segunda-feira, 1 de abril de 2013

Análise das justificativas Carnaval 2013 sob o olhar de Leonardo Bruno


Carnaval 2013
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
A se observar que em todas as 48 notas e justificativas, apenas os mestres-salas foram citados como "responsáveis" pela perda de pontos; as porta-bandeiras não foram citadas em nenhuma (sim, nenhuma!) das justificativas.
- Jurado Ilclemar Nunes
Me causou espécie esta frase na justificativa da Grande Rio: "E, sem ao menos esperar o meu sinal para seguir em frente, partiram para os outros módulos". Será que o casal tem realmente que esperar o jurado fazer algum sinal para ir embora? O casal deve se apresentar para todo o público, e não apenas para o jurado. Por que o jurado teria essa prerrogativa de definir o tempo que o casal deve se apresentar? Quem deve decidir isso não é o próprio casal (a escola, no caso)? Vale lembrar que isso só acontece nesse quesito. E, para o desfile, é muito ruim. Afinal, os sambistas devem se apresentar para toda a Avenida. Não custa lembrar que, por conta dessas apresentações para o júri, boa parte dos casais dança apenas em frente aos módulos de jurados. E quem está do lado oposto do júri vê o casal de costas.
- Jurado Tito Canha
Foi o que melhor definiu o problema na fantasia do mestre-sala do Salgueiro: "A fantasia do mestre-sala causou uma fratura estética no figurino do casal, resultando em um desequilíbrio harmônico com indesejáveis consequências para o bailado".
Outra justificativa muito louvável de Tito Canha foi a da União da Ilha: "A coreografia apresentada posicionou o casal em grande parte do tempo de frente para o julgador, ficando o casal lado a lado". Perfeito, Tito! O casal deve dançar entre si, e não para o jurado!
Usou apenas três das 11 notas possíveis: 9.8, 9.9 e 10.
- Jurada Beatriz Badejo
Usou apenas três das 11 notas possíveis: 9.8, 9.9 e 10.
- Jurada Áurea Hammerli
Justificativa da Inocentes: "Nesta apresentação não foi vivenciada a dança e toda a maestria característica desse casal. Não foi explorada toda técnica e beleza que correspondem ao trabalho de vocês, de conhecimento público". O julgador deve se deixar influenciar pelo histórico do casal, ou partir do zero em cada julgamento? Caso a maestria do casal não fosse de conhecimento público, eles teriam uma nota maior ou menor?
COMISSÃO DE FRENTE
- Jurado Paulo César Morato
Em geral, é um dos jurados mais criteriosos do carnaval, e isso pode ser visto ano após ano, trazendo justificativas coerentes. Neste carnaval, basta dizer que 9 das suas 12 notas foram descartadas. Deu apenas uma nota 10.
- Jurado Marcus Nery Magalhães
É curioso observar como o jurado cobra em suas justificativas um momento de clímax que tenha impacto sobre o público na apresentação das comissões de frente. Será que esse realmente é o objetivo da comissão de frente? Segundo o regulamento, e analisando sua função histórica, vemos que a função é apresentar a escola e saudar o espectador, mas o júri tem exigido um impacto que não se sabe de onde vem. No caso do jurado Marcus Nery, isso foi cobrado de Inocentes, Salgueiro, União da Ilha, Mocidade, São Clemente e Mangueira.
Outro ponto a ser destacado é que o jurado, em suas observações finais, escreveu que "as comissões de frente de algumas escolas não estão cumprindo o regulamento com a devida saudação do público, não estando a referido saudação nem sempre embutida dentro da coreografia". Ele mereceria aplausos mil por essa observação – afinal, ele tem toda razão, as comissões têm deixado de apresentar a escola e saudar o público... Mas tem um detalhe: as únicas escolas punidas por ele em relação a esse item foram São Clemente e Ilha. E aí fica a pergunta: se essa questão foi observada em várias escolas, a ponto de merecer um comentário especial ao fim do julgamento, por que apenas duas foram descontadas?
- Jurado Raphael David
Atentem para esta justificativa da São Clemente: "A personagem Gabriela se apresentou sobre o elemento cenográfico de apoio logo após a exibição da comissão de frente diante da cabine de julgamento, o que permitiu concluir que a apresentação perante a cabine de julgamento não teria sido completa". Isso mostra como a apresentação "exclusiva" para os jurados é nociva ao carnaval. Com essa obrigação, o jurado pode resolver achar que a apresentação feita para ele não foi completa, que algo faltou e só foi feito depois, esquecendo-se de que o público presente à Sapucaí também merece ver coreografias e apresentações diversas – e que o jurado não é a peça principal nesse jogo.
- Jurada Fabiana Valor
Acreditem: apesar da situação alarmante que vimos este ano em relação aos excessivos tamanhos das alegorias das comissões de frente, apenas um jurado relatou isso em seu julgamento. Fabiana Valor, nas observações, criticou as "Alegorias muito grandes (nem sempre bem acabadas), cobrindo o que vem a seguir, mestre-sala e porta-bandeira, que são tão importantes quanto as comissões de frente", ressaltando que vários têm "um tamanho enorme, sem acrescentar muito à comissão". Por esse motivo, Fabiana merece destaque, embora (acreditem!) não tenha punido nenhuma das escolas em seu julgamento por essa questão.
Nas justificativas de suas notas, Fabiana Valor peca pela repetição e pela falta de clareza. Grande parte dos pontos descontados por ela foi atribuída a um mesmo motivo: excesso de informações nas comissões, com várias cenas acontecendo ao mesmo tempo. Isso foi relatado nas apresentações de Ilha, Mocidade, Portela, São Clemente, Mangueira e Beija-Flor.
Ressalto também que seus descontos de pontos foram todos na apresentação (o quesito é dividido em duas partes: concepção e apresentação). Apenas uma escola teve punição na concepção (e mesmo assim por problemas na indumentária), a Mangueira. As outras ONZE agremiações tiraram a nota máxima nesse item. Isso quer dizer que a jurada Fabiana Valor viu concepções muito boas de comissão de frente passando pela Avenida, todas no mesmo (alto) nível? Vimos carnavais muito diferentes então.
Duas justificativas curiosas:
"A indumentária do grupo de bailarinos que estava no chão era um macacão de lycra, que junto com alguns 'saltos mortais' presentes na coreografia, me remeteu diretamente à ginástica olímpica, coisa que não estava proposta na comissão" (INOCENTES)
"No momento 'Milagre da vida que nasce da Terra', algumas bailarinas estavam sem a terra ou maquiagem no seio, chamando a atenção para este detalhe" (VILA)

Por Leonardo Bruno

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