sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

80 ANOS DE DESFILES: SAMBÓDROMO MUDOU A FORMA DE FAZER CARNAVAL - ALEGORIAS E FANTASIAS CRESCEM DE TAMANHO

A Velha Guarda da Portela na comissão de frente: a escola foi a última a acabar com essa tradição, em 1993
Portela 1993
A Velha Guarda da Portela na comissão de frente: a escola foi a última a acabar com essa tradição, em 1993

A construção do Sambódromo, em 1984, mudou radicalmente o carnaval. A primeira mudança foi física: o público ficou mais distante das escolas, e os carnavalescos começaram a bolar fantasias maiores e alegorias que pudessem ser vistas de cima. A segunda alteração foi na disputa: os desfiles passaram a acontecer em dois dias.

No primeiro ano da Passarela, o julgamento foi bem diferente. Havia um júri para o desfile de domingo, e outro para a segunda-feira. Cada dia teria o seu próprio campeão (a Portela ganhou domingo, a Mangueira na segunda). E no sábado seguinte, as primeiras colocadas de cada dia se apresentariam novamente, disputando um supercampeonato (vencido pela Mangueira). A verde e rosa, aliás, protagonizou um momento inesquecível: ao chegar à Praça da Apoteose e não saber muito bem o que fazer (afinal, no primeiro ano era tudo novo!), a escola deu meia volta e desfilou no sentido contrário da Avenida!

Mocinha e Delegado, da Mangueira, se encontram com os casais da Portela, no supercampeonato
Mocinha e Delegado 1984
Mocinha e Delegado, da Mangueira, se encontram com os casais da Portela, no supercampeonato 
 

O fim da década de 80 consagraria a genialidade de Joãosinho Trinta: com "Ratos e urubus, larguem minha fantasia", o carnavalesco encantou o público ao levar mendigos para a Avenida. A apuração terminou com Beija-Flor e Imperatriz empatadas no primeiro lugar, e as duas torcidas festejaram o título. Só depois alguém lembrou que o regulamento previa o desempate com as notas descartadas. Como a escola de Nilópolis havia perdido pontos em conjunto, evolução e samba-enredo, ficou com o vice-campeonato, atrás da "Liberdade, liberdade" de Ramos.


Chico Buarque, na comissão de frente da Mangueira em 1987
Chico Buarque na Mangueira 1987


Chico Buarque, na comissão de frente da Mangueira em 1987 


 
E se os anos 80 nos tiraram Arlindo Rodrigues e Fernando Pinto, os anos 90 nos deram Renato Lage e Rosa Magalhães, que polarizaram as atenções. Renato trouxe linhas modernas para a Mocidade, levando os títulos de 1990, 1991 e 1996. Rosa requintou o estilo tradicional da Imperatriz e foi campeã em 1994, 1995, 1999 e 2000.


Mangueira, 1990: o carro
Mangueira 1990

Mangueira, 1990: o carro "Olímpia no céu" ultrapassa o carro "Obras de Aleijadinho", que quebrou no meio da Avenida 
 


Outra perda marcante desse período foi o cantor Ney Vianna, da Mocidade. Mas os deuses do carnaval nos brindariam com duas preciosidades, que com seu bailado encantariam a Sapucaí: as porta-bandeiras Selminha Sorriso e Lucinha Nobre.

Proibida a genitália desnuda, pintada ou decorada!


Enoli Lara com a genitália desnuda na União da Ilha, em 1989
União da Ilha 19889


Enoli Lara com a genitália desnuda na União da Ilha, em 1989


 
O carnaval de 1989 trouxe um dos sambas mais marcantes da União da Ilha, "Festa profana". Mas aquele desfile também teve outro fato curioso. A destaque Enoli Lara desfilou no carro "Roma pagã" apenas com um véu cobrindo o corpo, sem nada por baixo. Um repórter perguntou a ela: "Você está nua?". Enoli respondeu: "Estou de botas". A confusão foi grande e, a partir de 1990, o regulamento dos desfiles proibia a "genitália desnuda".

Para protestar contra a novidade, Joãosinho Trinta fez o enredo "Todo mundo nasceu nu", que deu o vice-campeonato à Beija-Flor. Num dos carros, o ator Jorge Lafond veio com a genitália exposta, porém pintada. Não deu outra: no ano seguinte, o regulamento vetava a genitália desnuda, pintada ou decorada!


O incêndio da Viradouro em 1992
Incêdio na Viradouro 1999
 
O incêndio da Viradouro em 1992 
 
Aquele seria um dos últimos carnavais de Joãosinho Trinta na Beija-Flor, de onde sairia em 1992, após um escândalo na Flor do Amanhã. Mas seus dias de glória não acabariam ali. Em 1997, ele seria campeão pela Viradouro, com "Trevas, luz, a explosão do Universo". Este seria o primeiro título da escola de Niterói, que em 1992 passaria por um sufoco daqueles: um dos seus carros pegou fogo no meio da Avenida.

Raymondh Júnior





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