais parceiros e em quais agremiações vão disputar samba. E seguindo esse contexto, todos nós, apaixonados por nossas escolas de samba ficamos inquietos, querendo sempre uma ala de compositores ainda mais forte e dedicada, no mínimo poética, não fosse apenas por isso, vivemos a longa angústia da escolha dos enredos e lançamento das sinopses que eles, os eternos poetas, vão utilizar como base para suas obras.

Será a partir do lançamento do enredo e posteriormente das sinopses que tudo se dará, e realmente todo o trabalho será desenvolvido e criado. E esse momento de angustia e suspense, muito se dá porque hoje em dia, um enredo por ser qualquer coisa! A palavra “coisa” pode não soar muito bem, e ser até feia para uma arte tão bonita como os desfiles das escolas de samba, mas nos últimos anos estamos vivendo um tempo em que enredo pode ser, de fato qualquer coisa: um lugar, uma pessoa, uma situação, um sentimento abstrato, uma emoção, uma data, um rio, um animal, ou mesmo tudo isso misturado, ou nada disso, pode sim, ser qualquer coisa.
Os sambas de enredo, ao contrário dos enredos, pelo menos na teoria, não podem ser qualquer coisa, nem mesmo colocados nesse pacote do ‘vamos vencer de qualquer jeito’ e ‘no fim das contas o resultado vai justificar tudo’, porque aí, nem sempre o bom resultado vem.

Sambas de enredo têm por obrigação serem bonitos, elegantes, simpáticos, empolgantes, de fácil comunicação com o povo, tem de ter cada qual sua particularidade. Mas a pergunta que me faço é: como pode nascer um samba bonito oriundo de um enredo feio e sem conteúdo? Definitivamente, não há como esse milagre acontecer!

E por mais que existam alas de compositores repletas de homens e mulheres talentosos e esforçados, esse milagre dificilmente acontecerá, o máximo que vai acontecer é transformar o feio em arrumadinho, o que não é a função do samba.
Não bastasse essa falta de compromisso com a escolha dos enredos, vamos para outro problema grave: as sinopses!

No período pós-lançamento de enredo, o carnavalesco da agremiação vai explanar a sinopse para o próximo desfile, o coração do samba está ali naquele ato, a entrega da sinopse pode até acontecer, mas nem sempre uma boa explicação acontece, infelizmente.

Vemos enredos passarem nos últimos anos, tão confusos e sem conteúdo, que nem mesmo os próprios carnavalescos conseguem defende-los com dignidade e valentia. Aí estamos enlaçados num prejuízo sem precedentes, péssimo enredo, péssima sinopse e vem aí um samba do ‘crioulo doido’ (sem a qualidade dele, é claro).

É lógico que nem todo bom enredo gera um bom samba, mas aí podemos colocar os compositores para pagarem essa conta, mas certamente um enredo de pouco conteúdo e gosto duvidoso, em hipótese alguma será capaz de fazer nascer um bom samba, competitivo e capaz de emocionar e levantar o povo, e aí a culpa não pode ser direcionado aos guerreiros compositores.

Então, nesse período, ainda de expectativas quanto aos sambas de cada agremiação para 2015, vamos prestar bastante atenção em como cada escola decidiu seu enredo, desenvolveu sua sinopse, para só então, olharmos para os compositores, porque esses poetas podem ser sagrados, mas não milagreiros.


A gente não quer só samba,  a gente quer samba e arte, e não mais milagres!


Publicado no site Rádio Casa do Samba, em 27 de junho por Raymondh Júnior

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Encontro Nacional do Samba. Participe!

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Samba
Carnaval é assunto sério, tema que precisa ser incorporado à política nacional, tratado como parte da indústria brasileira,uma das mais importantes marcas do país no mundo, e um dos grandes pilares de exportação e do desenvolvimento nacional.
Representa, hoje, aproximadamente 5% do faturamento da Cadeia Produtiva do Turismo, que responde por 3,7% do Produto Interno Bruto (PIB) e gera 2,9 milhões de empregos diretos. Estudo do Ministério do Turismo sobre o Carnaval de 2013 aponta que o país recebeu 6,2 milhões de turistas e movimentou R$ 5,7 bilhões em todo o Brasil. E gerou cerca de US$ 1,3 bilhão em exportações.
Com forte potencial de exportação de eventos, fantasias e exposições, de produções fonográficas, audiovisuais e editoriais, em torno do Carnaval há um conjunto de atividades econômicas diretamente impactadas em todo o Brasil, com expressivo volume financeiro.
Por isso, chegou a hora de refletirmos sobre o assunto de maneira profunda, envolvendo todos os agentes do processo – carnavalescos, poder público e empresários – numa discussão ampla. E o Rio de Janeiro, pelo seu protagonismo no assunto, deve ser o líder dessa convocação nacional.
  

Quinta-Feira 31 julhosambacon-logo2

16 horas – MESA DE ABERTURA
  • Carnaval, assunto de política nacional: a construção de um Plano Nacional do Carnaval

Sexta-feira – 01 de agosto

14:30/16:00 – Impactos do Carnaval na Economia e no Turismo
  • A cadeia produtiva do Carnaval
  • Carnaval exportação
  • Políticas públicas de incentivos para o Carnaval
16:30/18:00 – Modelos de gestão dos carnavais do Brasil
  • Comercialização e Marketing
  • Formas de patrocínio 
18:30/20:00 – Cidadania e Mão de Obra
  • Projetos de Cidadania
  • Qualificação de mão de obra
  • Contratação de Pessoal: formalização x informalidade

Sábado –  02 de agosto

14:30/16:00 – Carnaval de Rua
  • O crescimento da festa nas ruas
  • Cidades e carnaval
16:30/18:00 – Gestão das Escolas de Samba
  • Visão empresarial
  • Enredo – mais que uma ideia
18:30/20:00 h – Mídia
  • A cobertura jornalística do Carnaval
  • As mídias digitais

Inscrições: http://www.carnavalia.net/