quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

A HISTÓRIA DA CIDADE DO SAMBA E O PREFEITO QUE NOS DEU DIGNIDADE!

Cidade do Samba

O sonho é antigo, alimentado há mais de meio século por idealistas como Ismael Silva, Cartola e Paulo da Portela, que lutaram pela dignidade do samba. Aos poucos, as Escolas de Samba foram montando um espetáculo inigualável, acabando por consolidar a primeira grande conquista: a construção do Sambódromo, em 1984, patrocinada pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro.Já com as grandes Escolas reunidas na LIESA, entidade que passou a representá-las, a nova meta era mais ousada e instigante: conseguir o espaço definitivo para que as agremiações pudessem instalar os seus centros de produção.
 
O sonho começou a ganhar contornos de realidade em 1999, quando surgiu a idéia de se criar um projeto semelhante aos que existem no Caribe, atraindo turistas em viagens de cruzeiros. A LIESA passou a procurar terrenos ociosos nas proximidades do Cais, solidificando a parceria com a Prefeitura do Rio de Janeiro – com a qual já dividia as responsabilidades de organização dos desfiles.

O  prefeito Cesar Maia autorizou a compra de um terreno de 130.000 m² de propriedade da Rede Ferroviária Federal, situado no coração da Gamboa, próximo aos armazéns do Porto. Assumiu, também, a responsabilidade pela construção das fábricas de carnaval, de uma praça central e, na parte posterior do terreno, de uma vila olímpica para as comunidades da periferia. O que parecia impossível tornou-se realidade em dois anos e meio de pesquisa, trabalho e dedicação. Mais do que um centro de visitação turística, a Cidade do Samba se consolida como um núcleo de produção da genuína arte brasileira.

As obras começaram em agosto de 2003, sob a responsabilidade do consórcio Delta-Oriente. O terreno de 130 mil m2 foi desmembrado em três partes, sendo 92 mil m2 destinados à construção da Cidade do Samba. Na parte posterior, a Prefeitura construiu uma Vila Olímpica e ainda estuda de que forma utilizará a faixa situada junto à Av. Rodrigues Alves.
 
Técnicos do Instituto Pereira Passos cuidaram de refazer o traçado das antigas ruas da região, dando-lhes dimensões capazes de suportar o transporte de gigantescas alegorias no trajeto de ida e volta para o Sambódromo. Os sistemas de esgotamento sanitário e águas pluviais, bem como os de abastecimento de água, luz, gás e telefone foram remanejados de forma a comportar a demanda excepcional que surgiria a partir do funcionamento do novo parque industrial. 

A pedra fundamental do empreendimento foi lançada no dia 11 de novembro daquele ano, quando o prefeito César Maia reuniu o mundo do samba no canteiro de obras para anunciar que “a Prefeitura estava apenas demonstrando o reconhecimento pelo trabalho que as Escolas de Samba vêm fazendo, elevando o prestígio do Rio de Janeiro no mundo inteiro”. Desde então, os sambistas passaram a acompanhar a obra de perto com um carinho especial, como se fosse a construção de sua própria casa. A Sane-Rio foi responsável pela montagem das tendas na Praça Central.


O Renascimento da Zona Portuária


O projeto Cidade do Samba é uma iniciativa conjunta da Prefeitura do Rio de Janeiro e a LIESA. Faz parte do conjunto de obras de recuperação e revitalização da Zona Portuária. Cria um novo e definitivo espaço para o Carnaval Carioca, concentrando as principais atividades de produção artística das Escolas de Samba e, conseqüentemente, oferecendo uma nova opção para o turismo.
Situado numa área de 92 mil m2 – equivalente a dez campos oficiais de futebol – o empreendimento envolveu investimentos superiores a R$ 100 milhões, aplicados pela Prefeitura do Rio. Reúne 14 Barracões (cada um com um prédio de três pavimentos), um prédio administrativo, uma praça central equipada com duas lonas – uma para espetáculos, cobrindo uma área de 2.550 m2 e outra para exposições, quatro lanchonetes com cinco banheiros, dois módulos sanitários públicos e 186 vagas de estacionamento. Iniciadas em agosto de 2003, as obras foram executadas pelo consórcio Delta-Oriente. Conheça os números que formam a grandeza do empreendimento.

EQUIPAMENTOS
TOTAL
Cobertura com estrutura metálica (telhados)
37.800 m²
Tendas (duas)
2.550 m²
Elevadores (unidades)
17
Estrutura metálica
4.050 t
Painéis de concreto (paredes externas)
45.330 m²
Alvenaria de bloco de concreto (paredes internas)
33.300 m²
Estacas cravadas (unidades)
869
Estacas cravadas (metros lineares)
12.420 m
Aço
342 t
Concreto
12.000 m³
Área pintada
93.000 m²
Forma metálica (lajes) – Steel Deck
58.290 m²
Esquadria de Alumínio
2.930 m²
Portões de ferro (unidades)
59
Proteção contra incêndio da estrutura metálica
61.883 m²
Equipamento contra incêndio –“chuveiros” Sprinklers (unid)
7.504
Vidro
2.923 m²
Luminárias (unidades)
7.393
Refletores (unidades)
1.043
Monovias
2.042 m
Exaustão mecânica – lanternins (telhados)
510 m
Drenagem - galeria
3.000 m
Esgoto de 1,20 m
250 m
Pavimentação - asfalto
18.000 m²
Pavimentação da praça central – blocos intervalados
20.000 m²




O plenário da LIESA decidiu que a ocupação das fábricas seria feita através da ordem de colocação do Carnaval 2004. Coube à Beija-Flor de Nilópolis, que conquistara o bicampeonato, ser a primeira a escolher. Optou pela fábrica nº 11.
 
As imediatamente classificadas indicaram a preferência de acordo com as disponibilidades. Os presidentes vinham “namorando” as suas prediletas desde o dia 17 de abril de 2004, quando fizeram a primeira visita à Cidade do Samba e posaram para uma foto histórica. 

Emoção maior aconteceu em 17 e 18 de setembro de 2005, quando as Escolas de Samba receberam a autorização da Prefeitura para ocupar os seus novos centros de produção, a fim de iniciar os trabalhos voltados ao Carnaval de 2006. Sob chuva e intenso foguetório, os presidentes deram-se as mãos, abrindo alas para um cortejo de alegorias que se espichava desde os galpões das Docas. A Cidade parou para aplaudir a vitória do samba.

A ocupação, no entanto, só está assegurada por um ano, já que as últimas colocadas no desfile perderão a posse de suas fábricas, como aconteceu no último desfile, quando a Estácio de Sá e o Império Serrano tiveram que deixar os Barracões 9 e 7, respectivamente. A partir do Carnaval 2008 apenas a última colocada desce para o Grupo de Acesso A.


Ao prefeito que de fato se interessou pelo mundo do samba, ao homem que deu dignidade a construção do maior espetáculo da terra: o carnaval carioca! Nosso muito obrigado...
Obrigado César Maia!


Veja algumas imagens da inauguração da Cidade do Samba 

César Maia

César Maia e a Beija-Flor de Nilópolis

Escolas de Samba

César Maia e Mocidade Independente de Padre Miguel

César Maia se emociona na inauguração da Cidade do Samba

César Maia O Prefeito do Samba

César Maia


César Maia com sambistas da Beija-Flor



Raymondh Júnior

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