segunda-feira, 17 de agosto de 2015

E o samba voltou para o Borel...

Quadra Unidos da Tijuca
É triste ver uma agremiação se afastando do que move sua existência: o samba. A Unidos da Tijuca, embora nos últimos anos tenha encontrado o caminho da vitória, em desfiles extremamente competitivos, dando marcha a um novo conceito de se fazer carnaval neste país sob a batuta do genial Paulo Barros, passou a desprezar a qualidade de seus sambas. Isto posto, poderia elencar aqui diversos motivos pelos quais obras de gosto duvidoso passaram pela avenida recentemente ao som quente de gargantas afinadas vindas das bandas do Borel, mas não é isso que importa neste momento, o bom mesmo é  que o samba voltou.

Com um enredo  duvidoso, ao menos quanto a sua criatividade, a Tijuca conseguiu desenvolver uma sinopse clara e eloquente quanto ao que deseja mostrar na Sapucaí, o que não o fez com o tal  chocolate suíço meio amargo, recuperou a vontade de seus poetas de buscarem inspiração e requinte para suas obras.

O que vejo hoje na Tijuca é nada menos do que no mínimo a melhor safra de sambas de seus últimos 15 anos, obras como de parceria de Gustavinho, Manfredini e Dudu Nobre se destacam em qualidade, poesia nostálgica que há muito sentia falta por lá, parece que o pavão está emplumado.

É bom que se recorde, que durante esta seca sofrida pela escola neste quesito, com algumas obras que até cumpriram seu papel de cantar o enredo, mas nada além disso, seu torcedor começou a utilizar um discurso de que não precisava de samba bom, muito incentivado por seu presidente, o tal português que nem sempre consegue unir sensatez com talento administrativo (que tem de sobra), mas hoje, graças aos deuses do samba, o tijucano recuperou sua auto estima de sambista nato que é, e abandou esta teoria medíocre, e talvez, tenha lembrado de sua história em defesa do samba.

Como aquele lendário "Agudás", a escola reacendeu a chama do samba em 'amarelo-ouro e azul pavão', retornando ao lugar de onde nunca deveria ter se afastado. E que boa receita, oras, uma escola de bom enredo, estruturada, finanças saneadas, quesitos muito bem organizados, e agora com o samba voltando para sua casa.


O SONHO CONTINUA

O dia vai chegar
Nem vou tentar conter a emoção
Vou me esconder pra ver comemorar
Aquele mais humilde folião

Hei de lembrar então
Do baluarte que já nos deixou
E a ele vou erguer meu pavilhão
Amarelo-ouro e azul pavão

Nas cinzas da quarta-feira que não vai acabar
Gira a porta-bandeira
O Morro desce a cantar
Chora a velha baiana
Couro manchado em vermelho
Na raça tijucana
O amor mais puto e verdadeiro

Tijuca!
Faz esse meu sonho acontecer
Desfila teu canto de amor e luta
Chegou a nossa hora de vencer!

(Samba exaltação, Júlio Alves)


Vamos Tijuca!

Foto: Ricardo Almeida



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